Ranking: Melhores Covers
 

Uma cover é uma maneira pra lá de afetiva que um artista pode usar para prestar homenagem a quem o influenciou.

Pode ser para parabenizar um músico, para transmitir uma mensagem através das palavras de outro artista ou até mesmo para impressionar.

Muitos não apenas tocam as covers ao vivo como resolvem levar a brincadeira adiante gravando as versões em estúdio. Alguns lançam até as covers como singles. Mas a questão é que, dependendo do arranjo e de como ficou, a repercussão da versão regravada pode ser tão boa quanto a da versão original, ou até mesmo superá-la.

Pois bem, a equipe do TMDQA! juntou opiniões sobre as covers que se deram melhor do que as versões originais. Fizemos, com isso, um ranking das nossas 10 escolhas.

Vamos lá:

10 – “Whiskey In The Jar” (Metallica, originalmente uma canção folclórica)

Em 1998, o Metallica lançou o álbum Garage Inc., um compilado contendo 11 covers. Dentre versões de músicas originalmente gravadas por bandas como Misfits, Black Sabbath e Lynyrd Skynyrd, o grupo regravou “Whiskey In The Jar“.

A música tem sua origem no folclore irlandês e incontáveis regravações dela foram feitas desde os anos 50. A repercussão internacional veio a partir da gravação da banda folk The Dubliners, e a versão do Metallica é inspirada em uma gravação feita em 1972 pela banda irlandesa Thin Lizzy, que deu uma roupagem mais rock à canção, com direito ao riff de guitarra que conhecemos tão bem.

A letra conta a história de um guerrilheiro que é traído por sua namorada e preso após roubar um oficial do exército inglês. Apesar de variar de versão em versão, grande parte das covers usa como base a versão do Thin Lizzy, inclusive.

O Metallica deu à música reconhecimento da parte da comunidade de fãs de rock da época. A versão ganhou o Grammy de Melhor Performance de Hard Rock em 2000.

 

9 – “Torn” (Natalie Imbruglia, originalmente por Ednaswap)

Não, “Tornnão é uma composição da cantora australiana Natalie Imbruglia. Apesar de ser seu maior sucesso comercial até hoje, a música foi composta pelo grupo norte-americano Ednaswap.

A estreia da canção foi ao vivo, em 1993, mas o Ednaswap não foi o primeiro a gravá-la. Por sinal, a primeiro artista a disponibilizar uma gravação de estúdio da música sequer cantava em inglês. A cantora dinamarquesa Lis Sørensen deu voz a “Brændt” (queimado, em dinamarquês), que era basicamente uma versão traduzida, na mesma tonalidade e com o mesmo arranjo. A versão de estúdio do Ednaswap só surgiu em 1995, no lançamento do primeiro álbum de estúdio do grupo.

Demoraram mais dois anos para que a versão que conhecemos melhor se tornasse conhecida. Foi quando Imbruglia gravou a cover para seu álbum de estreia Left of the Middle (1997). A versão não apenas se tornou uma das músicas mais escutadas nos Estados Unidos durante o final dos anos 90 como também rendeu indicações para o Grammy de 1999. A canção foi indicada na categoria Melhor Performance Feminina de Vocal Pop, mas perdeu para Celine Dion e seu sucesso gigantesco “My Heart Will Go On”.

 

8 – “Twist And Shout” (The Beatles, originalmente por The Top Notes)

Sabia que “Twist And Shout” não é de autoria dos Beatles? E o mais impressionante: sabia que ela foi originalmente lançada como uma B-side?

O grupo vocal The Top Notes lançou a canção em 1961, como B-side do single “Always Late (Why Lead Me On)“. Mas a canção começou a fazer barulho mesmo com a versão do trio The Isley Brothers, gravada um ano depois. A repaginada rock n’ roll foi ideia de Bert Berns, um dos compositores originais da música. Apesar da pouca esperança dos Isley Brothers em relação à música, foi essa a versão a colocar o título “Twist And Shout” pela primeira vez entre as 20 canções melhor posicionadas na Billboard Hot 100.

A versão mais popular, no entanto, foi a da voz de John Lennon, como mostra a cultura pop em filmes – e até mesmo em “Não Peide Aqui Baby“, dos Mamonas Assassinas. Lançada no álbum de estreia dos Beatles, Please Please Me, em 1963, a canção não demorou para se tornar uma das mais reconhecidas canções de rock n’ roll da história.

 

7 – “I Fought The Law” (The Clash, originalmente por The Crickets)

A versão original, do grupo The Crickets, surgiu bem na era do iê-iê-iê, em 1960. Mas parece que foi só com a versão punk do The Clash que conhecemos o potencial crítico da letra de “I Fought The Law“.

Entre o rock n’ roll e o punk, teve também a versão garage rock do grupo The Bobby Fuller Four. Era uma versão mais incrementada em termos instrumentais, apesar de respeitar o arranjo original. A cover foi gravada em 1965 e levou o título pela primeira vez às grandes paradas, atingindo a nona colocação na Billboard Hot 100. A repercussão levou a versão do quarteto a entrar na lista das “500 Melhores Canções de Todos os Tempos” da Rolling Stone.

A banda The Clash reviveu a música levando a mesma para os fãs de punk rock em 1979. A ideia de regravar “I Fought The Law” surgiu durante uma viagem, quando Joe Strummer e Mick Jones ouviram a versão do The Bobby Fuller Four em uma jukebox. Foi também o primeiro single da banda a ser lançado nos Estados Unidos.

 

6 – “Girls Just Want To Have Fun” (Cyndi Lauper, originalmente por Robert Hazard)

E se dissermos que “Girls Just Want To Have Fun” foi composta por um homem? Pois bem, a música, um dos maiores hinos do feminismo e do empoderamento feminino, foi lançada em 1979 pelo músico norte-americano Robert Hazard.

Hazard divulgou uma demo da canção, que até então tinha uma pegada de glam rock. A cover de Cyndi Lauper foi lançada quatro anos depois, com uma perspectiva efetivamente feminina da letra. Apesar de ser o primeiro single de sua carreira, a versão rapidamente se tornou um de seus maiores sucessos, e se tornou conhecida no mundo inteiro.

Deixando de lado as guitarras e adotando os sintetizadores, a versão de Lauper ganhou uma roupagem disco-pop que transformou a canção em um dançante hit. Parte da popularização da faixa se deu também por conta de seu aclamado videoclipe.

Além da faixa em questão, She’s So Unusual, o álbum de estreia da cantora, também contou com covers de “All Through the Night“, de Jules Shear, e “When You Were Mine“, de Prince.

 

5 – “Nothing Compares 2 U” (Sinéad O’Connor, originalmente por The Family)

Acabamos de citar Prince, mas vamos falar dele de novo! Isso porque ele é a cabeça por trás da composição de “Nothing Compares 2 U“, canção lançada pelo grupo The Family, formado e produzido pelo próprio cantor, em 1985.

Mas pode ser que você esteja mais familiarizado com a versão da irlandesa Sinéad O’Connor. A cantora regravou a música para seu segundo álbum de estúdio, I Do Not Want What I Haven’t Got, de 1990. A versão de O’Connor respeita a calma e sensualidade da gravação do The Family, mas adiciona mais emoção.

Em 2018 o mundo contemplou um plot twist dessa história toda. Prince, compositor da canção, gravou sim uma versão dela, e ainda antes do The Family. Apesar de divulgada apenas este ano, a versão foi gravada antes de todas as outras, em 1984.

Isto é o Prince não cansando de nos surpreender, mesmo após a sua morte.

 

4 – “I Love Rock ‘N Roll” (Joan Jett and the Blackhearts, originalmente por The Arrows)

Falamos de “Twist And Shout”, mas se avançarmos um pouco mais no tempo, podemos ver o nascimento de mais um hino da história do rock. Estamos falando de “I Love Rock ‘N Roll“.

Todos conhecem a versão da banda Joan Jett & The Blackhearts, que colocou o nome da canção no topo da Billboard Hot 100 em 1982. A cover entrou para o segundo álbum do grupo, que levou o nome desse implacável sucesso. Mas não foi só a energia da música que contagiou o mundo, visto que o videoclipe era repetido insistentemente na recém-inaugurada MTV.

Por sinal, vários artistas pelo mundo inteiro fizeram questão de incluir a música nas setlists de seus shows ou até mesmo gravar uma versão própria. Até Britney Spears fez sua cover com uma pegada claramente mais pop. Mais recentemente, Eminem entrou na onda e sampleou o instrumental da música na canção “Remind Me“.

Mas o lançamento da versão original data de 1975. Antes de Joan Jett, “I Love Rock ‘N Roll” foi um single da banda The Arrows. Não foi um sucesso imediato, mas a semelhança em termos de arranjo com a versão que ficaria famosa mostra apenas um erro de timing ou de divulgação por parte do grupo.

De acordo com o baixista/vocalista Alan Merrill, a música foi feita como uma resposta à canção “It’s Only Rock ‘N Roll (But I Like It)“, lançada pelos Rolling Stones um ano antes.

 

3 – “I Will Always Love You” (Whitney Houston, originalmente por Dolly Parton)

Em 1974, a influente cantora Dolly Parton lançou seu décimo terceiro disco de estúdio, Jolene. O álbum, além de receber ótimas críticas, impressionou com seus dois principais singles. Um deles era a faixa título, que foi regravada posteriormente pelo grupo vocal Pentatonix e pela banda The White Stripes. Já o outro single conseguiu marcar ainda mais a indústria da música: a canção “I Will Always Love You“.

No entanto, não se trata de uma canção de amor qualquer. Esta bela composição foi uma forma de dizer um carinhoso adeus a Porter Wagoner, parceiro de longa data de Parton, com quem tinha gravado 10 álbuns até então. A cantora queria focar em sua carreira solo, e a música foi uma forma de agradecer a Wagoner pelos anos de parceria.

Mas não foi essa a versão a ficar 14 semanas no topo do Hot 100. Isso porque Whitney Houston, em 1992, regravou “I Will Always Love You” para a trilha sonora do filme O Guarda-Costas, estrelado pela própria cantora. Desde então, esta é a versão que é reproduzida em todos os lugares.

A versão de Houston transformou o country de Dolly Parton em uma balada soul. Sinceramente, é difícil dizer qual das duas versões é a melhor.

 

2 – “Valerie” (Amy Winehouse e Mark Ronson, originalmente por The Zutons)

A cantora Amy Winehouse sempre foi elogiada por sua incrível performance vocal. E isso fica claro em todas as suas músicas. Por sinal, até canções que não foram feitas para ela foram adaptadas de maneira a extrair o melhor de sua voz. É o caso de “Valerie“.

Lançada originalmente em 2006 pela banda indie The Zutons, a música ganhou, no ano seguinte, uma roupagem mais puxada para o jazz e para o soul que a levaria para o topo das paradas britânicas. No entanto, Amy não foi a única responsável pelo sucesso da cover, que teve a produção de Mark Ronson.

A versão soul de “Valerie” foi lançada no segundo álbum de Mark, Version. Apesar de essa versão ganhar mais destaque, o álbum também conta com outras covers de artistas britânicos como Radiohead, Coldplay, Kaiser Chiefs e Kasabian.

Uma versão mais lenta foi gravada por Amy para a BBC Radio 1, e inserida na versão Deluxe do seu aclamado álbum Back To Black.

O talento, tal como a beleza do arranjo da cover, é incontestável!

 

1 – “Hurt” (Johnny Cash, originalmente por Nine Inch Nails)

Você deve se lembrar bem de quando viu pela primeira vez o trailer de Logan, último filme estrelado por Hugh Jackman no papel de Wolverine. O vídeo contava com a bela “Hurt“, na voz do saudoso Johnny Cash.

Cash gravou a música, uma cover da banda Nine Inch Nails, em 2002. A versão entrou para o seu álbum American IV: The Man Comes Around, que também tinha covers de nomes como Sting e Depeche Mode.

Já a versão original nasceu em 1994, como faixa final do álbum The Downward Spiral. O que Cash fez com maestria, em parceria com o aclamado produtor Rick Rubin, foi transformar o rock industrial da versão original em um emocionante country, sem perder a essência da incrível letra.

Tudo ficou ainda mais impressionante quando o clipe oficial mostrou Johnny Cash à beira da morte fazendo uma retrospectiva de tudo que tinha passado durante a vida e a carreira como música.

Trechos da letra como “O que me tornei?” e “Todos que conheço se vão no final” deram um tom dramático quase que incomparável à canção.

Em entrevista, o vocalista Trent Reznor falou sobre a felicidade em ver Cash gravando uma de suas músicas. O músico já declarou que sente como se a música não fosse mais dele.

 

 

E aí? Concorda com a nossa lista? Que músicas, na sua opinião, foram deixadas de fora? Deixe sua opinião nos comentários.