Alt-J - Reduxer
 

Uma das mais queridas bandas de rock alternativo de atualidade acaba de lançar um disco de remixes. Os britânicos do Alt-J convidaram rappers do mundo todo, entre nomes consagrados e novos talentos, para criar versões em hip-hop de seu terceiro e mais recente disco, RELAXER (2017).

O resultado é REDUXER, uma coleção com 11 incríveis reinterpretações das 8 músicas do disco original. Entre os artistas convidados estão os americanos Pusha T e GoldLink, o parisiense Lomepal, o alemão Kontra K e o porto-riquenho PJ Sin Suela, muitos deles cantando em suas línguas nativas.

Para falar sobre esse curioso passo na carreira da banda, o TMDQA! entrevistou por telefone Gus Unger-Hamilton, tecladista e segunda voz do Alt-J. Sempre com poucas palavras, o músico nos revelou sua paixão pelo hip-hop e como foi o processo de seleção dos artistas convidados.

Ele também afirmou que o grupo vai fazer uma pausa para descansar em breve, mas deverá lançar disco novo em 2019. No entanto, segundo Gus, não há planos de vir ao Brasil ou fazer grandes turnês no ano que vem. Leia o papo completo abaixo e ouça REDUXER, que já está disponível em todos os serviços de streaming, no fim dessa matéria.

Entrevista

(foto: Stefan Brending)

TMDQA!: Obrigado por atender a gente, Gus! O REDUXER já foi lançado no mundo todo. Eu imagino que você esteja recebendo o feedback de muita gente. Como você se sente e qual é a sensação de ter um trabalho novo disponibilizado?

Alt-J: Me sinto ótimo, muito bem. Você sabe… eu gosto do disco, adoro ouvi-lo agora que é público. É ótimo.

TMDQA!: O álbum RELAXER, como grande parte do trabalho do Alt-J, é bastante experimental e cheio de elementos. Quando vocês estavam mixando esse disco, houve a sensação de que alguns sons estavam sendo deixados pra trás? Vocês sabiam que ele precisaria de um remix algum dia?

Alt-J: Acho que sim. A gente sempre quer achar novos sons, pensar em novos estilos. Naquela época, aquele foi o resultado. Mas é normal que as coisas mudem.

TMDQA!: Em entrevistas, vocês se dizem muito fãs de hip-hop e próximos, musicalmente, desse estilo. Como foi convidar rappers para esse trabalho? Eles vieram até a banda ou vocês foram atrás dos nomes certos?

Alt-J: A gente foi atrás deles. Nós conversamos com a nossa gravadora para que eles achassem novos talentos em vários países. E também entregamos pra eles uma “lista dos sonhos” de artistas que já conhecíamos e com quem gostaríamos de trabalhar, e eles partiram daí. O hip-hop sempre foi uma grande influência no som do Alt-J, e esse é nosso jeito de retribuir e dizer “obrigado”.

TMDQA!: REDUXER conta com a participação de artistas do mundo todo, alguns cantando em suas próprias línguas, como francês e espanhol. Você acha que é uma chance do som do Alt-J atingir novas culturas?

Alt-J: Talvez. Nós estamos em turnê agora, então com certeza já somos razoavelmente conhecidos em países como França, Espanha e Alemanha. Mas com certeza é um jeito da gente pensar em novos sons baseados na cultura desses países. E também sentimos que estamos fazendo algo especial pra esses fãs, na língua deles. É como se a gente falasse “hey, essa música é só pra você!”.

TMDQA!: Agora eu quero falar sobre remixes específicos dentro do disco novo. “In Cold Blood”, por exemplo, é um grande hit da banda. Havia um tipo de “medo” de mexer com uma música tão conhecida e querida pelos fãs?

Alt-J: Não… até porque nós não estamos removendo a versão antiga de “In Cold Blood”, ela ainda existe. Nós só estamos fazendo um remix dela, com o Pusha T inclusive. Eu acho que nada se perdeu da música original.

TMDQA!: Em RELAXER, “House of The Rising Sun” já era uma releitura de uma canção tradicional do folk americano. Agora, em REDUXER, ela ganhou mais uma versão. É como se a música estivesse ganhando níveis de complexidade?

Alt-J: Isso é o mais legal do folk tradicional americano. Ele vai passando de geração pra geração, e nesse processo as músicas vão mudando. Nos inspiramos na versão de Woody Guthrie e do The Animals pra fazer a nossa versão. Agora, o Tuka está se inspirando na nossa interpretação dela. É sempre diferente, está sempre em movimento, de artista para artista, coração para coração.

TMDQA!: Vocês têm planos de voltar a compor um álbum de inéditas num futuro próximo?

Alt-J: Sim! Nós estamos terminando uma turnê do RELAXER/REDUXER agora, e em seguida vamos fazer alguns shows pelo Reino Unido. Depois, vamos dar uma pausa, provavelmente até o Natal. No ano que vem vamos começar a pensar em coisas novas.

TMDQA!: E como os remixes funcionam ao vivo? Vocês têm convidado artistas que gravaram o REDUXER para participar dos shows?

Alt-J: Esse é o nosso plano para os shows no Reino Unido. Nesse momento, estamos pensando em como fazer isso.

TMDQA!: Quando vocês estiverem compondo músicas novas, você acha que o hip-hop terá um papel mais direto num futuro disco de inéditas da banda?

Alt-J: Eu acho que, por enquanto, REDUXER foi o momento exato pra usarmos o rap. Num próximo disco, é provável que a gente volte pra uma sonoridade mais “Alt-J”. Mas nunca se sabe. Nós adoramos esse processo e o resultado foi ótimo, então quem sabe o que pode acontecer no futuro.

TMDQA!: A última vez que o Alt-J esteve no Brasil foi em 2015, para o Lollapalooza. Você já me disse que a banda vai descansar depois da turnê atual. Há a chance de vocês voltarem pra cá em 2019?

Alt-J: Nós não temos planos de excursionar no ano que vem. Talvez a gente faça um disco novo, mas não faremos turnê.

TMDQA!: Ok, obrigado pela entrevista e parabéns pelo trabalho!

Alt-J: Obrigado, tchau!