Pitty na Audio
Foto: Stephanie Hahne
 

Há shows de bandas e artistas que pouco mudam de turnê para turnê. Que você pode ver apresentações ao vivo com anos de diferença, e vai soar tudo muito parecido. Com a Pitty não é assim. Seja no telão, seja nos arranjos, seja na organização do palco, seja no repertório… os fãs sempre vão ter algo novo para curtir.

E a turnê Matriz, que teve sua estreia em São Paulo na noite de ontem (21), traz todos esses elementos novos de uma só vez. Visualmente, o destaque é para o cenário, que em SETEVIDAS (2014) era super tecnológico, cheio de movimentos e interatividade, e agora aparece com uma simplicidade mais intimista, com os belíssimos traços da artista gráfica Eva Uviedo.

Musicalmente, a maior mudança é a inclusão de versões acústicas no setlist. Um enorme presente aos fãs, que funcionou perfeitamente dentro da proposta de Matriz. Por cerca de duas horas, Pitty comandou a plateia com maestria, ao lado de Martin Mendonça (guitarra), Gui Almeida (baixo), Paulo Kishimoto (teclados) e de seu marido Daniel Weksler (bateria), que é a novidade dessa formação atual.

Pitty na Audio
Foto: Stephanie Hahne

“Admirável Chip Novo”, “Anacrônico” e “Setevidas” abriram o show. Com alguma variação, essa tem sido a sequência inicial das apresentações já há bastante tempo. São três faixas-título de discos lançados em momentos muito diferentes da carreira de Pitty, e que juntas mostram o quanto toda a sua discografia segue forte e atual.

Em sua primeira troca de palavras com o público, a cantora agradeceu e falou sobre o quanto essa noite era especial: “eu não sei o que dizer, apenas sentir”. E a felicidade e gratidão eram mútuas, já que esse show havia sido muito aguardado pelos fãs de São Paulo, que estavam com bastante saudade. A Áudio estava completamente lotada e a troca de energia entre a banda e o público foi intensa do início ao fim.

Depois de “Memórias”, veio “I Wanna Be”, que voltou recentemente ao repertório, depois de quase dez anos sem ser tocada. Ao explicar que Matriz tem permitido que a banda faça coisas que nunca fez antes, Pitty anunciou “Te conecta”. O novo single traz uma sonoridade diferente, com uma pegada reggae que, ao vivo, cria uma vibe massa demais.

Em seguida, “Na Sua Estante” contou com um tradicional e lindo início somente pelas vozes da plateia e, após “Um Leão”, era chegada a hora do tão esperado set acústico. Pitty falou sobre gostar de desafios como artista, da vontade de investigar como suas primeiras músicas foram feitas e saber como elas se comportam agora. Carregando o mesmo violão que usou naquela época, a cantora convidou o público para um rolê no seu quartinho em Salvador.

Pitty na Audio
Foto: Stephanie Hahne

Com uma naturalidade incrível, “Teto de Vidro” e “Temporal” vieram de forma arrebatadora e emocionante. Depois de tantos anos de lançamento, é um privilégio ver essas canções de um modo tão “cru e verdadeiro”, como a própria cantora definiu. Nesse formato, vieram ainda uma versão de “Metamorfose Ambulante”, de Raul Seixas, com direito à inclusão de versos com os dizeres “ele não”, e “Dançando”, faixa do projeto Agridoce, entre Pitty e Martin, e que nunca havia sido inserido no repertório da banda.

E sobre o movimento #EleNão, vale destacar os diversos cartazes com a hashtag, espalhados entre o público mais próximo à grade. Gritos de “ele não” também ecoavam pela pista ao longo do show. Ao final, enquanto a banda se despedia do palco, Martin acabaria erguendo um desses cartazes que havia sido entregue pelos fãs.

Mas, voltando ao show, ainda tinha muito por vir. Com faixas do novo disco sendo apresentadas enquanto a turnê acontece, São Paulo foi o palco da estreia da inédita “Controle Remoto”, com influências de punk rock. Ficou claro que, por mais que o novo disco traga novas referências, o rock ainda estará presente.

Em uma noite com participações especiais, a primeira delas aconteceu com a presença de Tássia Reis, que havia feito o show de abertura, para cantar o single “Contramão”, do qual fez parte da gravação. Tássia e Pitty fizeram também uma ótima versão de “Feeling Good”, de Nina Simone.

Pitty na Audio
Foto: Stephanie Hahne

Logo depois do hit “Me Adora”, foi a vez de Emicida marcar presença, com “Hoje Cedo”. A faixa é uma parceria com Pitty e está no seu primeiro disco de estúdio. O público vibrou muito e fez com que Emicida se sentisse em casa. O repertório ia chegando ao fim, mas ainda tinha surpresa pela frente.

“Máscara”, clássico que projetou Pitty nacionalmente e sempre conta com uma versão estendida nos shows, trouxe Emicida e Tássia Reis de volta ao palco para alguns versos de rap. Eles permaneceram até o final da faixa, encerrando o show em um clima de festa e celebração.

Para o bis, a banda voltou com a adorada “Equalize”, “Desconstruindo Amélia”, que depois de um bom tempo fora do set voltou a ser tocada regularmente, e “Serpente”, que segue encerrando a noite do jeito mais bonito possível, com coros e acompanhamento de palmas do público.

Foi um espetáculo completo! Pitty apresentou o que tem de melhor na sua carreira, para um público com uma diversidade que poucos artistas conseguem reunir em um mesmo local. Matriz está apenas no início e certamente ainda renderá ótimos frutos. Os fãs agradecem!

Tássia Reis

Tássia Reis na Áudio
Foto: Stephanie Hahne

Cada vez mais consolidada no rap nacional, Tássia Reis vem ganhando novos públicos e Pitty tem sido uma parceria importante para isso. Além de ser convidada a gravar o single e vídeo de “Contramão”, Tássia ainda participa do clipe de “Te Conecta”, que saiu recentemente. Nada mais apropriado do que a abertura da noite ter ficado a cargo da rapper.

Para uma casa já cheia, ela entrou em cena para apresentar suas faixas mais conhecidas e também o que tem de mais recente. Com uma receptividade calorosa por parte do público, Tássia fazia questão de demonstrar sua gratidão por estar ali.

Com personalidade forte e bom humor, ela soube aquecer a plateia na medida certa, com direito a discursos politizados e muito “ele não”. Tássia soube entreter uma plateia que, em sua maioria, não possui tanta familiaridade com sua carreira, e isso não é uma missão fácil. Mas, além de ter tirado de letra, a rapper ainda conseguiu conquistar novos fãs e deixou o palco muito aclamada pelo público.

 
 
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