Da frustração à realização: conversamos com a dupla Mar Aberto

Banda brasileira fala sobre influências que vão de BRAZA e O Terno até Bob Marley e The Strokes

Mar Aberto
Foto: Divulgação
 

Entrevista por Nathália Pandeló Corrêa

A internet é palco de alguns dos grandes fenômenos musicais dos últimos tempos, criando nomes relevantes dentro de nichos fiéis, sobre os quais muitos de nós sequer ficam sabendo. Furar essa bolha acaba se tornando um grande desafio para os artistas, mesmo os que têm bases de fãs numerosas. É essa a nova empreitada do duo Mar Aberto, formado por Gabriela Luz, de 22 anos, e Thiago Mart, de 30. Eles são recém-contratados da Warner Music Brasil após conquistarem números impressionantes ao longo dos oito meses do projeto – só no YouTube, são 14 milhões de views; no Spotify​ são 280 mil ouvintes mensais.

Usando da química que compartilham entre si e com o público nas redes sociais, Gabriela e Thiago seguem dando passos grandes em uma carreira conjunta bastante recente. Coroando esse momento, o single “Se Fosse Tão Fácil” ganha um relançamento nesta sexta, e pode abrir caminho para novas músicas, um novo EP ou mesmo um disco. Conversamos por telefone com o duo sobre este novo momento, inspirações e o que vem por aí.

 

TMDQA!: Parece que da noite pro dia, vocês chegaram aos números de milhões que têm hoje. Mas nem sempre fica visível o trabalho que aconteceu antes disso, em especial quando esses fenômenos acontecem na internet. O que vocês gostariam que o público soubesse sobre a bagagem musical que vocês já trazem, que trouxe Gabi e o Thiago até esse ponto?

Thiago: Antes de mais nada queríamos agradecer ao portal, o TMDQA!, que é um site que a gente tem um carinho especial! Bom, nós começamos de forma totalmente independente e recursos parcos, mínimos mesmo. Depois de tantas frustrações – eu tenho 30 anos, de carreira já são 15 anos… A Gabi também pode falar um pouco sobre a trajetória dela…

Gabriela: Isso, eu faço aula de canto há 10 anos, sempre tentando me aprimorar. Começamos o Mar Aberto depois de momentos de frustração absurdos nas nossas carreiras solo.

Thiago: Exato. A gente vinha tentando fazer a coisa por conta própria, mas aí conhecemos o Júlio [Salinas, da empresa de gerenciamento artístico Seta Reta], e a partir daí fomos para o formato do do-it-yourself. Fizemos tudo que precisávamos com a orientação do Júlio. Fomos atrás de stylist, videomaker, estúdio – que a gente já tem, pois eu vivo num estúdio. Então fomos fazendo tudo de forma muito natural.

Gabriela: Eu e o Thiago nos conhecemos há quatro anos, e foi compondo juntos que percebemos que os melhores momentos do dia eram quando a gente estava cantando, então a partir daí começamos a passar cada vez mais tempo trabalhando juntos.

TMDQA!: Justamente, vocês fizeram um caminho completamente independente desde que lançaram o duo e agora estão oficializando a parceria com uma gravadora. Hoje, mesmo com uma grande corporação por trás, existe cada vez menos a “receita de bolo” que leva ao sucesso – ou pelo menos ela está mais complexa. Como vocês lidam com tomar decisões assim, tão no início do projeto?

Thiago: Esse é um momento novo pra gente, de ter a oportunidade de estar presente numa gravadora major, algo que muitos artistas almejam. Estamos sempre conectados com o nosso público, respondendo nas redes sociais – é algo que tentamos fazer da forma mais pessoal possível . A partir daí, a gente procura sentir a temperatura do público, pra dosar as decisões que vêm a seguir. Levamos isso para a gravadora e agora eles nos ajudam com todo o know-how e expertise de como elevar isso num nível mainstream.

Gabriela: O Mar Aberto tem só oito meses. Quando éramos independentes, nós já conseguimos atingir um bom número de pessoas. Mas agora temos a oportunidade de chegar a muito mais gente.

TMDQA!: Mas dá até um friozinho na barriga, não? De ver o projeto crescendo rápido assim?

Gabriela: (Risos) Com certeza!

Thiago: Dá sim, mas é aquele friozinho na barriga bom, sabe? A gente fica ansioso, mas temos certeza que vai ser muito prazeroso esse momento.

TMDQA!: Vocês se inspiram por alguns dos artistas relativamente recentes, mas que já deixaram marcas na cultura pop – como é o caso de O Terno, Vanguart, Rodrigo Amarante, que acabaram criando um som muito característico e muito representativo dos últimos anos da música brasileira. Qual é o desafio na hora de se inspirar por algo que ainda tá tão fresco na cabeça das pessoas e a partir daí desenvolver algo com a personalidade de vocês?

Thiago: A gente gosta de dizer que esses artistas são pedras fundamentais do que a gente se imagina ser. Amarante canta de uma forma muito única, já o Vanguart se expressa de modo folk na música. Mas a gente se inspira por outras influências mais antigas também, o que deixa tudo mais palpável. Outros artistas que sempre ouvi também fazem parte, como Roberto Carlos, Djavan, Tom Jobim, Bob Marley, o John Mayer mais recentemente…

Gabriela: Já pra mim era o Gabriel, O Pensador. Quando eu era criança até falava que ia casar com ele! (Risos) E aí depois fui ouvindo The Strokes, Beatles, a Marisa Monte, que eu sempre gostei muito e aprendia bastante nos meus estudos.

Thiago: Esses artistas referência são muito importantes para a gente. Outros artistas mais recentes também são, nós citamos pra trazer essa referência mais atual para o nosso som. Hoje é uma grande honra podermos estar presentes na música brasileira no mesmo momento que esses grandes artistas.

TMDQA!: Nesse clima de muitas possibilidades no horizonte, como o nome Mar Aberto sugere, vocês já disseram que pensam em lançar um disco. Existe uma previsão pra isso? Com o sucesso do EP, vocês se sentem meio que pressionados a repetir esse feito já num próximo trabalho?

Gabriela: Agora vamos lançar o single “Se fosse tão fácil” pela gravadora, sai no dia 08. A gente pretende lançar um outro single em novembro. Ainda não sabemos se vamos lançar um single de novo ou um EP, ainda estamos fazendo esse planejamento…

Thiago: Hoje é tudo muito volátil, né? A gente vai sentindo a temperatura das coisas e dando os passos seguintes. A gente se cobra no bom sentido, sabendo que não precisamos corresponder certas expectativas, mas o mais importante é a gente se manter fiel a quem somos com o nosso público, para que as pessoas continuem nos acompanhando. Isso não vai acontecer se não mantivermos a essência do Mar Aberto, de quem somos, da nossa sonoridade e das nossas letras.

Gabriela: Mas também sempre se manter evoluindo, crescendo sempre.

TMDQA!: Vocês definem seu com como indie pop, mas ao mesmo tempo optaram por uma pegada mais simples e intimista, inclusive o EP é acústico e passa essa sensação. Como é trilhar essa dualidade de ter canções que são ao mesmo tempo radiofônicas e também têm esse clima super pessoal?

Thiago: Poxa, ótima pergunta…

Gabriela: O indie pop foi algo que surgiu no início do projeto, de um posicionamento do nosso som.

Thiago: É que a gente queria integrar esse contexto da nova música popular brasileira, que hoje tem nomes como Liniker, Jaloo e vários outros, e nos posicionarmos dentro dessa cena. Mas isso que você falou das músicas serem confessionais, elas de fato são, bastante. E nesse sentido, contamos com a ajuda da gravadora em pegar o nosso potencial de sermos radiofônicos, de chegarmos a cada vez mais pessoas, mas ao mesmo tempo preservando o tom intimista do que nós fazemos.

TMDQA!: O nome do nosso site é Tenho Mais Discos Que Amigos, algo que tem muito a ver com o relacionamento que temos com a música, uma companhia constante nos bons e maus momentos. Gostaria de saber se vocês têm esse disco q​u​e é um porto seguro, que acompanha vocês há muito tempo.

Thiago: Ah, que legal! Acho que a gente podia falar de um disco que compartilhamos bastante, e depois cada um fala do seu, pode ser? Eu diria que um disco amigo pra gente, de verdade, é o disco do Braza, de 2016. Tem uma brasilidade muito aparente, uma mistura de ritmos que é excelente. Esse nós ouvimos muito quando estávamos juntos, o que basicamente é boa parte do tempo (risos). Separadamente, eu gosto de ouvir o álbum Legend, do Bob Marley, de 1984, que é uma coletânea com as melhores músicas que o Bob já fez – na minha opinião, pelo menos. Quando eu estou em casa, gosto de ficar arrumando as coisas e aí coloco esse disco pra tocar e dá um clima muito gostoso.

Gabriela: Já pra mim é o “Is This It”, do Strokes, de 2001, que é um disco que vai te deixar feliz em qualquer momento! Eu me lembro muito de ir pra escola ouvindo esse disco, ficou muito marcado pra mim.

TMDQA!: Bate uma nostalgia, né?

Thiago: Música é algo que deixa uma memória afetiva muito forte.

TMDQA!: Verdade! E tudo indica que as músicas de vocês já estão construindo memórias afetivas pra um público bem grande. Boa sorte nesse novo momento do projeto. Vamos continuar acompanhando aqui no site.

Thiago e Gabriela: Muito obrigado!

 

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