Conversamos com Ian Gillan: “Quem vai definir o legado do Deep Purple será o público”

Prestes a voltar ao Brasil, tivemos uma honesta e bem-humorada conversa com o vocalista da lendária banda

Deep Purple
 

Nos últimos anos, o Deep Purple foi uma das bandas estrangeiras mais presentes nos palcos brasileiros. Os veteranos ingleses, pioneiros no hard rock, têm uma relação de amor clara com os fãs daqui. E isso ficou claro na conversa que tivemos por telefone com o bem-humorado vocalista Ian Gillan.

Dono de uma das vozes mais famosas do rock e de uma carreira realmente invejável, Ian demonstra muita empolgação para essa nova vinda na que pode ser a tour de despedida da banda. O Deep Purple se apresenta em Curitiba (12/12), em São Paulo (13/12) e Rio de Janeiro (15/12) dentro do evento Solid Rock, ao lado de Cheap Trick e Tesla.

Confira nossa conversa abaixo:

TMDQA!: Olá, Ian! Uma honra conversar com você! Obrigado pelo seu tempo.

Ian Gillan: Eu que agradeço.

TMDQA!: Nos últimos anos, o Deep Purple tocou algumas vezes no Brasil. Alguns fãs até brincam que vocês já poderiam ter uma casa por aqui. O que atrai mais vocês no Brasil e no seu público por aqui?

Ian Gillan: Olha, eu não sei descrever direito. É algo além do fã apaixonado, é algo… maior. O que sinto no Brasil é especial. É algo que eu senti em pouquíssimos lugares do mundo. Lembro de sentir algo parecido quando estivemos em Beirute pela primeira vez. É uma cultura única, com ritmo no ar. Quando você chega aí no Brasil parece que o ar é diferente, tem música no ar. Isso anima muito a gente a voltar. Isso, somado ao comprometimento gigante do nosso público daí e aos welcome drinks com limão muito fortes que sempre nos dão (Risos). Pena que acho que não aguento mais! Sempre gostamos de estar no Brasil e estamos muito felizes por voltar.

TMDQA!: Eu li alguns artigos dizendo que essa pode ser a última grande tour da banda. Isso deixou os fãs ao mesmo tempo ansiosos e meio desesperados. O que eles podem esperar desses shows?

Ian Gillan: Eu odeio dizer isso, pois parece preguiçoso, mas… o mesmo de sempre. Mas o que é isso? Bem, são dois elementos que gostamos de unir: velharias, ou seja, as faixas que os fãs querem ouvir, e materiais obscuros que muitas vezes nem temos noção do que é até a hora do show. Fora que incluímos faixas recentes, dos dois últimos álbuns. Mas sabe, ao vivo, o que mais me mexe, o que é mais importante é a improvisação, seja nos solos, no modo como entregamos essas músicas, sabe? Muitas vezes, nessas turnês, tocamos as mesmas músicas muitas vezes e temos que manter aquilo vivo e fresco em respeito ao público que está ali ouvindo essas faixas pela primeira vez.

Isso da improvisação é tão importante, que costumo pensar que o Deep Purple é uma banda instrumental… (pausa) Isso é algo estranho de se ouvir do vocalista da banda, né? (Risos). Mas o poder do som da banda vem dali, sabe? Esses dias mesmo, fizemos dois shows com o mesmo setlist em cidades na Alemanha. Um teve mais ou menos 1h40 e o outro mais de 2h. E com as mesmas músicas. Gosto muito disso.

TMDQA!: Na semana passada vocês lançaram um primeiro volume de gravações ao vivo da tour do Infinite. Como vai ser esse projeto? Já tem outros volumes por vir?

Ian Gillan: Olha, para ser sincero, eu não tenho ideia! (Risos) Eu não ouço essas gravações, eu não gosto. Gosto do palco, mas não de reviver aqui. Nem o Made In Japan (icônico álbum de 1972). Quando saio da tour, gosto de pensar em outras coisas que não são ela. Falo de futebol, de política, de filmes. Não tenho interesse mesmo. Penso sempre na próxima coisa.

TMDQA!: Muito bom isso! Ainda mais pensando que ano que vem a banda completa 50 anos! Isso é meio século de música! Antes de tudo, parabéns!

Ian Gillan: Obrigado!

TMDQA!: Depois de tudo que vocês passaram, como você vê o legado da banda?

Ian Gillan: Tá aí outra pergunta que não sei. Para ser honesto, sei que como todo músico, somos meio egoístas. Queremos que as pessoas gostem da gente, mas pensamos antes em nós mesmos. No que gostamos. Sempre achei que é isso que importa. Que no final, não importa o que fizermos. Tudo vai sumir um dia. Talvez o que se destaque da nossa obra para fãs e músicos futuros seja algo que não estávamos pensando.

Às vezes me perguntam qual é a minha música favorita do Deep Purple e sinto que esperam alguma resposta, algum clássico… E isso muda todo dia. Tem vezes que respondo alguma música anterior ao Deep Purple ou da minha época do (Black) Sabbath, só de brincadeira (Risos).

Acho que nosso legado muda todos os dias. Quem vai definir o legado vai ser quem veio depois de nós, o público, outros músicos e vocês, jornalistas. Nosso destino não está nas nossas mãos.

TMDQA!: O nome do nosso site é Tenho Mais Discos Que Amigos. E sinto que para muitos fãs de vocês, os seus álbuns são amigos. Você tem algum disco favorito ou isso também muda todo dia?

Ian Gillan: Muda todo dia! (Risos) Depende do humor, se estamos tocando alguma faixa obscura de algum disco ao vivo. Teve uma vez, no Japão, que me perguntaram isso duas vezes no mesmo dia e disse álbuns diferentes. Mas não tava mentindo. Era o meu favorito naquele momento. Se tivesse que falar um, agora, seria o Deep Purple in Rock (1970). Mas pra mim isso é tão difícil… Acho que é por isso que gosto tanto de rádio. É só ligar lá que eles escolhem as músicas para mim! (Risos)

Deep Purple no Brasil

Você pode encontrar ingressos para a turnê Solid Rock, com Deep Purple, Cheap Trick e Tesla, clicando aqui.

As bandas tocam em Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro em Dezembro.

Comentários