St. Vincent em Madrid
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Você talvez a conheça pelo nome artístico, St. Vincent. E se você levou algum tempo pra entender que ela era uma artista solo, e não uma banda, não está sozinho.

Apesar do nome de Annie Clark aparecer na mídia mais associado ao lado fashion ou fofocas pessoais, ela está passando a ser reconhecida como uma grande guitarrista. Ex-aluna da renomada escola de música Berklee School of Music, nota-se uma influência do jazz mais ‘outside’ em dissonâncias características em seu repertório, bem como um vocabulário vasto de acordes e escalas fora do padrão pop/comercial.

Clark se destaca também por levadas rítmicas inusitadas — seus grooves nunca soam previsíveis. Chama a atenção o fato dela usar, boa parte do tempo, os dedos da mão direita ao invés de uma palheta. Helio Delmiro e Mark Knopfler (Dire Straits) são mestres nisso, mas a influência de St. Vincent para tal veio bem mais de perto: ela é sobrinha de Tuck Andress, um dos maiores nomes do fingerstyle (super-simplificando, é como chamam a técnica de se dedilhar o instrumento, ao invés de usar a tradicional palheta). Ver em primeira pessoa e aprender os arranjos complexos de seu tio deixaram uma marca indelével em seu jeito de tocar.

Outro traço presente em seu trabalho é o uso do fuzz. Ora criando ataques repentinos de guitarra com frases e bends esparsos, ora para simular o som de sintetizadores analógicos. 

Comprovando sua crescente popularidade nos círculos guitarrísticos, Annie Clark foi chamada pelo virtuoso Steve Vai para a última edição de sua Vai Academy, um curso intensivo que já contou com nomes diversos como Steve Morse, Carlos Alomar (David Bowie) e Yngwie Malmsteen.

Pra terminar, a renomada Music Man lançou um modelo assinatura para a artista. E não se trata de um modelo de linha com alguns leves ajustes (como é de praxe no mercado); mas sim, um modelo desenhado do zero (até onde isso é possível). O grande diferencial? Foi feito tendo o corpo feminino em mente — com o tamanho e o contorno sendo pensado pra mulheres guitarristas, a primeira vez que isso foi feito por uma grande marca em larga escala.

Se você nunca parou pra prestar atenção no trabalho dela, vale uma segunda ouvida, atenta, nem que seja só pelas guitarras geniais!

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