Foto: Stephanie Hahne/TMDQA!
 

O pop punk pode ser um estilo nostálgico pra alguns, odiado por puristas do punk que reclamam demais da vida e pode até ter perdido a força comercial que tinha no começo da década passada, mas resiste de forma bem fiel para os fãs que continuam lotando pequenos clubes nas capitais do Brasil a fora.

Predominantemente representado por bandas da América do Norte e com nomes notáveis como blink-182, OffspringNew Found Glory e até o Green Day, o pop punk tem se renovado com o recente ganho de popularidade de novas bandas como Real FriendsState ChampsThe Story So Far e os britânicos do Neck Deep. O quinteto de galeses está desde o dia 31 de Março no nosso continente como parte da sua primeira turnê sul americana, com shows no Chile, Argentina e aqui no Brasil.

A banda passou pelo bairro da Lapa no Rio de Janeiro na quinta-feira (5) para tocar o primeiro show no Brasil no Teatro Odisséia com show de abertura dos paulistas da Dinamite Club, que também seguem representando o estilo com propriedade em São Paulo desde 2010 e serão responsáveis por abrir todas as datas do Neck Deep por aqui.

Já o segundo compromisso do grupo aqui foi na noite do sábado (8), em apresentação com os ingressos esgotados no Fabrique Club, na Barra Funda em São Paulo.
Por volta das 18h a fila já dava a volta no quarteirão para a entrada na casa de pequeno porte, com capacidade para 700 pessoas em média. O lugar, que tem uma mistura de estilo industrial e rústico ao mesmo tempo criou um ambiente legal para o show e os falantes da casa já animavam o público (que entre homens e mulheres, ia dos adolescentes fanáticos aos trintões com barba na cara) com uma sequência de bandas do gênero como All Time LowA Day To Remember.

O Dinamite Club abriu a noite entrando no palco e fazendo graça ao som de “Bum Bum Tan Tan” do MC Fioti pra surpresa (e alguns risos) do público presente. Um aviso na entrada da casa sinalizava que o quarteto iria gravar cenas para o clipe da faixa “Não Dá Pra Ganhar Todas” durante o show, música pertencente ao disco mais recente da banda, Nós Somos Tudo o Que Somos.

O que seguiu foi uma apresentação bem ensaiada de uma banda que fez a sua lição de casa para adaptar o gênero para o português e cantar canções que se relacionem com o dia-a-dia do público, os dramas de encarar o mundo real e a complexidade dos relacionamentos.

Com guitarras altas, acordes oitavados, riffs distorcidos e muita energia do criativo baterista Eric Patern, o Dinamite Club foi um bom anfitrião para os convidados da noite. A banda atualmente está fazendo uma campanha de crowdfunding através do Vakinha para ajudar nos custos do tratamento do guitarrista Leon Martinez, que está passando por tratamento contra um câncer e tocou com a banda na noite de sábado. Quem puder contribuir com a campanha encontra mais detalhes através desse link.

Com um certo atraso e casa cheia, um pouco antes das 21h o Neck Deep subiu ao palco para delírio dos fãs presentes. Assim que ouviram os primeiros acordes de “Happy Judgement Day”, iniciaram o protocolo esperado para um show de pop punk abrindo as primeiras rodas, com a casa inteira pulando e se empurrando e cantando mais alto que a banda. O guitarrista Matt West e o vocalista Ben Barlow, que nos disse gostar bastante de futebol em entrevista antes do show, usavam camisetas da seleção brasileira com o número 182 nas costas, e se mostravam os mais empolgados no palco, correspondendo à toda a energia que vinha do público.

A banda descarregou algumas músicas do disco Life’s Not Out To Get You, como “Lime St.” e “Gold Steps” e agradeceram ao público pela presença e por todos os comentários de “come to Brasil” que receberam ao longo dos anos (a barraca de merch do Neck Deep inclusive tinha camisetas com a estampa “Neck Deep – Come to Brasil”). Depois perguntaram quem ali já possuía o novo disco The Peace and The Panic e mandaram a faixa de abertura, “Motion Sickness”.

O nível de interação entre banda e público era realmente muito intenso, pois a ausência de seguranças entre a grade e o palco permitiu uma sequência sem fim de invasões ao palco para que a plateia pudesse pular de volta para a pista fazendo moshes, como a tradição de shows do gênero pede. O sobe e desce era tão intenso que os próprios roadies do grupo fizeram o papel de orientar a galera pra que não ficassem por muito tempo em cima do palco (muitas pessoas queriam tirar selfies e abraçar a banda por mais tempo que o necessário, teve gente que até subiu com pau de selfie). Algumas vezes um dos roadies ficava um pouco mais exaltado e empurrava os fãs de volta pra pista ou os levantavam e levavam pra fora do palco.

Foto: Stephanie Hahne/TMDQA!

Em um momento entre músicas o próprio vocal, Ben Barlow, teve que dar um recado pra plateia: “é muito legal quando vocês sobem aqui e fazem parte do show com a gente, mas por favor, não roubem nada do palco, tipo as palhetas. Precisamos delas.” Após a “bronca” bem humorada, o vocal ofereceu um tutorial sobre como dar mosh em segurança: “quando estiverem aqui em cima, pulem rápido de volta para a pista. Mas pulem, alguns de vocês estão só caindo pra baixo. E quem estiver na pista tem que segurar, ok?”.

Após os devidos procedimentos de segurança, a banda continuou alternando entre músicas dos seus dois últimos lançamentos, dedicou a faixa “Rock Bottom” ao produtor Jeremy McKinnon (A Day To Remember) e pediram para que o público abrisse um mini wall of death, dividindo a pista em dois antes de “Citizens of Earth”.

Durante a faixa “Don’t Wait” – que possui participação especial do vocalista do ArchitetsSam Carter – um fã chamado Kauê subiu ao palco e recebeu um microfone extra para cantar toda as partes do verso e do refrão que o vocal canta com os seus gritos rasgados. Não deu pra ouvir muito bem, o volume do microfone fazia ele parecer praticamente desligado, mas valeu pelo momento de improviso.

Foto: Stephanie Hahne/TMDQA!

Um dos momentos de maior cantoria do show veio com o single “In Bloom”, faixa mais melódica que Barlow nos contou momentos antes ser um pedido de desculpas à mãe e ao pai falecido “pelas coisas estupidas que fiz na vida”. O Neck Deep encerrou a primeira parte do set com as músicas “December” e “A Part Of Me”, e após uma breve saída do palco, aos gritos de “Olê, olê, Neck Deep, Neck Deep”, retornaram para o bis e mais 3 músicas de encerramento.

Da mesma forma que rolou no Rio de Janeiro, o público em uníssono pediu a música “Serpents”, e após uma mini-reunião da banda no palco, tocaram metade da faixa em uma afinação diferente, entre as músicas “Can’t Kick Up The Roots” e “Where Do We Go When We Go”. As canções encerraram de vez o set da banda que, sempre com muita energia, prometeu retornar ao país em breve.

Fãs felizes, banda satisfeita, a casa se esvaziou após o fim e o Neck Deep seguiu para mais dois compromissos no Brasil antes do fim de sua primeira turnê sul americana. A banda tocou em Curitiba no Basement Cultural nesse domingo (8 de Abril) e faz um show em Porto Alegre na Agulha na segunda-feira (9 de Abril).