Harry Styles na Jeunesse Arena
 

O garoto cresceu.

Quatro anos depois de se apresentar no Rio de Janeiro com o One Direction, Harry Styles voltou à cidade para trazer a turnê de seu primeiro álbum solo, autointitulado e lançado em 2017. O show, com ingressos esgotados (apesar de alguns buracos na plateia), aconteceu na Jeunesse Arena, na Barra da Tijuca, e reuniu milhares de fãs do britânico de 24 anos.

Antes do astro da noite, os fãs puderam acompanhar a performance do cantor de soul gospel Leon Bridges. Enquanto o público chegava aos poucos, o americano aquecia a plateia com seus maiores sucessos, como “Coming Home” e “River”. Bastante aplaudido pelos fãs, Leon se despediu, após meia hora de show, causando boa impressão. Com a arena já bem cheia, no telão um cubo mágico, que ficava girando para encontrar seus lados de cores iguais, indicava que Harry estava prestes a subir no palco.

Quase pontualmente, às 20h02, o cantor surgiu com seu visual um tanto excêntrico, meio Elton John, meio David Bowie, provocando grande histeria no público, composto majoritariamente por meninas entre 12 e 16 anos. A música que abriu o repertório foi “Only Angel”, botando a galera para balançar o esqueleto. Ao final da execução da faixa, o público explodiu em gritos e aplausos, testando os tímpanos de todos os presentes.

Na sequência, veio a ótima “Woman”, quando os fãs soltaram diversos balões rosas pela plateia. A apresentação seguiu com “Ever Since New York” e “Two Ghosts”. Após “Carolina”, Harry, muito simpático, dedicou a próxima canção a uma menina de três anos que estava suspensa nas costas do seu pai, chamando a atenção do artista. Era “Stockholm Syndrome”, primeira canção do 1D a aparecer no setlist.

“Eu amo vocês, muito”, disse o cantor, em português. Com a plateia completamente nas mãos, Styles cantou “Just a Little Bit of your Heart”, composta para a diva pop Ariana Grande, a nova “Medicine” e “Meet Me in the Hallway”. Em “Sweet Creature”, a banda foi para o backstage e Harry atravessou uma passarela que dava no meio da arena, deixando mais próximo de seu ídolo aqueles que haviam comprado ingressos para setores mais distantes do palco. Neste momento, o público, emocionado, levantou cartazes com os dizeres “be a lover” e iluminou o local com lanternas de celular.

Harry continuou sozinho em “If I Could Fly”, outra canção do One Direction e que levou muitas garotas às lágrimas. De volta ao ao palco, junto com os músicos, o cantor entregou uma interpretação empolgada do recente single “Anna”. Em seguida, os fãs puderam relembrar um passado não tão distante com a execução da animada “What Makes You Beautiful”. Neste momento, Styles pegou a bandeira que representa a população LGBTQ, arremessada por alguém, e a prendeu no pedestal do microfone, para delírio dos fãs, que levaram muitas bandeiras iguais àquela para o show.

“Cidade maravilhosa, muito obrigado”, agradeceu o cantor, novamente em português. “Preciso pedir palmas para a minha equipe que faz tudo acontecer. E a cada um de vocês que veio me ver em meio às dificuldades”, continuou Harry, ciente do caos gerado pela paralisação dos caminhoneiros em todo o Brasil. “Se não fosse meu público comprando ingresso eu não poderia estar aqui. E eu não sei fazer outra coisa,” finalizou o galã, humildemente.

Para encerrar a apresentação antes do bis, às 21h18, Harry escolheu a catártica “Sign of the Times”, fazendo todos cantarem em lindo coro, sob luzes coloridas espalhadas por toda a arena, desde a pista até as arquibancadas. Durante o curto período em que o cantor saiu do palco, a plateia puxou “Isn’t She Lovely”, de Stevie Wonder, além de gritar “fora, Temer”, claro.

Na volta para o trecho final do show, Harry cantou a bela “From the Dining Table”, enquanto o público fazia (quase) absoluto silêncio. Pouco depois, o ex-One Direction apresentou a sua banda, formada por Mitch Rowland (guitarra), Adam Prendergast (baixo), Clare Ushima (teclados) e Sarah Jones (bateria). Mais tarde, Harry executou o cover de Fleetwood Mac, “The Chain”, e fechou sua passagem pelo RJ com a energia lá em cima com a roqueira “Kiwi”, que não deixou ninguém parado após 1h30 de apresentação.

Prestes a estrear um seriado na CBS baseado em sua vida e no qual é produtor, Harry Styles deu provas suficientes de que amadureceu artisticamente e que ainda vai dar bastante o que falar em carreira solo. E ele promete voltar para o país em breve. Que assim seja.

Setlist:

1. “Only Angel”
2. “Woman”
3. “Ever Since New York”
4. “Two Ghosts”
5. “Carolina”
6. “Stockholm Syndrome” (cover de One Direction)
7. “Just a Little Bit of Your Heart” (cover de Ariana Grande)
8. “Medicine”
9. “Meet Me in the Hallway”
10. “Sweet Creature”
11. “If I Could Fly” (cover de One Direction)
12. “Anna”
13. “What Makes You Beautiful” (cover de One Direction)
14. “Sign of the Times”

Bis:

15. “From the Dining Table”
16. “The Chain” (cover de Fleetwood Mac)
17. “Kiwi”