Lenine encerra a turnê “Carbono” com show catártico no RJ

Cantor pernambucano fechou a turnê de seu último disco, "Carbono", de 2015, ao se apresentar no palco do Circo Voador, na Lapa

Lenine no Rio de Janeiro
Foto: Kaline Lyrio
 

Uma grande celebração.

Assim pode ser definido o show de encerramento da turnê Carbono, de Lenine, no Rio de Janeiro, no último sábado (7), com ingressos esgotados. E o local escolhido para fechar a excursão do disco lançado em 2015 foi o tradicional Circo Voador, na Lapa.

Enquanto o cantor pernambucano se preparava para uma de suas melhores apresentações na Cidade Maravilhosa, a banda de seu guitarrista, JR Tostoi, e baixista, Guilherme Muniz, a Vulgue Tostoi, teve a missão, por cerca de meia hora, de aquecer o público para a atração principal. O grupo, que traz no vocal Marcelo H, começou seu show pouco depois de 23h, animando a plateia com suas potentes canções, como “Ela Pediu Paz” e “Impaciência”.

Quando o relógio marcava 00h32, Lenine surgiu em cena, causando grande furor na plateia. Além dos já citados Tostoi (guitarra) e Muniz (baixo), a banda de Lenine é completada por seu filho Bruno Giorgi (guitarra e bandolim) e Pantico Rocha (bateria).

Para abrir a apresentação, o cantor e compositor de 58 anos optou por “Castanho”, faixa presente em Carbono. Na sequência, após “O Impossível Vem pra Ficar”, Lenine parou para saudar o público. “Boa noite. O negócio está pegando fogo”, disse ele, tirando a camisa xadrez que estava por cima de sua camiseta. “Sejam bem-vindos. Nós estamos nos despedindo do ‘Carbono’ hoje”, completou.

O show continuou quente com “Na Pressão”, “Martelo Bigorna”, “Cupim de Ferro” e “À Meia Noite dos Tambores Silenciosos”. Mais tarde, após cantar “Rua da Passagem”, Lenine anunciou que receberia um convidado. “É uma honra dividir o palco com ele”, começou. “O ‘Carbono’ rendeu muitas parcerias e esta é uma delas”, adicionou o cantor.

O astro da noite então chamou seu outro filho João Cavalcanti, mais conhecido como vocalista do Casuarina. Juntos, os dois cantaram “A Causa e o Pó”, música composta por Lenine e João. Ao final da canção, pai e filho se abraçaram fraternalmente, em gesto bonito de se ver.

“Simples Assim” foi a música seguinte no repertório e, sendo uma das mais populares do Carbono, emocionou os fãs. Pouco depois, em “Leão do Norte”, todos os integrantes da banda se posicionaram ao redor do baterista, provando a unidade e integração da banda de Lenine ao vivo. Em seguida, ao final de “Quede Água?”, os fãs puxaram um forte coro de “Lenine, Lenine, Lenine”. Restou ao cantor, emocionado, agradecer com sorriso largo no rosto.

Ele então perguntou: “Está tudo certo? Vocês estão curtindo? Está tudo tão lindo”, elogiou Lenine, antes de emendar em “Envergo, Mas Não Quebro”. Depois de “Se Não For Amor, Eu Cegue”, o cantor revelou que a apresentação se encaminhava para o fim. “A gente está chegando no final”, disse, provocando lamentação na plateia. “Calma que estou só preparando vocês. A gente já passou do meio faz tempo”, brincou Lenine sobre a duração do show, fazendo os fãs rirem. O setlist teve continuação com “Chão”, música que dá título ao álbum anterior de Lenine, de 2011.

Já a suingada “Jack Soul Brasileiro” marcou o ponto alto do show, quando a energia trocada entre público e artista atingiu uma conexão absurda. O resultado foi uma prolongada saraivada de palmas após a execução do hit. Antes de “Alzira e a Torre”, Lenine resolveu falar sobre o triste período da política nacional e também criticou a censura à arte, que, logicamente, deveria ter o direito de ser uma expressão livre. O cantor também convidou ao palco o músico Bernardo Pimentel, para assumir, provisoriamente, a função no baixo.

Às 2h05, Lenine e sua banda deixaram o palco para retornar com o bis. A parte derradeira do show foi aberta pela contagiante “Hoje Eu Quero Sair Só” e a comovente “Paciência”. O cantor ainda aproveitou para agradecer ao Circo Voador por possibilitar aquele momento único da turnê, fora os agradecimentos aos músicos que o acompanham, à toda a equipe técnica e, claro, aos seus fãs devotados, que estavam tornando o espetáculo tão especial.

Na sequência, Lenine, bem humorado, falou: “Agora vai uma para encerrar e vocês irem embora”. O cantor repetiu “Castanho”, música que abriu a apresentação, mas nem por isso os fãs reagiram com menos empolgação. Diante de tamanha receptividade, Lenine se despediu da plateia, que não queria ir para casa, mesmo que já fosse quase 2h30, com carinho e gratidão, demorando um bocado para conseguir deixar o palco. Bela imagem para fechar a turnê que tanto deu certo.

Setlist:

1. “Castanho”
2. “O Impossível Vem pra Ficar”
3. “Na Pressão”
4. “Martelo Bigorna”
5. “Cupim de Ferro”
6. “À Meia Noite dos Tambores Silenciosos”
7. “Quem Leva a Vida Sou Eu”
8.”Rua da Passagem”

9. “A Causa e o Pó”
10. “Simples Assim”
11. “Magra”
12. “Leão do Norte”
13. “Quede Água?”
14. “Envergo, Mas Não Quebro”
15. “Se Não For Amor, Eu Cegue”
16. “Chão”
17. “Jack Soul Brasileiro”
18. “Candeeiro Encantado”
19. “Do It”
20. “Alzira e o Torre”

Bis:

21. “Hoje Eu Quero Sair Só”
22. “Paciência”
23. “Castanho”

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