Conversamos com o The Neighbourhood sobre fãs brasileiros, show no Lolla e mais

Trocamos uma ideia rápida com Jesse Rutherford e Michael Margott horas antes da apresentação da banda no festival

Foto: Denis Ono/Lollapalooza
 

Foi impressionante assistir ao show do The Neighbourhood neste domingo (25) no Lollapalooza Brasil.

Não só a banda reuniu um público imenso — talvez o maior daquele horário em todos os dias do evento –, como também manteve todo mundo cantando, pulando, e alguns até chorando durante a uma hora em que dominou o palco. Grande parte dessa animação se deve ao vocalista Jesse Rutherford, que faz jus aos gritos ensandecidos de seus fãs com seu carisma e sua entrega do começo ao fim.

Conversamos um pouco com o cara e também com Michael Margott, baixista do The Neighbourhood, sobre a vinda ao Brasil, relação com os fãs e política. Confira!

TMDQA!: Vocês são muito populares no Brasil… (Nesse momento, um fã da banda se aproxima e diz “olá”. Os meninos respondem, mas pedem desculpas dizendo que estão fazendo uma entrevista).

Jesse Rutherford: Você estava certo, parece que somos mesmo populares no Brasil! (risos). Foi o timing perfeito. Ainda bem que eu contratei esse cara.

TMDQA!: (risos) Pois é! E vocês vão estar no palco em poucas horas. Estão animados?

Jesse Rutherford: (Olha o relógio.) Meu deus, é verdade! Sim, estamos animados! A última vez que viemos aqui, tivemos que sair rapidamente pra fazer um show na Colômbia. Passamos a maior parte do tempo no quarto do hotel.

TMDQA!: E dessa vez, por estarem em um festival, vocês vão conseguir aproveitar um pouco mais?

Jesse Rutherford: Sim, provavelmente vamos dar uma volta por aí depois do nosso show.

TMDQA!: No começo da sua carreira, vocês abriram alguns shows do Imagine Dragons, banda que tocou aqui ontem. Vocês são amigos? Deu pra se cruzarem aqui pelo Brasil?

Jesse Rutherford: Não conseguimos ver o show deles, infelizmente. Por estarmos em dias diferentes, foi difícil conciliar as agendas. Mesmo se fosse no mesmo dia, por causa da correria de festival, é difícil acompanhar tudo.

TMDQA!: Vamos falar do disco novo, The Neighbourhood. Como as plateias pelo mundo têm recebido as músicas novas, por enquanto? Vocês sentem uma resposta boa vindo do público?

Jesse Rutherford: Hum… acho que sim. Na maior parte do tempo tem sido ótimo. Nós lemos uma critica que não foi das melhores. Mas eu acho que só de sermos percebidos, é isso que importa. Ter alguém prestando atenção ao que você esta fazendo, no mundo em que vivemos, isso já é uma vitória. Então a gente já se sente honrado de termos a base fãs que temos, e é muito bom observar ela crescer. Parece que as pessoas estão curtindo, e nós estamos curtindo. Estamos animados de tocar as músicas novas.

TMDQA!: Falando um pouco mais sobre o mundo que vivemos… vocês sentiram uma mudança de cultura nos Estados Unidos, no aspecto mais amplo da expressão, com o presidente novo?

Jesse Rutherford: O fato de estarmos em uma banda, mesmo quando estávamos no início… eu acho que estar em uma banda não faz mais parte da cultura popular hoje em dia. Por causa das coisas que vemos e ouvimos em todo lugar, o tempo todo, e o que as massas consomem de conteúdo. E o fato de vivermos em Hollywood… às vezes você olha em volta e se pergunta “será que alguém aqui se importa com essa porra?” E na maior parte do tempo, eles não se importam. Mas aí a gente sai e vem em lugares como o Brasil, e isso é muito encorajador. Tem gente que se importa.

TMDQA!: Vocês sentem amor vindo do público?

Jesse Rutherford: Sim, é uma energia totalmente diferente. É ótimo.

Michael Margott: Eu acho que o importante é se manter verdadeiro com a sua arte. Do jeito que a política anda, é importante falar por nichos da sociedade que não têm voz. E a gente tenta fazer isso o máximo possível com a nossa música. Claro que nós somos cinco homens brancos, mas pelo menos as pessoas prestam atenção ao que dizemos. Então a gente vai continuar dessa forma. Porque quando há alguém como ele (Donald Trump) te representando… isso é broxante.

TMDQA!: Sobre a arte de vocês. Vocês estão sempre experimentando e misturando pop com rock, hip hop, música eletrônica… vocês acreditam que isso ajuda a unir o mercado da música e a conquistar novos públicos? E de onde vem essa urgência da banda de estar sempre se reinventando e buscando sons novos?

Jesse Rutherford: É só o que fizemos sempre. É engraçado porque… sim, eu sei que a gente mistura gêneros, mas, pra mim, sempre foi simplesmente escrever músicas. Eu tenho um background de pop, eu ouvia muito Justin Timberlake e 50 Cent. E os outros integrantes da banda gostam mais de rock clássico e músicas tradicionais. Então a gente aprendeu muito um com o outro e as nossas coisas foram saindo naturalmente. Pra mim, não é nada demais misturar gêneros. Especialmente porque, de uns anos pra cá, nós ficamos melhores nisso. Talvez no começo nossas misturas fossem um pouco mais óbvias. Hoje me parece tudo mais de bom gosto. Nunca é forçado. A gente nunca para e diz “meu deus, precisamos colocar uma parte de hip hop nesse rock que estamos compondo”. É natural, é o que fazemos.

 

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