Wolf Alice - Visions of a Life
 

Junho de 2015, data de lançamento do álbum My Love is Cool, foi o momento mais glorioso da banda Wolf Alice… até agora. Isso porque Visions Of A Life, segundo álbum de estúdio do grupo, foi lançado na última sexta, e supera quaisquer expectativas.

Quem olhasse para a banda em 2016, ano em que concorreu ao Grammy de Melhor Performance de Rock, via na banda uma zebra. A faixa “Moaning Lisa Smile”, do álbum de estreia, disputava o prêmio com alguns nomes fortes. Perderam, mas não seria por ali que a banda ficaria.

A Wolf Alice surgiu efetivamente em 2010, quando a vocalista Ellie Rowsell e o guitarrista Joff Oddie formavam uma dupla acústica mais puxada para o folk. Grande foi o caminho percorrido até que a banda se concretizasse como um grupo de rock, a partir de 2012. Dali em diante, dois EPs foram lançados até que surgisse o aclamado My Love is Cool, que colocou a banda nos olhares do público alternativo britânico.

Visions of a Life mostra que o grupo não foi chamado em vão de “salvadores do grunge”. Claro, não é o mesmo grunge que se popularizou na década no final da década de 80. Mas algo nas músicas da banda deixa clara a atitude que classificou o estilo naquela época. Algo que dialoga entre o drive das guitarras até a voz exuberante de Ellie.

 

As faixas

Logo de cara, já somos apresentados à serena e forte “Heavenward”. Não é exatamente uma faixa de introdução. No entanto, tem a energia necessária para garantir que o novo álbum é tão bom quanto (ou até melhor do que) o antecessor.

Se, enquanto ouvia a faixa inicial, você resolveu deitar e olhar as nuvens, deve ter levado um susto com “Yuk Foo” sendo escolhida como a música seguinte. A canção, primeira do álbum a ser mostrada para o público, é definitivamente a mais pesada e “suja” do trabalho. É para gritar junto com Ellie, pular, e balançar a cabeça. Foi diferente do que foi feito no My Love is Cool, onde a atmosfera calma e shoegaze permeia durante as quatro primeiras faixas. Foi como dizer “a gente sabe fazer rock pesado também, e aqui está a prova”.

A terceira, e até agora o maior sucesso do álbum, é “Beautifully Unconventional”. Aí está a primeira prova (de várias) de que o grupo não esqueceu como fazer riffs de guitarra marcantes. O groove da linha de baixo de Theo Ellis também merece destaque.

A atmosfera introspectiva shoegaze retoma seu curso nas próximas três canções: a já conhecida “Don’t Delete The Kisses”, a belíssima “Planet Hunter” e “Sky Feelings”. Na última, a energia cresce e toma forma, para entregar para a faixa seguinte, a explosiva “Formidable Cool”. Nela, o riff marca presença na música inteira, e temos Ellie soltando mais a sua voz, tal como na segunda faixa.

As guitarras distorcidas continuam nas três próximas: “Space & Time” e “Sadboy” e “St. Purple & Green”. Para anunciar uma pausa no peso das guitarras, a última dessas três conta com uma longa outro. Nela, temos uma guitarra livre de distorções ritmada pela bateria e a voz suave de Ellie repetindo a expressão “one step after the other”. Talvez um dos pontos altos desse álbum, o fim dessa outro, que ganha força gradativamente, deixa um gostinho de “quero mais”.

A vertente mais “acústica” do trabalho está em “After The Zero Hour”, a décima primeira faixa. Ela também traz consigo uma clara pegada mais “folk”, que lembra os momentos iniciais da banda.

Mas essa foi apenas uma pausa no shoegaze que está em peso nesse álbum. A faixa que termina o trabalho é justamente a faixa título, “Visions Of A Life”. Em um álbum caracterizado por faixas curtas (4 das 12 não passam de 3 minutos de duração), a música final surpreende com seus oito minutos. Revisitando os demais estilos explorados ao longo do álbum, a música brinca com a ideia de mostrar diferentes visões da vida, tanto no instrumental quanto na letra da canção.

 

O casamento perfeito entre o grunge e o shoegaze

Tal como o nome da terceira faixa, Visions Of A Life é um álbum “lindamente não convencional”. No geral, a banda foi inteligente. Misturou elementos do indie rock com músicas mais introspectivas e calmas, com faixas mais pesadas e cheias de energia. Assim, o álbum se mostra capaz de chamar a atenção de fãs de diversas vertentes do rock alternativo, não só na Inglaterra como no mundo inteiro.

Letras reflexivas encaixadas em arranjos ecléticos que vão desde levadas folk até um rock raivoso. Com o novo álbum, a banda britânica confirmou a opinião da crítica e dos fãs, de que Wolf Alice um dos nomes mais importantes no cenário alternativo atual.