Roadie afina guitarra no backstage
Foto do roadie via Shutterstock
 

No dia de ontem, 01 de Maio, o Brasil todo celebrou o Dia do Trabalhador.

Além de um feriado que caiu na Terça e propiciou a boa e velha “emendada”, o dia também teve manifestações das mais diversas formas para refletir sobre a situação do trabalhador brasileiro em todo país.

Todos sabemos que o mundo da música é recheado de glamour, grandes apresentações e eventos gigantescos, e para que tudo isso aconteça, há muita gente trabalhando nas mais diferentes áreas dos bastidores, tanto de gravações em estúdio quanto de apresentações ao vivo.

Aproveitando a data que passou, nós conversamos com dois parceiros da Yamaha Musical do Brasil que fazem parte desse universo, e o primeiro deles é Marcos Vieira, que tem 30 anos de idade e é técnico/afinador de pianos.

Formado em música, ele começou a carreira dentro da própria Yamaha e fez cursos anuais na sede da empresa no Japão, se especializando e se tornando o principal profissional dessa área dentro da empresa.

Com uma função das mais difíceis e um ouvido apuradíssimo, ele exerce diversas atividades que vão de treinamentos para parceiros até a manutenção de pianos passando pelos trabalhos específicos de afinação, que podem durar até duas horas.

Marcos Vieira, técnico/afinador de pianos

Nós fizemos algumas perguntas para ele, que explicou:

TMDQA!: Como foram os primeiros passos para você começar a trabalhar com o que trabalha hoje?

Marcos Vieira: Uma coisa foi levando à outra. Minha formação inicial é em Música, sempre gostei de piano e tive a oportunidade de começar na parte técnica da Yamaha. Fiz diversos cursos e vou todo ano ao Japão para a Piano Technical Academy, um grande curso de formação e que passa por todas as etapas de especialização do instrumento, e desde então não parei mais.

TMDQA!: Quais são as suas maiores felicidades com o trabalho exerce hoje em dia na música?

Marcos Vieira: É muito gratificante trabalhar nessa área. É quase que um trabalho de cientista. No nosso trabalho, basicamente, ouvimos uma nota, intervalo ou o acorde e damos um “zoom” nela para localizar se há algum probleminha e, a partir daí, vamos solucionar. Talvez essa seja a nossa principal diferença em relação ao músico, que vê a coisa como um todo.

TMDQA!: E quais são as maiores dificuldades?

Marcos: No Brasil muita gente ainda compra piano, tanto pela paixão pela música e tanto pela exposição midiática do instrumento. Porém, temos pouquíssimos cursos. Antigamente a maioria dos técnicos se especializavam “na raça” ou com técnicos mais experientes, ou ainda iam para fora do país. Hoje com o YouTube e a Internet melhorou bastante, as pessoas que têm interesse conseguem obter mais informações (apesar de muitos conteúdos interessantes ainda estarem em inglês). Tem muita gente nova interessada. O problema mesmo é a falta de possibilidade desses cursos com um direcionamento mais técnico e estruturado.

TMDQA!: Que conselhos daria para quem quer viver do piano?

Marcos: Quem está começando tem que se interessar, nem que seja em casa, vendo vídeos e tendo contato com o piano. Além disso é muito importante ter contato com técnicos de piano capacitados, nem que seja para observar como o trabalho é feito. Se houver a chance de realizar um curso de formação na área com profissionais competentes e reconhecidos então, aí já é meio caminho andado.

 

Na estrada

Edson Pistão, roadie (último da esquerda para a direita)
Edson Pistão, roadie (último da esquerda para a direita)

Se o piano está muito ligado a grandes gravações e ao estúdio, outro lado importantíssimo da música acontece quando o artista cai na estrada.

Quem faz parte desse universo e está completamente ligado aos bastidores é o time de roadies de cada artista/banda, que tem como principal tarefa deixar tudo redondo para o momento em que o show acontece.

Quem trabalha com a Yamaha nesse sentido é Edson “Pistão”, que atua há 20 anos como roadie e ainda intercala seu trabalho com a vida de mecânico: não tem glamour. Tem que ser desapegado da vida social por conta das inúmeras viagens e trabalho intenso. É necessário estar bem antenado na área de som e principalmente tecnologia.

Edson ainda diz que o roadie é o “braço direito” do artista e tem que ser o primeiro a chegar e o último a sair dos shows.

Nós fizemos as mesmas perguntas para ele, para termos uma ideia desse outro lado da música, e ele respondeu:

TMDQA!: Como foram os primeiros passos para você começar a trabalhar com o que trabalha hoje?

Edson “Pistão”: Começou em 1998, pois um irmão e um amigo meu trabalhavam no Artmix e me convidaram pra ir lá. Eu fui sem ganhar nada, só pra conhecer. Aí o dono acabou me chamando para trabalhar lá e nunca mais saí dessa área. Meu primeiro dia de trabalho já foi na gravação da trilha do filme Central do Brasil. Depois segui como roadie e já trabalhei com artistas como Mauricio Manieri, CPM 22, Dead Fish e Tihuana.

TMDQA!: Quais são as suas maiores felicidades com o trabalho exerce hoje em dia na música?

Edson “Pistão”: Eu gosto muito das viagens, que são bem legais. Mas o mais gratificante mesmo é poder ajudar o artista. Eu costumo dizer que sou o braço direito do artista.

TMDQA!: E quais são as maiores dificuldades?

Edson: Aqui no Brasil o roadie não é muito valorizado. Um amigo meu era roadie do Motorhead e lá fora é diferente, os roadies ganham melhor e são mais valorizados, como ocorre na maioria das profissões ligadas à música.

TMDQA!: Que conselhos daria para quem quer viver de música, seja a área que for?

Edson: Eu posso comentar sobre a minha área, que não tem glamour. O fundamental é ser desapegado da vida social por conta das inúmeras viagens e do trabalho intenso. Também é necessário estar bem antenado na área de som e principalmente tecnologia.

Profissões da Música

E aí, que profissão da música você gostaria de exercer?

Em um dos episódios recentes do nosso Podcast, falamos sobre várias delas, e você pode ouvir tudo logo abaixo.

 
 
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