O Amplifica dessa semana faz um passeio por Glasgow (Escócia), Bristol (Inglaterra) e Gotemburgo (Suécia). Falaremos aqui de bandas e artistas já clássicas nas respectivas cidades, mas também com certa projeção e reconhecimento mundial. A primeira é o Mogwai, banda escocesa de post-rock que tocou no Brasil durante o Festival Sónar em 2012, com o disco Rock Action. Depois falaremos sobre o disco de estréia da carreira solo do Tricky, considerado como um dos principais expoentes do trip hop. Por último, o blues-rock vibrante do Graveyard com o álbum Hisingen Blues, ideal para quem gosta de Led Zeppelin e The Hellacopters.

Mogwai (Escócia – Glasgow)
Disco: Rock Action
Ano: 2001
Gravadora: Matador
Mogwai
Créditos: Divulgação / Site oficial

Sendo um dos representantes de maior peso do post-rock, o Mogwai está sempre pronto para se afastar ou alargar as fronteiras do gênero. Em Rock Action, o grupo elabora arranjos que parecem saídos de um mundo distante, em que o tempo e o espaço funcionam de uma forma diferente. Nesse terceiro trabalho, a banda constrói composições climáticas, orquestradas em uma maneira minimalista, contendo um senso de narratividade peculiar. Um aviso importante é que o grupo costuma usar títulos irônicos em seus álbuns: Happy Songs For Happy People, por exemplo, é uma coleção de músicas melancólicas. Da mesma forma, quem ficar aguardando as erupções instrumentais típicas do post-rock em Rock Action irão sofrer com certa ansiedade e frustração. Para ouvir fugindo da neblina.

Para quem gosta de: Godspeed You! Black Emperor, Slint, Slowdive

Tricky (Inglaterra – Bistrol)
Disco: Maxinquaye
Ano: 1995
Gravadora: 4th & B’way
Tricky
Créditos: Divulgação / Site oficial

O gênero que ficou conhecido como trip hop percebeu as diversas possibilidades sonoras das batidas e texturas do hip hop e da música eletrônica, pondo em destaque ainda influências de outros estilos que fazem parte da raiz do hip hop, como o dub e o soul. Os maiores entusiastas dessa ideia moravam em uma cidade inglesa chamada Bristol. Foi lá que nasceu e cresceu Adrian Nicholas Thaws, mais conhecido por Tricky. No fim dos anos 80, o músico participou do grupo Massive Attack, que viria a se tornar uma das maiores referências do trip hop no mundo. Acima de tudo, o álbum é fruto de uma espécie de rebentação criativa de Tricky, que no seu grupo anterior não tinha o mesmo espaço para realizar essas explorações. As faixas, em sua maioria, composições misteriosas com produções excêntricas, contém samples diversos que, de alguma forma, expressam bem a riqueza do álbum: trechos de Isaac Hayes, Marvin Gaye, Public Enemy e até mesmo Smashing Pumpkins. Para ouvir em sonhos lúdicos.

Para quem gosta de: Massive Attack, Portishead, Morcheeba

Graveyard (Suécia – Gotemburgo)
Disco: Hisingen Blues
Ano: 2011
Gravadora: Nuclear Blast
Graveyard
Créditos: Divulgação

O Graveyard faz uma espécie de blues preenchido com chumbo e pólvora. Hisingen Blues é o nome do segundo álbum da banda, antecedido por um disco homônimo lançado dois anos antes. A qualidade da banda é assustadora, mesmo quando lembramos das proezas de outros grupos de rock suecos, como o The Hellacopters, Refused e The Hives, por exemplo. Nesse disco, em especial, os músicos conseguem reunir uma sintonia especial capaz de impulsionar os outros instrumentos, ao invés de abafá-los. Em um mesmo nível de destaque, poderíamos apontar como qualidades no Graveyard a voz poderosa de Joakim Nilsson, cantando com as vísceras à mostra; a bateria cheia de viradas criativas de Axel Sjoberg; os riffs incansáveis de Jonatan Larocca-Ramm e a segurança do baixista Rikard Edlund, dando contorno e consistência ao peso da banda. Mesmo com referências clássicas de blues, stoner e hard rock, o colorido do disco é bastante moderno. Para ouvir fazendo uma fogueira.

Para quem gosta de: Led Zeppelin, Witchcraft, The Sword