James Blake
Foto: Divulgação
 

No último sábado (30) o cantor James Blake foi um dos convidados do simpósio anual da Associação de Medicina nas Artes Performáticas.

Durante um painel sobre a crise de suicídios entre a comunidade artística, Blake falou abertamente sobre sua experiência com a depressão e como isso o afetou durante o início de sua carreira.

“Eu fui tirado da minha vida normal numa idade em que eu estava formado pela metade,” conta. James começou na música aos 20 anos, com o elogiado EP CMYK (2010), e seu álbum de estreia de 2011.

O músico também mencionou a impossibilidade de se abrir com outros artistas, nos ocasionais encontros que acontecem durante turnês, considerando sua idade à época em que deslanchou.

Quando você interage com outros artistas por breves períodos, vocês falam apenas das coisas boas. Nenhuma conversa envolve dizer sobre como você se sente ansioso e deprimido.

Sentimentos são uma base para as letras de James Blake, tanto que, em Maio, o cantor criticou o machismo contido no termo “sad boy”, defendendo que homens devem ter a liberdade de expressar o que sentem sem serem julgados.

James conta que durante as primeira turnês a nova rotina de alimentação também o afetou de maneira que piorou os sintomas da depressão.

Eu diria que o desequilíbrio químico devido à dieta e a danificação da minha saúde foi um grande fator na minha depressão e pensamentos suicidas. Desenvolvi intolerâncias [a comida] que me levaram à depressão existencial numa base diária. Eu comia alguma coisa e o resto do dia pensaria que aquilo não fazia sentido.

Blake contou no painel que encontrou o alívio na terapia com o método EMDR, muito utilizado em casos de transtorno de estresse pós-traumático e quadros depressivos, além de cortar laços com pessoas que promoviam um comportamento nada saudável.

A catarse veio quando aprendi a mandar os outros irem se foder. E dizer não. Não às turnês constantes. O dinheiro nunca vai ser suficiente.

Nós somos a geração que viu várias outras gerações de músicos se voltar para as drogas e aos excessos e mecanismos repetitivos que os destruíram. E tantas pessoas do alto escalão tiraram suas vidas recentemente. Então, eu acho, que nós temos responsabilidade de falar sobre isso e de acabar com o estigma.

Procure ajuda!

Se você passa por problemas de saúde mental e gostaria de procurar algum tipo de ajuda, conheça o trabalho do CVV – Centro de Valorização da Vida.

O CVV realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, e-mail e chat 24 horas todos os dias.

Para entrar em contato com eles, basta ligar 188.

 
 
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