O Fast Forward inicia o ano, finalmente! E nesse embalo, vamos dar início a uma série de posts com dicas para facilitar a vida dos artistas, profissionais do mercado da música e amantes da primeira arte sobre o funcionamento desse mundo, principalmente no streaming.

olá, amantes da primeira arte

Quando falamos de música no digital, já há alguns anos, ouvimos as mesmas reclamações e comentários em diferentes ambientes – de mesas de bar a eventos de profissionais do mercado da música e bastidores de shows: “o faturamento acabou”, “não ganho mais dinheiro vendendo CD”, “streaming não remunera/não paga direito”, “não dá mais pra ganhar dinheiro com música”, “não creditam os autores”, “não é transparente”, “hoje em dia ninguém conhece bandas novas”, “não dá mais pra fazer sucesso na internet, é tudo algoritmo, você só ouve o que já conhece”, “só faz sucesso se viralizar, como viralizo?” etc.

striming ni riminiri

Mimimis à parte, não dá para ficar só reclamando, sem ter perspectivas de melhorias ou de soluções, ainda mais quando esse tipo de consumo só aumenta por essas bandas latino-americanas. Por isso, venho aqui compartilhar um pouquinho do que aprendi nesses anos colecionando aprendizados e reclamações que são quase memes (algumas já viraram, confesso).

 

 

1 – Comunique-se

Oi, menines, tutu pom?

Se você não é afeito ao uso das redes sociais e seu público, estranhamente, tem este mesmo hábito, tudo bem. Se as pessoas que você quer que ouçam a sua música, no entanto, passarem 6h por dia no celular, sendo 4h no Instagram, 2h no twitter enquanto ouvem 5h de música no Youtube, é importante estar nesses mesmos ambientes digitais de consumo, em proporções similares.

E não se trata apenas de subir o material nas plataformas ou fazer um vídeo ao vivo no Instagram e sair correndo: é importante manter uma ponte, estabelecer conexões firmes. Falar a mesma língua do seu público, trocar ideias, responder mensagens…

E o que isso tem a ver com streaming?

Por último e, talvez, mais importante: faça shows. Seja com pagamentos decentes ou nem tanto, fazer shows é essencial para espalhar seu som por aí, sem depender de algoritmos e outras variáveis do streaming. No fim, a vida digital e a “away from the keyboard” se complementam e se retroalimentam.

Sim, dá trabalho, mas é disso que estamos falando, certo? Arte como ofício. A razão pela qual um bom relacionamento e uma boa rede de pessoas é ainda mais importante nos tempos de consumo de música em ambientes digitais está no próximo passo.

2 – Relacione-se

A gente só torce para que a relação que você construa seja mais forte e duradoura que essa aí

Viver, de maneira geral, é sobre construir relações, mas vamos ao assunto: relacione-se. Construa pontes, faça bons e incríveis amigos – eles serão os seus primeiros fãs; circule no mercado, vá a shows, eventos do mercado da música, encontros, workshops e palestras. Ande por aí, circule!

Quanto você mais circula, mais você aumenta seus pontos de contato. E ainda: a frequência e a qualidade das trocas e contatos devem ser mantidos, porque assim as pessoas sabem que você existe, que é uma pessoa bacana e que está fazendo shows, que está “na ativa“, fazendo música e batalhando aí pra colocar o seu trabalho na rua. As relações que você construir e mantiver nesse caminho serão decisivas para o seu sucesso em potencial.

E o que isso tem a ver com streaming?

A curadoria das playlists das plataformas de streaming é feita por, adivinha quem? Isso mesmo, pessoas. E com uma rede de amigos bacanas, um bom relacionamento com pessoas do meio, fica mais fácil sair da bolha da amizade e construir uma fã-base que não seja uma conexão de primeiro grau sua. Ou seja: ver aquele cara do interior de um canto distante do mundo falando que ama o seu som, sem saber como ele descobriu. :)

3 – Siga o seu coração (mas nem tanto assim) <3

Entender quem você é, onde está e até onde quer ir, o que está disposto a fazer, por onde quer passar, onde deseja chegar. Entender quem você é e como se expressa musicalmente, compreender sua identidade musical, é essencial para que você faça música com sinceridade, e publique a música que você quer no mundo não a música que você acha que as pessoas querem no mundo.

E em se tratando de arte, não há nada de errado em beber direto das fontes que te inspiram e deixar isso claro no seu trabalho. O que não quer dizer plágio. Também não há nada de errado em ter “fases” na sua música, afinal, nem sempre ouvimos as mesmas coisas. Tem hora que a gente fica ouvindo só clássico: Led, Black Sabbath, Rolling Stones e produz uma sonzeira de peso; mas isso não impede que no momento em que estiver mais para John Mayer, Jason Mraz e Dave Mathews Band, a composição feita nessa fase esteja mais alinhada com umas boas guitarrinhas acústicas e um tiquinho assim de calmaria.

Claro, que se na sua lista de expectativas houver o item/meta “emplacar o hit do verão” é pouco provável que você consiga fazendo música instrumental e experimental. Por isso é bastante importante: ouça seu coração, mas nem tanto. Saiba pesar o que é “você” e o que é “mercado”.

O grande desafio é, justamente, equilibrar os desejos e identidade com as necessidades e as demandas externas, sempre com um mínimo de coesão. Do contrário, você (e todo mundo) pode se perder.

E o que isso tem a ver com streaming? 

Bem, sendo analítica: algoritmos e um bom acerto no público-alvo. Sendo emotiva: realização pessoal, respeitando os seus princípios e a você mesmo.

De que adianta emplacar um eletronejo se sua essência é Lady Gaga?

E aí, quais dicas mais você quer ver por aqui? Conta pra gente!

Até a próxima,