Cecil Taylor, um dos maiores pianistas e inovadores do jazz, morre aos 89 anos

De formação clássica, o pianista revolucionou o gênero

Cecil Taylor
Foto: Wikimedia Commons
 

Cecil Taylor, pianista pioneiro da improvisação no jazz, faleceu aos 89 anos nesta última quinta-feira (05) em sua casa em Nova York.

Sua morte foi confirmada por seu tutor legal, Adam C. Wilner. A causa ainda não foi divulgada, mas amigos próximos ao músico disseram que ele passava por problemas de saúde havia algum tempo.

Taylor, nascido no bairro do Queens em Nova York, aprendeu a tocar piano aos seis anos e aprimorou sua técnica quando estudou no New York College of Music e no New England Conservatory de Boston, estimulado por sua mãe, que o encorajou a praticar seis dias por semana.

O pianista ganhou notoriedade ao liderar um quarteto de jazz com Steve Lacy, Buell Neidlinger e Dennis Charles. Ao longo de sua carreira, ele colaborou com grandes ícones do gênero como John ColtraneJimmy Lyons e Ornette Coleman.

Vindo de uma formação clássica, Taylor valorizava as várias influências que buscava em músicas europeias, quebrando as barreiras entre o jazz popular e o folk. O pianista, apesar de ser um dos mais importantes na história do jazz, não se limitava apenas a isso. Taylor conquistou seu sucesso nesta cena mas transcendia todos os gêneros e estilos musicais, não fazendo parte de apenas um nicho.

A grandiosidade de Taylor ultrapassava o som de seu piano. Em seus shows, ele recitava alguns poemas autorais expondo suas emoções e vulnerabilidade aos fãs. Muitos dizem que o ato complementava a sensibilidade de sua música e aproximava o público de sua arte.

Conhecido por adotar uma técnica de teclado rápida e percussiva, Taylor compôs músicas, liderou bandas e se apresentou em diversos clubes de jazz e festivais. No Brasil, Cecil passou pelo Free Jazz Festival em 1989 e pelo Tim Festival em 2007, onde em uma entrevista ao GLOBO, ele disse:

Quando o espírito chama e escolhe você, o que acontece depois é consequência natural. No meu caso, aos nove anos, minha mãe me levou ao Apollo Theater, e assisti ao incrível Chick Webb, que apresentava uma nova cantora, Ella Fitzgerald, que interpretou ‘A-tisket, a-tasket’.

Sua morte aconteceu apenas três semanas após seu colaborador Buell Neidlinger falecer aos 82 anos.

 
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