Erykah Badu no programa de Jimmy Fallon
Foto: Andrew Lipovsky/NBC
 

A cantora Erykah Badu está celebrando os 21 anos de aniversário do seu disco de estreia, Baduizm, lançado em 1997.

Para falar a respeito, ela deu uma entrevista ao pessoal da Vulture e por lá falou de forma bizarra a respeito de assuntos que fogem da música, como Adolf Hitler, por exemplo.

O tema começou quando ela falou sobre Louis Farrakhan, líder religioso acusado de racismo e de, inclusive, ter participado da morte de Malcolm X:

Eu fui para a Palestina e os jornalistas me perguntaram, ‘Você acredita em Louis Farrakhan? Você o segue?’ Claro que eu acredito. Eu sigo qualquer pessoa que tem lados positivos. Sozinho ele mudou metade da Nação do Islã para hábitos alimentares limpos, bons hábitos de vida e cuidado com as suas famílias. Ele tem defeitos – como qualquer homem – mas eu não sou responsável por isso. Eu disse que gostei do que ele já fez para muitos Americanos negros. Quero dizer, eu não sou Muçulmana, não sou Cristã, não sou nada; sou uma observadora que pode ver as coisas boas e as coisas ruins. Se você disser algo bom de alguém, as pessoas acham que isso significa que você escolheu um lado. Mas eu não escolho um lado, eu vejo todos os lados simultaneamente.

O repórter disse que essa característica é algo que poucas pessoas têm, e foi aí que ela citou o ditador nazista:

Não somos bons nisso e não tenho problemas com isso. Também não tenho problemas com o que eu disse sobre Louis Farrakhan. Mas não sou uma pessoa antissemita. Eu nem sabia o que era antissemita até eu ser chamada de uma. Sou humanista. Eu vejo o bem em todo mundo. Eu vi algo bom em Hitler.

Como é que é?

Sim, eu vi. Hitler foi um excelente pintor.

Não, não foi! E mesmo se tivesse sido, o que a habilidade dele como um pintor teria a ver com qualquer “bem” nele?

Okay, ele foi um pintor terrível. Coitado. Ele teve uma infância muito ruim. Isso significa que quando estou olhando para a minha filha, Mars, eu consigo imaginá-la na casa de outra pessoa sendo tratada muito mal, e o que isso poderia causar. Eu vejo coisas assim. Acho que é o meu lado de Peixes falando.

Eu estou aceitando perfeitamente que você possa estar em um plano moral mais elevado do que eu, mas eu acho que escolher o caminho de “Hitler já foi uma criança também” talvez transforme a ideia de empatia em uma abstração vazia.

Talvez. Não testa os meus limites – eu posso ver com clareza. Eu não me importo se o grupo todo diz algo, eu serei honesta. Eu sei que não tenho a opinião mais popular às vezes.

Mas você não acha que alguém tão ruim quando o Hitler, que fez o que fez, perdeu o direito da empatia de outras pessoas?

Por que eu não posso dizer o que estou dizendo? Porque ele fez todas essas coisas ruins?

Bem, sim. Mas também é triste ouvi-la dizendo isso em um período como o que vivemos quando o racismo e o antissemitismo são tão presentes. Por que você arriscaria colocar mais lenha nessa fogueira?

Você fez uma pergunta. Eu poderia ter optado por não responder. Eu não ando por aí pensando em Hitler ou Louis Farrakhan. Mas entendo o que você está dizendo: “Por que você arriscaria colocar mais lenha nessa fogueira?” Eu tenho uma plataforma e eu jamais iria querer machucar as pessoas. Eu nunca faria isso. Eu jamais imaginaria fazer isso. Eu jamais iria querer que um grupo de homens brancos que acreditam que a bandeira dos Confederados deve ser salva se sintam mal. É assim que eu funciono.

 

Erykah Badu ainda falou sobre Bill Cosby, ator acusado de uma série de abusos contra mulheres e o defendeu dizendo que “ele fez coisas ótimas pelo mundo” e alegando que “ele está doente e pessoas doentes fazem coisas ruins”.

Você pode ler a entrevista por aqui.

 

 
 
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