Judas Priest
Foto: Divulgação
 

Quando Richie Faulkner nasceu, a banda em que ele toca já tinha álbuns clássicos e arrastava multidões. Hoje ele é um dos responsáveis pela renovação dos espíritos, ambições e fôlego do grupo. Desde 2011 no Judas Priest, ele é um dos destaques do novo (e ótimo) álbum.

Em Firepower, os medalhões do heavy metal soam muito mais novos que muita banda de moleque. O disco foi produzido por Andy Sneap em parceria com Tom Allom, nome que assina alguns dos seus discos clássicos.

Conversamos por telefone com Faulkner sobre o novo disco e os novos planos do Priest.

TMDQA: Uma das coisas que mais gostei no novo álbum foi a sensação de frescor, de novidade. O que mantém o Priest inspirado durante tantos anos?

Richie Faulkner: Estou na banda há sete anos e já deu para aprender que o segredo é a paixão. Esses caras são apaixonados pelo que fazem e têm gosto de fazer novas coisas, por respeito ao público e a eles mesmos. E é curioso como dá para ver isso crescer no dia-a-dia. Eu acompanhei todo o processo desse álbum. Das primeiras ideias surgindo na turnê, o processo de composição, produção e gravação… E agora entregar isso para os fãs em turnê de novo. É um ciclo, sabe? Acho que é esse ciclo que mantém a banda forte.

TMDQA: Esse é seu segundo álbum com a banda. O que mudou das sessões do Redeemer of Souls para essas?

Richie: Olha, algo continuou o mesmo mas queríamos verdadeiramente mudar, fazer melhor. Nos desafiamos de propósito. Mudamos a produção e ensaiamos muito essas canções antes de gravar, isso trouxe um clima orgânico e enérgico. Você está ali interagindo com os outros músicos e mudando sempre. Estamos sentindo todo o processo até o fim, sabe?

TMDQA: No mundo do rock, quando algumas bandas conseguem sua cota de hits e fãs, ficam em uma zona de conforto. Mas vocês foram numa direção completamente diferente. Li uma entrevista onde você dizia que esse era um álbum que pensava no futuro…

Richie: Verdade! A gente não queria só fazer algo novo, queríamos um novo clássico.

TMDQA: Incrível! E você já sabe algo desse futuro que o álbum pensava?

Richie: Acho que o foco agora é a turnê e buscar novos lugares e novos fãs. E buscar novas inspirações para manter esse ciclo que comentei bastante firme.

TMDQA: Richie, quando você nasceu o Priest já estava forte na estrada e tinha lançado alguns de seus clássicos. Trabalhar com outra geração do rock é um desafio?

Richie: Sim e não. Eles sempre conseguiram manter um “tema” similar nas músicas, um certo sabor, quase um personagem. Quando comecei a tocar com eles, eu busquei capturar esse sentimento, essa vibe. Sempre que crio com eles é uma busca disso. É um desafio muito divertido. Fora que aprendo muito, é uma honra. Esses caras tão aí desde o começo do heavy metal e mantendo sempre um padrão de caráter e qualidade. Tenho muito respeito.

TMDQA: E como foi trabalhar com o Tom Allom? O cara é uma lenda viva!

Richie: O cara realmente é uma lenda! E foi fantástico. Não só pela experiência técnica do processo, mas ele tem histórias fantásticas para contar. Fora que era muito incrível ver o modo como ele, um cara das antigas, gravava os efeitos. Além dele, contamos com o Andy Sneap, que tem um olhar bem mais moderno. A soma dos dois foi bem bacana pois deu pra sentir que eles se complementaram e aprenderam um com o outro. Conseguimos nosso melhor com essa dupla.

TMDQA: O nome do nosso site é Tenho Mais Discos Que Amigos e isso tem muito a ver com esse sentimento de carinho que temos pela música. Você tem isso também? Tem algum disco em especial pelo qual você carrega um carinho especial?

Richie: Sim, tenho demais. Acho que seria roubar na brincadeira falar que é esse novo do Priest, né? (Risos) Eu estou realmente orgulhoso dele! E essa experiência do vinil, com a arte grande é tão boa. Eu estou revisitando muito essas memórias com música pois estou reconstruindo a coleção de discos que tinha na minha infância e acabei perdendo. Andei re-ouvindo vários discos e experimentando as memórias de novo, lendo as letras, descobrindo detalhes nas artes. Isso foi uma parte da minha formação como pessoa que ama música e estou feliz que as gerações mais novas estão redescobrindo essa paixão.

   
 
Compartilhar