Acumulando milhões de plays com o single “No Roots”, Alice Merton é uma cidadã do mundo.

Ela nasceu em Frankfurt em 1993, filha de pai britânico e mãe alemã. Enquanto crescia, a profissão do seu pai primeiro levou a família a morar no Canadá, depois aos Estados Unidos e, finalmente, retornaram à Europa. Esses caminhos geraram o mega hit e fizeram muitas pessoas se identificarem com a questão de não saber onde as suas raízes realmente estão.

Atualmente em tour pela América do Norte com o Vance Joy e divulgando o single empoderador “Lash Out”, trocamos uma ideia com Alice por e-mail sobre seu trabalho, futuro e relação de discos e amigos.

TMDQA: “Lash Out” é ao mesmo tempo uma música de festa e uma espécie de hino de angústia. Como surgiu essa música? Você acredita que ser feliz hoje é uma arma poderosa?

Alice Merton: Eu já percebi uma temática no modo como componho que gosto de chamar “fazer músicas tristes soar felizes”. Escrevi essa com um produtor de Los Angeles. Odeio essas grandes sessões de composição, então sempre trabalho música a música com o produtor. Eu contei para ele da minha ideia e ele chegou com a linha de guitarra que nos moveu adiante. Queríamos fazer uma música sobre se opor contra a desigualdade e regras injustas. Em pouquíssimo tempo a música ficou pronta. E sim, acho que a alegria é uma arma poderosa que te move para trabalhar e viver com o dobro da força que você pensava ter.

TMDQA: Essa música casa com o sentimento de não-pertencimento que estava em “No Roots”. Você acha que essa é uma das razões que fizeram as pessoas se sentirem representadas por sua música?

Alice Merton: Nunca tinha pensado nisso… Acho que sim!

TMDQA: Muita coisa aconteceu desde o estouro de “No Roots”. Você ainda sente um pouco sem raízes?

Alice Merton: Ainda sinto que minha casa não está em um lugar. Estar viajando mais só intensificou isso.

TMDQA: Você tem mais discos que amigos? Tem algum disco que sempre foi especial para você?

Alice Merton: Sim! Tem um álbum chamado Stereotomy do The Alan Parsons Project que sempre vou ter perto de mim. Nós ouvíamos no carro, quando era mais nova, em viagens no Canadá. Sempre me fez sentir como se tivesse chegando em algum lugar, como se parte da minha casa estivesse naquele disco.