Royal Blood: “O rock precisa de salvação de tanta banda merda que fode a nossa reputação”

Leia nossa entrevista exclusiva com Mike Kerr, baixista e vocalista da banda

Royal Blood
 

Entrevista por Daniel Pandeló Corrêa e Nathália Pandeló Corrêa

Habitando com muitos méritos diversos círculos dentro do rock, o Royal Blood tenta deixar pra trás a imagem de “possível-salvação-do-rock” e de “banda de baixo e bateria” em um rico, melódico e criativo novo álbum, o segundo da carreira deles.

Prestes a lançar How Did We Get So Dark?, trocamos uma ideia rápida com o bem-humorado vocalista e baixista Mike Kerr sobre as novas influências da banda e como eles estão agora.

Leia abaixo a nossa conversa:

TMDQA!: Olá, Mike! Obrigado por tirar um tempo para conversar com a gente.
Mike Kerr: Eu que agradeço vocês.

TMDQA!: Então, o novo disco How Did We Get So Dark? começou a ser escrito como um álbum instrumental, em diferentes cidades em continentes diferentes. Você acha que o clima, a atmosfera desses lugares influenciaram em como essas músicas se transformaram?
Mike Kerr: A principal motivação para compormos o álbum assim foi por termos estado tanto tempo em turnê e voltar pro estúdio nos deu a sensação de estar presos em um lugar, sabe? Não sei se os lugares tiveram uma inspiração especial, mas o sentimento de sair de casa, de sair da zona de conforto, foi essencial no processo do álbum.

TMDQA!: Mas as letras são muito inspiradas nas suas experiências. Dessa vez, você compõe com uma perspectiva diferente. O que você sente que mudou nas composições entre o disco anterior e esse?
Mike Kerr: Sinto que minha habilidade de me expressar melhorou. Ganhamos mais experiência mesmo, de palco, como banda. Isso dá mais segurança e acho que isso foi a principal mudança.

TMDQA!: No Spotify de vocês tem uma playlist bem diferente de músicas que influenciaram o primeiro álbum. Não sei se vocês planejam fazer algo parecido para o novo disco, mas você poderia listar algumas das influências pra esse novo trabalho? O que vocês andaram ouvindo?
Mike Kerr: Olha, muitas músicas que não são rock. Ouvimos muita coisa mesmo. “Lights Out”, por exemplo, foi inspirada por Daft Punk e tem uma faixa inspirada por Red Hot Chili Peppers e Scissor Sisters. Queríamos trazer experiências diferentes pro nosso processo.

TMDQA!: As coisas rolaram muito rápido com vocês. Agora vocês são uma banda com prêmios e sucesso de crítica e público. Sério, o Jimmy Page falou que é fã do Royal Blood! Acho que vocês já devem ter cumprido alguns objetivos de vida. Quais os objetivos atuais de vocês, pra esse novo momento?
Mike Kerr: Rapaz, eu não sei se a gente tinha algum plano! (Risos) Queremos só melhorar mais e mais. E acho que se ficarmos pensando em algo como sucesso comercial, bem… Não vamos muito longe. Acho que temos muita sorte de estarmos conseguindo viver de fazer algo que é tão legal.

TMDQA!: Quando vocês surgiram, não era incomum ouvir que vocês eram a salvação do rock. Mas sério, você acha que precisamos de alguém que salve o rock?
Mike Kerr: Pois é, cara! Talvez precise! Ouço falar isso há tanto tempo! (Risos) Mas o rock tá vivo e aí, com muitas bandas boas. Só que hoje em dia tem tanta banda, tanta música que acho que só está muito disperso. É o papel das bandas em manter rock relevante. O rock precisa de salvação de um bando de banda merda que fode a nossa reputação! (Risos)

TMDQA!: Ouvimos o álbum e uma das coisas que chamou a atenção, de cara, foi como vocês usaram backing vocals para criar harmonias diferentes em algumas das músicas. E isso me pareceu muito mais rico. Sendo um duo, vocês sentiram necessidade em buscar mais textura para as músicas?
Mike Kerr: Sim, definitivamente sim! O processo desse disco foi bem diferente. Acho que realmente compreendemos as diferenças que podem existir entre a música registrada no álbum e o que fazemos ao vivo e como isso pode ser realmente legal.

TMDQA!: Você e o Ben são da mesma geração que eu e imagino que vocês cresceram ouvindo Foo Fighters e Arctic Monkeys, só pra citar bandas com quem vocês fizeram tour juntos. Olhando pra trás, ser um rockstar é como vocês imaginavam?
Mike Kerr: (Risos) Eu não nos vejo como rockstars. Na verdade nem vejo o Foo Fighters ou o Arctic Monkeys assim. Parece meio… negativo isso, né? São grandes bandas, sabe. Acho que só pensávamos que seria divertido fazer isso e é ótimo e estamos muito felizes com isso.

TMDQA!: Muito obrigado, Mike! E espero ver vocês aqui de novo em breve!
Mike Kerr: Nossa, nós também! Até logo!

 

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