Foto por Jason Evans

O Whyte Horses é um grupo de psych-pop que vem lá de Manchester, Reino Unido, e promete chamar cada vez mais atenção por aqui.

A banda lançou em Março deste ano seu segundo disco de estúdio, Empty Words, recebido muito bem pela crítica e pelos fãs. O álbum sucedeu Pop Or Not, disco de estreia lançado em 2016, que já mostrou logo de cara a que a banda veio.

A mente por trás do projeto é o inglês Dom Thomas, com quem batemos um papo bem legal recentemente. O cara falou do novo disco, planos futuros e ainda sua admiração pela música brasileira.

Confira abaixo!

TMDQA!: O release do seu álbum diz que ele é “uma ópera bombástica quase pop, o aficionado da música moderna em que os Whyte Horses, sem esforço, saqueiam técnicas tradicionais da música de todo o mundo e as transformam em seu próprio caráter inimitável.” Como vocês exatamente reuniram influências de todo o mundo e as aplicaram ao seu som?

Dom: Eu sempre fui um fã de música de todo o mundo, não da “world music”, que na Inglaterra é uma música sem gosto e descartável que seria tocada em restaurantes. O que me animava como colecionador de música eram músicas que tivessem uma sensibilidade semelhante, mas que pudessem vir de qualquer canto da Terra. Na França, no final dos anos 60, houve uma cena enorme que fundiu ideias de Pop Art com música; no Brasil você teve a Tropicália; na Alemanha a cena Krautrock como é agora conhecida; e na Turquia o movimento Anadolu Pop. Todos eles pareciam ter uma ligação comum que poderia ser música descartável estúpida, mas geralmente tinha uma maneira inteligente de ver o que estava acontecendo no mundo na época. Eu encontrava um artista e então uma porta seria aberta a partir daí, o que me levaria a uma música ou álbum ainda melhor. Eu passei tanto tempo ouvindo música antes de fazê-la, que ela se tornou uma biblioteca dentro do meu cérebro, que eu acho que filtra o melhor do que eu gosto em algo novo. Eu não sou classicamente treinado, tudo que eu já fiz veio de uma abordagem DIY, então as únicas regras ou modelos musicais são de discos que eu escutei, usando meus ouvidos para captar sons que eu gosto, em vez de serem contados ou lendo como você faria em uma abordagem mais clássica da música.

TMDQA!: A Psicodelia tem sido um gênero muito popular entre os fãs do rock and roll ultimamente, e bandas de todo o mundo têm criado músicas inspiradas nele. Temos o Tame Impala na Austrália, o Boogarins no Brasil e muitos, muitos mais. Como você se sente sobre a criação de músicas psicodélicas que não são as mesmas e que não soarão como se tivessem sido ouvidas antes?

Dom: É o que queremos fazer. Eu nem sei se o que fazemos é psicodélico, tem alguns desses elementos, mas eu acho que está em seu próprio caminho, longe dos sons ligeiramente mais antigos que se tornaram populares nos últimos anos. Nosso objetivo é fazer música que pareça familiar, mas que não tenha sido feita antes. Para mim, é o melhor truque para sentir como se conhecesse uma música assim que ela começar a tocar. Podemos usar certas guitarras, amplificadores, etc., que podem lembrar as pessoas de certos discos, mas acho que temos nosso próprio som. Não há muitas bandas falando sobre problemas sociais com lindas melodias e ótimas músicas. É algo que eu gostei de fazer no Empty Words. Quando esse tipo de assunto é cantado, é geralmente por um cara com uma bateria eletrônica e um sotaque regional ou uma vocalista feminina agressiva gritando na sua cara e tudo soa contemporâneo. Eu só quero fazer músicas que soem eternas.

TMDQA!: Nós tivemos dezenas de grandes bandas de psicodelia no Brasil nos anos 70 e muitas delas misturaram música popular brasileira com guitarras e efeitos. O que vocês sabem sobre o psych rock brasileiro e como isso influenciou o seu som?

Dom: Eu era obcecado com Os Mutantes, para mim eles foram a melhor banda. Eles eram completamente destemidos em sua abordagem à composição de músicas, permitindo que a música ditasse o arranjo, não tentando manter um estilo ou som. Eu amo o jeito que eles poderiam colocar uma balada suave ao lado de uma música de samba rock. Como compositor, acho importante estar sempre se questionando. Todos os melhores artistas estão procurando a verdade, não apenas uma maneira de preencher um álbum de músicas para tentar ganhar algum dinheiro. No advento da Tropicália, Gal Costa era uma guerreira até onde eu sei; seus dois álbuns seminais são quase perfeitos para mim. Há muitos artistas brasileiros para mencionar. As estruturas de acordes de Jorge Ben Jor foram as primeiras que aprendi em uma guitarra e sempre volto a essa simplicidade.

TMDQA!: Como você descreveria o som da banda para alguém que nunca ouviu o Whyte Horses antes?

Dom: Inspiradora e melancólica ao mesmo tempo. Músicas clássicas que durarão muito mais que a maioria dos nossos contemporâneos. Nós obviamente gostamos de guitarras, mas permitimos que cada música encontre o seu verdadeiro lugar, então, de fato, nosso som pode literalmente ser qualquer coisa.

TMDQA!: Quais são os planos para um futuro próximo na carreira de vocês? Vocês estão em turnê promovendo o novo álbum? Haverá shows no Brasil em breve?

Dom: Nós teremos um grande show no Royal Festival Hall no dia 13 de setembro com convidados especiais, como La Roux, The Go! Team e Melanie Pain, que será chamada de Why’re Horses Experience, o que significa que teremos uma estética de filmes e de “especiais de TV” para a noite. Somos muito seletivos sobre o local onde tocamos e ficamos felizes em decepcionar as pessoas se isso não nos animar. Queremos que cada show seja um evento. Seria um sonho tocar no Brasil, sinto que vou voltar satisfazer a minha obsessão. Tenho certeza que iremos logo.

TMDQA!: Nosso site se chama Tenho Mais Discos Que Amigos!. Você também tem? Quais discos em sua coleção são tão importantes quanto os seus amigos?

Dom: Eu definitivamente tenho mais discos que amigos, e eu tenho apenas 10 discos. Eu acho que é bom ter um pouco de amigos de verdade quando você chega a uma certa idade. Quando eu era colecionador, meus discos foram destruídos em uma inundação na minha casa, o que me deixou bastante passivo para colecionar e foi, na verdade, um ponto crucial na minha vida que me fez pensar em criar música e não apenas acumulá-la. Colecionadores de discos são pessoas muito chatas e acho melhor usar o conhecimento para criar algo novo. Se eu fosse escolher um disco importante que moldasse meus ouvidos e fosse minha bíblia musical, então ainda é o do The Stone Roses. Não há melhor disco para mim, foi trilha sonora da minha juventude e nunca me deixou.

Compartilhar