Conversamos com a Leah Shapiro (BRMC) sobre o novo disco da banda, seu amor pelo público da América do Sul e mais

O Black Rebel Motorcycle Club lança "Wrong Creatures" no dia 12 de Janeiro de 2018

Black Rebel Motorcycle Club
Foto: Reprodução/Vimeo
 

Em 2016, tivemos a oportunidade de conversar com o vocalista e guitarrista do Black Rebel Motorcycle Club, Peter Hayes, antes da banda subir ao palco para o show em São Paulo (leia a resenha aqui).

Agora, poucos meses antes da banda lançar seu oitavo álbum de estúdio, intitulado Wrong Creatures, batemos um papo por telefone com a simpática baterista Leah Shapiro, que nos falou sobre o processo de criação do disco, o que mais gosta sobre a plateia Sul-Americana e mais. Leia abaixo!

TMDQA!: Olá, Leah! Obrigada por falar conosco! Como vai?

Leah Shapiro: Estou bem! E você?

TMDQA!: Estou bem, obrigada! Então, tivemos a chance de conferir o Wrong Creatures e o disco está incrível! Conte-nos um pouco sobre o processo de gravação.

Leah: Primeiramente, obrigada! O processo de gravação e criação foi um pouco diferente. Geralmente a gente começa a compôr em nosso estúdio de ensaios quando as músicas estão em uma certa fase, com baixo, bateria e arranjos, daí vamos ao estúdio e gravamos. Mas por termos feito algumas turnês, isso meio que quebrou o processo de gravação, então gravamos as músicas em fragmentos, divididas em duas partes.

As baterias foram gravadas no Sunset Sound. Obviamente é muito caro gravar em um estúdio como aquele, então tentamos gravar algumas coisas, como guitarras e vocais, em casa. Tínhamos equipamentos para fazer isso, então não precisávamos trabalhar contra o relógio, sabe, cada vez que o tempo passa é um dinheiro a mais que vai sendo gasto.

TMDQA!: O processo fica mais livre.

Leah: É, você não tem aquela pressão de estar em um estúdio. Você pode explorar novos caminhos que talvez sejam ruins, mas tudo bem! (risos). Mas a bateria foi necessária ter sido em um bom estúdio, para conseguir o som que você quer do instrumento, então eu tenho que estar muito bem preparada antes de gravar as baterias; esse é o estágio onde fico mais estressada porque sou muito específica com o sentimento quero colocar em cada música, e isso faz uma diferença para os dois (Robert Levon Been e Peter Hayes) criarem camadas e a música que está sendo gravada. Você tem de ter uma boa base para a música.

TMDQA!: Sim. Esse disco é bem cru e mais pesado se comparado ao Specter at the Feast. Essa era a direção que vocês queriam seguir ou saiu naturalmente?

Leah: Saiu naturalmente. Não somos o tipo de banda que sentamos para fazer um disco, talvez um dia ou dois (risos), mas não temos um conceito de onde queremos seguir. Geralmente a música se desenvolve naturalmente e, em certo ponto, não gostamos de avançar muito; deixamos a música guiar o caminho, sem egos ou opiniões pelo caminho, dessa forma a música pode ser o que ela quiser.

TMDQA!: Acho que é melhor assim.

Leah: Sim! Acho que a vida no geral é assim. Você pode fazer os melhores planos, mas nem sempre vai acontecer do jeito que gostaria (risos), pelo menos para mim. Eu tento não ter muitos planos, funciona melhor.

TMDQA!: Vocês haviam tocado algumas músicas ao vivo, como “Bandung Hum”, “Ordinary Boy” – que foi até disponibilizada uma versão demo – e “Hunt”. Por quê apenas “Hunt”, que é uma das melhores do disco na minha opinião, acabou entrando?

Leah: Bem, nós também gravamos “Bandung Hum”, mas a única coisa que posso dizer por enquanto é que também vamos usar essa música em um contexto diferente, mas ainda sim relacionado ao disco. É o que eu posso dizer por ora.

TMDQA!: É segredo por enquanto!

Leah: Sim (risos), mas vamos tocá-la na turnê.

TMDQA!: Legal, a música é muito boa!
Os Estados Unidos está passando por uma grande crise política e social agora, com nazistas andando pelas ruas e tiroteios em massa acontecendo o tempo todo. Essa situação afetou as letras ou a forma como vocês fazem música?

Leah: O Rob e o Pete são os responsáveis pelas letras. Tudo que está acontecendo em nossas vidas ou no ambiente em que você está, politicamente ou não, eu diria que te afeta de uma forma ou de outra. Só penso que existem meios diferentes de você incorporar isso nas letras. Algumas pessoas são bem diretas, mas o Rob e o Pete tendem a serem mais abstratos quando escrevem sobre certos tópicos.

TMDQA!: Você fez uma cirurgia no cérebro em 2014 e felizmente teve uma recuperação perfeita. Tudo isso que você teve de lidar mudou sua forma de contribuir nesse disco?

Leah: Ah, mudou muita coisa. A apreciação que tenho pelo fato de poder continuar fazendo isso. Teve um impacto muito forte em mim na maneira de sabe… quando eu comecei a tocar, aos 20 e poucos anos, ainda tinha aquela mentalidade de ser fisicamente invencível e isso pegou muito para mim. Fiquei muito mais ciente das minhas limitações, tentei cuidar mais de mim, foi algo que tive de fazer. Mas é, é mais estar agradecida pelo fato de poder continuar fazendo o que é o meu ganha pão, que as pessoas ainda estejam interessadas em ouvir a gente, mesmo que já tenha passado um tempo razoável desde que lançamos um disco (O Specter at the Feast foi lançado em 2013). Tenho muita sorte.

TMDQA!: Como você compara o Wrong Creatures aos discos antigos do Black Rebel Motorcycle Club, especialmente os que você participou? O processo de criação evoluiu desde então?

Leah: Quanto ao processo criativo… Acho que o Specter at the Feast e este disco foram de alguma forma semelhantes, no sentido de que passamos bastante tempo no estúdio de ensaios tocando-as bem alto até formarmos as músicas e irmos para o estúdio gravar. Mas com o Beat the Devil’s Tattoo, que foi o meu primeiro disco com a banda, na época eu provavelmente estava mais focada em deixar o Rob e o Pete liderarem mais porque ainda estava tentando descobrir como iria me encaixar nesta banda e ter uma identidade com eles porque os dois trabalham juntos há muito tempo, tive que me encontrar dentro disso.

Após o lançamento do Beat the Devil’s Tattoo e com o tempo que ficamos em turnê, eu fui ficando mais confortável e inserindo minha personalidade nas composições e no jeito que a bateria seria tocada. Mas ao mesmo tempo, tudo o que o Michael [Been, pai do Robert e ex-engenheiro de som do BRMC, que faleceu em 2010] me ensinou eu vou levar para a vida inteira. Essa voz ainda ecoa na minha cabeça.

TMDQA!: Em 2016 vocês tocaram no Brasil e foi um ótimo show! Você tem alguma boa lembrança dele? Vocês pretendem voltar na próxima turnê?

Leah: Sim, eu lembro do show. Você está se referindo ao nosso show, certo?

TMDQA!: Sim!

Leah: Sim, eu lembro dele, e esse show foi o catalista para que os outros shows na América do Sul acontecessem. Eu amo tocar na América do Sul. Ponto final. Acabei de falar com uma pessoa do Chile antes desta entrevista. Há algo muito especial no público da América do Sul.

TMDQA!: A gente responde muito bem às músicas.

Leah: Sim! As pessoas são bem apaixonadas e não tem medo de se soltarem e serem livres. E não necessariamente você vê isso em outros lugares do mundo. Às vezes você vai a outras cidades ou países e parece que as pessoas são, não sei se reprimidas é a palavra, mas parece que elas têm medo de se deixarem levar.

TMDQA!: É, deve ser horrível tocar uma música tipo “Whatever Happened to My Rock n’ Roll” com o público só olhando para vocês ao invés de pular e curtir.

Leah: (Risos) Sim! Às vezes pode ser porque a pessoa quer realmente escutar a música e isso também é ok, também uma boa forma de absorvê-la.

TMDQA!: Sim, mas com “Whatever Happened to My Rock n’ Roll” você precisa pular, empurrar as pessoas e coisas assim (risos).

Leah: É verdade. Para mim, os shows ao vivo são onde a energia de todos no lugar, incluindo a banda, guia a música e como ela é tocada, isso pode ter um grande impacto em como elas são tocadas. A gente não toca as músicas sempre da mesma forma como são no disco em todas as noites, então a energia do público certamente pode mudar algumas coisas na performance e para mim isso é bastante marcante, que as pessoas que às vezes não tem nada em comum estejam juntas pela música, é maravilhoso que a música tenha esse poder e essa conexão maravilhosa. E também quando eu vou a shows e estou no público eu realmente presto atenção nisso e essa é magia da música ao vivo.

TMDQA!: Sim, acho que uma das melhores experiências que uma pessoa pode ter é ir em um show de uma banda que gosta muito.

Leah: Sim, é maravilhoso com certeza (risos).

TMDQA!: Então, Leah, a última pergunta vai ser um pouco engraçada, mas você vai entender: como você sabe, o nome do nosso site é Tenho Mais Discos que Amigos, que passando para o inglês fica I Have More Records Than Friends. Tendo isso em mente, eu te pergunto: você tem mais discos que amigos?

Leah: Se eu tenho mais discos que amigos? Sem dúvida! (risos)

TMDQA!: Antes de terminar nossa conversa, você poderia dar um oi pra galera aqui no Brasil?

Leah: Claro! Eu realmente espero que a gente possa tocar em seu lindo país no próximo ano quando o disco sair e espero que gostem dele. Eu quero MUITO fazer outra turnê pela América do Sul, então espero conseguir voltar o mais rápido possível.

Wrong Creatures sai no dia 12 de Janeiro de 2018.

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