Foto por Renato Stockler

Anote esse nome: Rincon Sapiência tem aparecido como um dos artistas de rap mais interessantes do país, e em 2017 lançou um grande álbum de estúdio chamado Galanga Livre.

No próximo dia 12 de Agosto ele será uma das atrações do Coala Festival ao lado de artistas como Caetano Veloso, Emicida, Fióti, Rael, Liniker, Tulipa Ruiz e Aíla, e aproveitamos a oportunidade para bater um papo com o cara.

 

TMDQA!: Seu novo disco de estúdio, Galanga Livre, tem sido apontado como um dos melhores do rap nacional em 2017. Como foi todo processo de produção do álbum desde o seu início até agora, culminando no lançamento e divulgação do trabalho?

Rincon Sapiência: Começou espontâneo no processo natural de fazer e gravar músicas em casa, tenho uma pasta com algumas gravações inéditas que somam cinquenta faixas. Quando surgiu a ideia de fazer um disco levei dezessete faixas, peneiramos dez e iniciamos o processo. O William Magalhães fez o processo de direção, pós-produção e mixagem, acredito que essa combinação de ideias e gerações diferentes foi positiva pro resultado do álbum.

TMDQA!: O disco aposta em uma história envolvendo Galanga, um escravo, e seu “crime bárbaro”. Lançar um álbum com uma narrativa linear, uma história central, foi uma decisão liberada ou foi surgindo quando você passou a dedicar sua atenção ao novo trabalho? Sua construção foi mais complexa que um disco “normal”?

Rincon: O que difere um álbum de uma mixtape, demo ou EP é a profundidade da obra. Pensar em um álbum é pensar em um conjunto de músicas, narrativa, textura de som, arte, fotografia e a forma que utilizei nesse meu primeiro trabalho é a narrativa a partir do personagem Galanga. A construção surgiu aos poucos, eu já tinha o repertório e fui criando o contexto gradativamente, então diria que fazer um álbum já é, naturalmente, algo complexo.

TMDQA!: O rap nacional passa por uma grande fase e a música brasileira no geral, em vários estilos, também pulsa como há muito tempo não acontecia no underground e em diversas ocasiões longe das grandes mídias de massa. Como você enxerga esse período da música brasileira e como se vê dentro dele?

Rincon: Acredito que o público anseia por atitude, ouvir algo sincero. O público se identifica ao ver o artista fazendo algo com propriedade, seja no texto ou na musicalidade, e os artistas que passeiam pelo underground têm trazido essas propostas. Mas acho que o underground nem sempre é uma opção. Pelo fato de sermos artistas de muita personalidade, o underground se torna um lugar confortável. Assisti agora há pouco, respondendo essa entrevista, a um clipe do Pharrell que está na trilha sonora do filme “Meu Malvado Favorito” e pensei no como eu poderia produzir uma trilha pra um desenho animado, novela, séries, enfim… Acredito que o underground se encontra forte porque os grandes investidores são caretas e nem sempre têm coragem de apostar em artistas com grande personalidade. Quem acaba perdendo são os negócios do entretenimento.

TMDQA!: Em tempos de crise política e social no mundo todo, o Brasil está passando por um dos seus períodos mais conturbados e a arte está respondendo de forma bastante contundente. Qual você acha que é o papel da arte, principalmente da música, em tempos como esse e por que acha que hoje em dia esse tipo de manifestação não chega às grandes mídias?

Rincon: As grandes mídias têm seu lado tendencioso. Há exceções mas é um fato, e a classe artística tem um grande poder de influência. A arte faz registros. Daqui a vinte anos, para se ter um parâmetro sobre a atmosfera de 2017, será necessário apenas ouvir os álbuns, ver fotos dos grafites, poesias, vídeos e textos de agora. Acho que contribuímos dessa forma. A arte educa sim, mas não gosto da ideia de colocar os artistas como heróis e formadores de ideias; acredito que somos porta vozes apenas.

TMDQA!: Você irá tocar no Coala Festival ao lado de nomes incríveis como Caetano Veloso, Emicida, Fióti, Rael, Liniker, Tulipa Ruiz e Aíla. Os festivais de música estão proliferando pelo Brasil e nós mesmos realizamos a primeira edição do festival TMDQA! em Brasília e vimos de perto como as bandas brasileiras se completam, se respeitam e se admiram. Como esses artistas e bandas todos te influenciam nesses encontros e com seus trabalhos de estúdio?

Rincon: Com trabalhos de estúdio ainda não influenciam, mas são grandes artistas da música brasileira, da música preta contemporânea e estar entre esses artistas é uma honra. Os festivais abrem espaços pra performances mais extensas e lúdicas, por conta disso ando bem animado. Fora as oportunidades de trabalho, a crescente dos festivais se conecta naturalmente com a crescente na qualidade da música, e os festivais nos levam a dar nosso melhor, a se preparar mais e entregar mais. Os amantes da música são os que mais ganham com isso.

TMDQA!: Quais são os planos para o resto de 2017 e 2018? A ideia é viajar pelo país?

Rincon: No final de Agosto vamos pra Europa, em seguida rolam os primeiros show de lançamento do álbum e o plano é rodar o Brasil e o mundo em turnê. Fazer mais clipes também está nos planos, sem contar alguns materiais novos que têm surgido, posso afirmar que o baile segue, continuaremos metendo dança.

TMDQA!: Você tem mais discos que amigos?

Rincon: Tenho mais discos que amigos com certeza, mas a maior parte dos discos são virtuais e os amigos são poucos, porém, são reais. Tenho tido mais tempo pros discos do que pros amigos, mas estão todos no meu coração.

 

Rincon Sapiência e Coala Festival

Você pode ouvir o novo disco do rapper Rincon Sapiência, Galanga Livre, logo abaixo.

O Coala Festival acontece no dia 12 de Agosto em São Paulo, no Memorial da América Latina, e você pode encontrar ingressos por aqui.

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