Elza Soares
Foto por Daryan Dornelles
 

Ontem à noite (02) fomos tomados de tristeza com a notícia de que o Museu Nacional, com um dos acervos mais importantes e mais antigos de todo país, foi tomado por um incêndio no Rio de Janeiro.

Nas últimas horas muito tem se falado a respeito das responsabilidades do governo em suas esferas municipal, estadual e federal, e enquanto políticos engravatados discutem suas culpas e principalmente as transferem, nós perdemos itens culturais dos mais valiosos em um país que já tem sérios problemas para preservar a sua memória e sua história.

Quem se manifestou a respeito do caso foi a cantora Elza Soares que não apenas lamentou o fato como também abordou a questão de que há muito tempo os gestores do museu já vinham pedindo por ajuda e investimentos, dizendo que ele corria perigo por conta da falta de verba.

Citando exemplos como Luiz Melodia e a tragédia na cidade de Mariana, ela fala sobre a “tradição” brasileira de homenagear os que se vão só depois do fato consumado, ao invés de celebrá-los quando eles ainda estão aí.

O texto na íntegra diz o seguinte:

Estamos de luto. Sim. Mas quero propor uma reflexão. Não poderíamos estar ‘em luta’. Porque deixamos para reunir as forças em comoção nacional depois que o fogo consumiu o Museu Nacional do Rio de Janeiro, mesmo após inúmeros pedidos de socorro dos seus gestores? Porque deixamos para sentir a presença de Marielle após ter sua vida ceifada? Quantas mulheres fortes por esse país continuam ‘ausentes’ dessa corrente nacional? Porque deixamos para inundar a internet com mensagens solidárias à Mariana, após a barragem romper e apagar a cidade do mapa, mesmo após tantos protestos de ambientalistas e moradores de lá? Porque deixamos para homenagear o Melodia e outros grandes, quando eles já não podem mais sentir a homenagem? Deixaremos um boçal misógino qualquer assumir a presidência do nosso país e reclamaremos depois? Gentem, eu tenho gritado muito o agora, esse ‘now’ que falo. Já senti na pele as feridas desse ‘depois brasileiro’. Brasil, qual o teu negócio? Continuaremos deixando pra depois?

Estamos de luto. Sim. Mas quero propor uma reflexão. Não poderíamos estar “em luta”. Porque deixamos para reunir as forças em comoção nacional depois que o fogo consumiu o Museu Nacional do Rio de Janeiro, mesmo após inúmeros pedidos de socorro dos seus gestores? Porque deixamos para sentir a presença de Marielle após ter sua vida ceifada? Quantas mulheres fortes por esse país continuam “ausentes” dessa corrente nacional? Porque deixamos para inundar a internet com mensagens solidárias à Mariana, após a barragem romper e apagar a cidade do mapa, mesmo após tantos protestos de ambientalistas e moradores de lá? Porque deixamos para homenagear o Melodia e outros grandes, quando eles já não podem mais sentir a homenagem? Deixaremos um boçal misógino qualquer assumir a presidência do nosso país e reclamaremos depois? Gentem, eu tenho gritado muito o agora, esse “now” que falo. Já senti na pele as feridas desse “depois brasileiro”. Brasil, qual o teu negócio? Continuaremos deixando pra depois? #ElzaSoares #MuseuNacional

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