Deserto
Foto: Divulgação
 

Um grupo de pessoas é cercado e atacado gratuitamente por um perseguidor implacável. Essa premissa poderia sair de um filme slasher de terror a la Jason, mas ela é ressignificada no filme mexicano “Deserto”, que está aos cinemas de Brasília, Salvador, Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro.

No filme, Gael Garcia Bernal (Mozart in the Jungle, Diários de Motocicleta) vive um imigrante mexicano que foi deportado dos Estados Unidos e tenta voltar para sua família por uma perigosa passagem no deserto. Lá ele cruza caminho com um psicopata louco vivido por Jeffrey Dean Morgan (o Negan, de The Walking Dead), que patrulha por sua própria conta a fronteira e se diverte em sua caça aos imigrantes.

“Deserto”, lançado em festivais dois anos atrás e selecionado pelo México como candidato ao Oscar nesse ano, é o segundo longa dirigido por Jonás Cuarón, filho do cineasta Alfonso Cuarón indicado ao Oscar pelo roteiro de “Gravidade”. O projeto, rodado em condições complexas no sul da Califórnia, é muito ousado para um diretor com tão pouca experiência nas mãos. A sorte é o casting ótimo que trouxe dois atores que funcionam muito bem nos papéis principais.

Assim como no filme espacial que escreveu, Jonás parece se divertir em apresentar para o espectadores só o necessário de pistas para que saibam como os personagens devem guiar em direção da sobrevivência – seja contra um caçador psicopata e seu cachorro rastreador ou contra os destroços da nave.

Um dos aspectos mais interessantes de “Gravidade”, o uso do som – ou a falta dele – é um destaque também nesse filme. O uso narrativo do som para criar a tensão foi muito bem pensado e faz o filme ganhar muitos pontos de ritmo.

Apesar da temática tão forte nessa era Trump, o filme opta mais pelo choque do que pela reflexão. Nas pouco mais que uma hora e vinte do filme, o espectador presencia mais ação do que diálogo. Mais impacto do que representação real. Em algumas horas lembra muito o filme “Encurralado”, de Steven Spielberg e seu veículo assassino.

E não entenda isso como um demérito do filme, um dos louvores é superar o clima caricaturesco e levemente clichê que alguns personagens sugerem e suas motivações nem sempre serem claras, para se mostrar como um ótimo thriller de suspense que vai render calorosas discussões depois que você sair da sala.