Fabiane Pereira
 
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Queridinho do rádio carioca e conceituado a nível nacional, o FARO ficou fora do ar nos últimos meses após o fim abrupto de sua antiga casa, a MPB FM. Agora o programa, reconhecido por ser uma porta de entrada para novos talentos da música brasileira, se prepara para voltar ao ar, pela Paradiso, no dia 06/08.

O retorno traz uma grande novidade: shows mensais gravados ao vivo e com plateia. O primeiro será o cantor e compositor Rubel. Conversamos com a apresentadora e nossa amiga de longa data, Fabiane Pereira, sobre essa nova fase do programa.

TMDQA: Como foi esse período do programa fora do ar? Vocês ficaram órfãs da rádio, assim como o público?

Fabiane Pereira: O fim da MPB FM é uma grande lástima. Para além das questões pessoais – afinal eu trabalhei na rádio por 13 anos – o encerramento de qualquer veículo de comunicação (rádio, jornal/revista, site ou TV) que promove cultura no Brasil deve ser, no mínimo, questionado. Digo isso porque vivemos num país em que a cultura não é valorizada, então toda e qualquer manifestação que ajude a disseminar cultura precisa ser amplificada e não encerrada. A MPB FM era uma rádio editorialmente muito bem definida e durante os 17 anos em que esteve no dial carioca seguiu este editorial de forma brilhante. Como já disse Gilberto Gil, “o povo sabe o que quer / mas o povo também quer o que não sabe” e a MPB FM, muitas vezes, deu ao ouvinte o que ele não sabia que queria e este se apropriou deste conteúdo tornando-se uma pessoa melhor. Este é o papel da cultura, melhorar pessoas. Então acho que desde que a MPB FM saiu do ar, o Rio de Janeiro perdeu um pouco do seu charme mas assim como a cidade, a vida precisa seguir em frente.

TMDQA: O que vai mudar na ida pra uma nova rádio?
Fabiane Pereira: Adoro mudanças e aprendi com o Paulinho Moska que “tudo é pro bem” mas estou muito feliz em dizer que a rádio SulAmérica Paradiso FM abraçou o FARO exatamente como ele é e a direção artística pediu mudanças muito sutis como: deixaremos de ser “Faro MPB” e nos tornaremos só FARO. Além disso, mudaremos de dia: a partir de 6 de agosto seremos transmitidos aos domingos, às 22h (terei o Silvio Santos como “concorrente”. Um luxo!). Uma super conquista nesta nova fase do programa é que, uma vez por mês, o FARO será gravado com platéia e pocket show no FM Hall Estúdios. O FARO sempre trocou muito com seus ouvintes e tê-los, agora, pertinho durante a gravação será sensacional!

TMDQA: Os eventos do Faro vão continuar existindo?
Fabiane Pereira: Desde setembro do ano passado, estou me dividindo entre o Rio e Lisboa por causa de um mestrado. Então os eventos existirão sim, mas dependerão da minha agenda carioca. O que posso adiantar é que nos meses de agosto e setembro teremos quatro gravações ao vivo. Os demais projetos dependem de apoio/patrocínio e sabemos que infelizmente, no Brasil, poucas são as marcas vanguardistas que investem em cultura. Mas estou confiante que teremos muitos bons projetos para promover a nova música brasileira em breve, sim.

TMDQA: Qual a importância do rádio para a divulgação de artistas independentes?
Fabiane Pereira: Eu sou cria do rádio. Minha mãe ouve rádio, diariamente, desde que me entendo por gente, então sempre ouvi por tabela. Acredito no poder da internet e sei o quanto a TV é importante para popularizar um artista mas o rádio é o veículo mais representativo quando falamos em produção de hits – quando a música toca em todo país. A partir disso e por isso, acho que o rádio é fundamental para a divulgação de novos artistas porque por mais respeito e admiração que eu tenha pela nossa música brasileira, ela também precisa de renovação e talvez só quando as rádios entenderem que é preciso abrir espaço para a nova produção musical brasileira, tenhamos, de fato, esta renovação amplificada e disseminada.

TMDQA: Muitos dizem que a internet matou o rádio, mas o Faro é um programa que vive muito pela produção criada e disponibilizada na web. Como você vê essa dualidade?
Fabiane Pereira: O FARO existe para disseminar a nova produção musical brasileira e apesar desta produção ser, na maioria das vezes, oriunda da web, há vários outros artistas que têm um modelo de negócio – falando de mercado fonográfico – híbrido. Assim como o e-book não matou os livros e o digital não matou o impresso, a internet não matará o rádio. Acredito que quando falamos em propagação da arte, a única conta possível é a soma.