David Bowie
Foto: Divulgação
 

Pouco tempo após a morte do lendário David Bowie, em 2016, o produtor americano Angelo “Scrote” Bundini iniciou uma série de espetáculos que viaja o mundo celebrando a obra do camaleão da música.

A banda é rotativa, normalmente acompanhada por orquestras, corais e artistas locais. Entre os nomes mais famosos que já se apresentaram no projeto estão Angelo Moore, vocalista e saxofonista da banda americana de ska Fishbone, e o cultuado compositor e guitarrista Adrian Belew, da banda inglesa de rock progressivo King Crimson.

Esse último conversou por telefone com o TMDQA! para “aquecer” para a vinda desse show ao Brasil pela primeira vez, que acontecerá dia 19 de Outubro, em São Paulo. O evento será realizado pelo Popload Gig, com apoio da Heineken. O serviço completo você encontra ao final desta matéria.

Andrew Belew nos contou suas experiências ao lado de Bowie, quando participou das gravações do disco Lodger (1979), e revelou um pouco dos bastidores da montagem do espetáculo “CDB”. O guitarrista também revelou em primeira mão que tem músicas novas para lançar em sua carreira solo e que deve excursionar com o supergrupo Gizmodrome (com Stuart Copeland, do The Police) em 2019. Leia!

Entrevista com Andrew Belew

TMDQA!: É um prazer falar com você, Andrew, obrigado por nos atender! Você começou a trabalhar com David Bowie quando ele estava no meio de sua “Trilogia de Berlin”, nos anos 70. Essa é uma das fases mais experimentais da carreira dele. Como foi o contato de vocês naquele ponto de suas carreiras?

Andrew: Claro que foi uma grande surpresa para mim trabalhar com o David. Foi uma das primeiras coisas que já aconteceram comigo musicalmente. A primeira vez que eu gravei um disco em estúdio foi justamente o Lodger, com ele e o Brian Eno, na Suíça. E isso nos levou a um ano e meio de turnê ao redor do mundo. Então a coisa toda foi um grande evento pra mim, e muito divertido.

TMDQA!: O que você diria que aprendeu com Bowie e Brian Eno, musicalmente e também para a vida pessoal? Quais foram os melhores momentos que você viveu com eles?

Andrew: Estar com os dois era muito inspirador. Eles usavam o estúdio de forma peculiar. Para a minha parte da gravação, por exemplo, eles não me deixavam ouvir as músicas antes. Eles queriam gravar minha reação “acidental” às canções. Então, na essência, tudo que você me ouvir tocando no Lodger vai ser um improviso meu, ouvindo a música pela primeira vez e tentando acompanhar. Esse é um tipo de experimento típico do Brian (risos).

TMDQA!: Isso parece divertido! Ou te deixava nervoso?

Andrew: Não, eu não ficava nervoso, era divertido sim. Eu aproveitei cada momento, estava muito feliz e honrado de estar ali, na Suíça, com os dois. Eu não fiquei preocupado em momento nenhum, porque eles teriam me dito se não gostassem do que eu estava tocando. Acabou que eles amaram o meu trabalho.

TMDQA!: Como foi seu primeiro contato com Angelo Bundini e por que você decidiu se juntar ao projeto “Celebrating David Bowie”?

Andrew: Há dois anos, o Angelo estava trabalhando em um evento especial, em noite única, para homenagear os Beatles. Ele tinha uma orquestra, três palcos e músicos de todos os estilos para tocar 50 músicas deles. Eu sou um expert em Beatles, sei tudo sobre eles, porque eles foram meus professores. Então ele me convidou para esse projeto, que foi ensaiado só uma vez. Poderia ter sido um desastre, mas foi uma vitória. Foi uma das noites mais especiais de que tenho memória. Depois disso, o Angelo me disse que faria algo similar com a música do David Bowie, e me convidou de novo. Desde então, já tocamos em 17 países, em cinco continentes, e tem sido muito bem sucedido. É um show muito bonito, que eu acho que honra a vida dele.

TMDQA!: Na formação que está vindo para América do Sul, você toca com músicos de diferentes lugares e diferentes estilos, como Angelo Moore, Paul Dempsey (Something for Kate) e Michael Urbano (Smash Mouth). Como é a convivência com eles na estrada?

Andrew: É maravilhoso! A gente se respeita muito, acabamos virando amigos. Eu já tinha trabalhado com a maioria deles na passagem pela Europa da turnê. Na verdade, Paul, Angelo e eu estamos no projeto desde o início. Eu conheço a música deles, gosto do que eles fazem como artistas. O Angelo (Moore) é um dos melhores performers que eu já vi. Ele é incrível. É quem está mais perto de ter o “estilo” que o Bowie escolheria para a banda dele. O Paul é um grande cantor que tem, inclusive, uma voz similar à do David. E o Urbano, eu amo o jeito que ele toca. Não há ninguém na banda que não deveria estar lá. O Angelo (Bundini) é muito bom em produzir esse tipo de show.

TMDQA!: Nos shows, a banda não usa nenhum elemento gravado, é tudo tocado ao vivo. Isso é impressionante. Você teve que estudar a fundo as músicas do Bowie, incluindo partes específicas, para não errar nada no show?

Andrew: Na verdade, eu ainda estou estudando (risos). Nossos shows nunca são iguais, porque a banda muda, nós recebemos artistas convidados de cada cidade que visitamos, às vezes temos orquestra, metais, coral, às vezes as três coisas juntas… Para os shows na América do Sul, especificamente, eu estou aprendendo 10 novas músicas do David que eu nunca toquei antes. A gente nunca repete, nossa ideia é estar sempre melhorando. Por isso que o som sempre parece “orgânico”, porque realmente é.

TMDQA!: E sobre os seus outros projetos, quais são seus planos para o futuro? Se você não se importa de responder, por que você não está na formação atual do King Crimson?

Andrew: Eu não estou na formação atual do King Crimson porque o Robert (Fripp, guitarrista e um dos fundadores) decidiu ir numa direção diferente, com uma formação diferente. Eles estão tocando com quatro bateristas na frente do palco. Ele achou que não seria apropriado pra mim, e eu acho que ele está certo. Não parece a coisa certa pra mim nesse momento. Eles não tocam nenhuma música que eu compus com o King Crimson nos últimos 33 anos, mas sim versões de músicas antigas, focando na percussão. Então estamos os dois felizes. Não sei se vamos voltar a fazer algo juntos no futuro, mas essa porta está sempre aberta. Sobre minha carreira, tenho estado muito ocupado. Estou gravando 25 músicas novas, autorais, que devem ficar prontas no fim desse ano. No ano que vem, pretendo excursionar com a minha banda e talvez até com a Gizmodrome, banda que eu iniciei ano passado com o Stuart Copeland (The Police). Pode ser que a gente saia pra tocar pelo mundo pela primeira vez. É o que eu espero que aconteça. E também estou muito feliz de voltar à América do Sul, eu amo os fãs daí.

TMDQA!: E suas músicas novas serão lançadas ainda esse ano?

Andrew: No começo de 2019, eu acredito.

TMDQA!: Obrigado e bom show por aqui!

Andrew: Obrigado!

Serviço

Popload Gig com CELEBRATING DAVID BOWIE
Data: 19 de outubro (sexta-feira)
Local: Auditório Simón Bolívar – Memorial da América Latina
Endereço: Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664 – Portão 13, São Paulo
Abertura da casa: 19h | Início do show: 21h
Ingressos: de R$80,00 a R$500,00.
Vendas online: ticketload.com
Ponto de venda: Cine Joia @ Praça Carlos Gomes, 82 (próximo ao Metrô Sé e Liberdade).