Belize e Bermudas - Cabreragem
 

Se buscar no dicionário, muitos serão os significados para cabreragem, e ao ouvir o som da banda piracicabana Belize e Bermudas, cada um pode escolher o seu. O cabreiro age com cuidado, rapidez, eficiência, é esperto, ativo, astucioso, dissimulado. O som cabreiro é o que vem de dentro, revela tudo que há de si, sem amarras.

É o contraponto da brasilidade e do som tropical, e é assim que a banda se apresenta em seu trabalho de estreia, o EP Cabreragem.

Composto por quatro faixas, o primeiro trabalho da banda mistura ritmos abrasileirados da forma mais intensa, com guitarradas, grooves dançantes na “cozinha”, e letras que falam de sentimentos corriqueiros, que dão o tom “cabreiro” bem certo.

Seguindo o faixa-a-faixa, a primeira canção, “Olho”, fala sobre a importância e a firmeza de um olhar. A letra enfatiza a ausência da troca de olhares no cotidiano, o que pode ser um instante de verdade mútua. “Barco” mostra liricamente que os problemas do dia-a-dia podem ser solucionados com mais leveza, como uma embarcação levada pela correnteza.

“Passo torto” revela as diversas maneiras de sossegar em momentos tão perturbadores, de modo bem subjetivo. E a última faixa, intitulada “Num triz”, fala da predominância e resistência do amor em todos os cenários possíveis.

Toda essa brasilidade astuta se amplifica. Seja nas firmes linhas de baixo de Vinícius Costa, nas levadas sujas e marcantes da bateria de Marcos Vinícius Barbosa, nos riffs e solos sacanas da guitarra de Leon Botão, ou nos vocais e passinhos de dança inéditos de Luis Gustavo Gaiotto, a gurizada da Belize é capaz de transportar o público a outro lugar, proporcionando, como eles mesmo dizem, as “férias musicais” que fazem bem.

Ouça na íntegra: