A Gibson pediu falência e a guitarra morreu – ou não?

Ponderamos qual é a real situação de uma das marcas mais icônicas do planeta

Fábrica da Gibson
 

A Gibson declarou falência – ou é o que muitas manchetes repercutiram nos últimos meses.

Mas, palma, palma, não priemos cânico. Primeiro, a Gibson não faliu. Ela pediu pelo “chapter 11“, equivalente no Brasil à recuperação judicial. Ela vai vender outras divisões da companhia (em parte responsáveis pela crise da empresa), mudar a direção da marca e se comprometer a focar em (desculpe se parece óbvio) fazer guitarras.

Segundo, isso não é uma hecatombe. Situações similares já acometeram algumas das maiores marcas da história, e elas sobreviveram.

A Fender quase se extinguiu durante a gestão da CBS, que a comprou de Leo Fender em 1965. Foi salva pelos funcionários, que se uniram e compraram a marca em 85, e continua até hoje, como Fender Music Instruments Corporation (FMIC).

A Gretsch, uma marca de luxo nas décadas de 50 e 60, caiu em ostracismo após alguns anos depois de vendida pra marca de pianos Baldwin. Fred Gretsch III, herdeiro da família fundadora, comprou de volta a marca nos anos 90. Em seguida, fez um acordo com a Fender para a fabricação, marketing e distribuição das guitarras, que estão hoje mais em voga do que em qualquer outra era desde os anos 50.

Histórias similares aconteceram com a marca de amplificadores Vox, que teve um período soturno pós ter sido vendida pela dona original, a JMI, mas se recuperou após ser comprada pela Korg, e as guitarras Charvel, hoje de volta à ativa (dentro do portfolio da FMIC), mas que praticamente desapareceu ao fim da década de 90.

Outro ponto apontado como fator pra crise da Gibson e outras empresas da área (como a gigante do varejo musical, Guitar Center), foi a mudança do interesse musical nas últimas décadas, cada vez mais longe do som já clássico da guitarra elétrica.

Claro, o rock já não domina o mainstream – e o rock, desde a aparição dos Beatles no Ed Sullivan Show, é o melhor marketing da guitarra. Mas o estilo ainda lota shows mundo afora. Inspirou até a criação de uma escola especializada de sucesso, com 200 franquias em 10 países, uma até no Brasil. E bandas aspirantes do gênero e seus subgêneros lançam mais discos por mês do que seria humanamente possível contar.

Bandas ainda são formadas, e guitarras ainda vendem – só não vendem tanto.

Além disso, das crises econômicas, e dos softwares musicais que atraem muitos jovens aspirantes a músicos no lugar de um instrumento do século passado, um ângulo que poucos abordam é o mercado de usados. Uma guitarra bem cuidada dura décadas, e o mercado de instrumentos usados  – aquecido por sites de compra/venda/troca e grupos no Facebook e até WhatsApp, está cheio de modelos de todos os preços e estilos. Instrumentos feitos desde 1960 continuam competindo com os novos lançamentos nas grandes lojas, fazendo com que a indústria atual esteja competindo com seus próprios produtos.

Enquanto o futuro da marca Gibson ainda está em aberto, o futuro ainda promete. Junto da Fender, a Gibson é uma das marcas mais famosas de instrumentos do mundo. A força de um nome, de uma marca com esse peso não morre assim tão fácil. Muitos menos a força de um instrumento tão simbólico.

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