O Rancid nos fez esperar por longos 25 anos, mas lavou a nossa alma no Lollapalooza Brasil

Banda passou por todas as fases da carreira em grande final de tarde no Autódromo de Interlagos

 

Fotos por Aline Krupkoski

25 anos é muito tempo. Em um quarto de século o mundo muda drasticamente, as pessoas já não são mais as mesmas, as vontades, gostos e manias também não, mas ainda assim, algumas coisas permanecem intactas.

Foi esse tempo que o Rancid levou para vir ao Brasil pela primeira vez desde que foi fundado (na verdade são 26 anos, se contarmos o início em 1991, mas se o guitarrista Lars Frederiksen disse que são 25 no palco, quem somos nós para discordar?) e começou a sua trajetória como uma das bandas de punk rock mais importantes de todos os tempos.

O grupo encontrou sucesso principalmente nos anos 90 com discos como Let’s Go e …And Out Come The Wolves, e em 2003 voltou aos holofotes com Indestructible, que teve até distribuição por uma major label.

E foram justamente desses dois primeiros discos citados que veio a maior parte das música executadas ontem em um belíssimo final de tarde no Autódromo de Interlagos em São Paulo.

Com 20 músicas no setlist, a banda tocou um som atrás do outro, como manda o figurino em um grande show de punk rock, e não deixou tempo para que ninguém respirasse. Uma legião de fãs tomava conta do Palco Ônix e mostrava por que durante o dia as camisetas de bandas que mais vimos em todo o evento foram do Rancid, junto com as do Metallica.

Havia um senso de camaradagem à frente do palco, com as pessoas cantando, se olhando e se divertindo, compartilhando aquele momento único pelo qual cada um esperou pacientemente até que as guitarras de Tim e Lars e as linhas de baixo absurdamente geniais de Matt Freeman ecoassem pelo local.

Rancid no Lollapalooza Brasil 2017

Nas poucas vezes em que interagiu com o público, o Rancid falou através de Lars Frederiksen, que antes de “Last One To Die” dedicou a canção ao Metallica, dizendo que a música foi escrita sobre o Rancid mas que se aplicava também ao grupo de heavy metal, já que ambos poderiam estar mortos depois de tanto tempo, mas não estão.

Ele também falou sobre como o mundo é um lugar muito pior desde a morte de Lemmy, do Motorhead, e Tim Armstrong disse algumas vezes que era muito bom estar no Brasil pela primeira vez.

Vieram músicas de, literalmente, todas as fases da banda. Os oito discos foram representados de uma forma ou de outra, e uma boa notícia veio quando Lars disse que um novo álbum já está pronto e deve ser lançado em breve. Ele salientou que o trabalho foi produzido por Brett Gurewitz, “que toca em uma das maiores bandas de hardcore da história, o Bad Religion”, parceiro de álbuns anteriores dos caras.

No final, veio uma trinca pra matar qualquer fã do coração: “Fall Back Down”, “Time Bomb” e “Ruby Soho”, quando Tim Armstrong foi para a plateia e cantou com o público que berrava o refrão em uma mistura de alegria, alívio e melancolia por saber que a apresentação chegava ao fim.

Foi um encerramento grandioso que fez qualquer punk rocker que já passou dos seus 30 anos chorar de emoção com o que viu. Eu fui um deles.

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Setlist – Rancid no Lollapalooza Brasil

  1. Radio
  2. Roots Radicals
  3. Journey to the End of the East Bay
  4. Maxwell Murder
  5. The 11th Hour
  6. East Bay Night
  7. Last One to Die
  8. Dead Bodies
  9. Salvation
  10. Bloodclot
  11. Old Friend
  12. The Bottle
  13. St. Mary
  14. Tenderloin
  15. Olympia WA.
  16. Honor Is All We Know
  17. It’s Quite Alright
  18. Fall Back Down
  19. Time Bomb
  20. Ruby Soho

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