“Os brasileiros são loucos, trazem o caos”; leia nossa entrevista com The Maine

Conversamos com o guitarrista Kennedy Brock sobre carreira da banda, shows no país e mais

The Maine
 

2007 foi uma boa época para fãs do pop-punk.

Aquele ano viu uma explosão de bandas do gênero com afinidade para escrever músicas grudentas e, por vezes, marcantes: All Time Low, Forever the Sickest Kids, We the Kings, Mercy Mercedes, The Cab e assim por diante.

O problema, no entanto, é que isso acabou resultando em uma massa homogênea de músicas de quatro acordes e letras sobre fins de relacionamento. Era impossível se destacar, demonstrar um diferencial em relação aos contemporâneos.

Também havia, no meio dessa onda, um quinteto do Arizona chamado The Maine que começou a fazer barulho com o EP The Way We Talk em 2007. Dez anos depois e, diferentemente da maioria das bandas citadas acima, que sumiram ou acabaram, o The Maine segue firme e com sua formação original.

O momento de ilustrar capas de revista veio e foi embora para a banda, mas eles souberam não cair no esquecimento: montaram a 8123, uma agência que serve como assessoria de imprensa, gerenciamento de carreira, gravadora e loja ao mesmo tempo e, através de incessantes turnês, montaram uma base de fãs significativa pelo mundo e especialmente no Brasil – onde gravaram o DVD Anthem for a Dying Breed.

A banda está se preparando para lançar seu sexto disco de estúdio, Lovely, Little, Lonely, em abril e retornará ao Brasil para uma série de shows em julho. Aproveitamos a ocasião para bater um papo com o guitarrista Kennedy Brock – leia a entrevista e confira as datas abaixo!

15/07 – Tropical Butantã – São Paulo
16/07 –  Bar da Montanha  – Limeira
18/07 – Teatro CIEE – Porto Alegre
19/07 – Local a confirmar – Curitiba
21/07 – Arena Futebol Clube – Brasília
22/07 – Teatro Bradesco – Belo Horizonte
23/07 – Circo Voador – Rio de Janeiro

TMDQA!: Antes de tudo, gostaríamos de parabenizá-los pelos dez anos de carreira! Como estão se sentindo após atingirem essa marca?
Kennedy: Nos sentimos incríveis, extasiados, e nunca tão focados quanto agora. Prontos para fazer isso continuar.

TMDQA!: O próximo álbum de vocês, Lovely, Little, Lonely, está prestes a ser lançado. O que pode nos dizer a respeito do processo de gravação e do que podemos esperar quanto à sonoridade dele?
Kennedy: Foi um processo diferente, com certeza. Normalmente o John (O’Callaghan, vocalista) grava algumas demos no celular dele, mas desta vez tínhamos demos mais estruturadas antes de começar a compor juntos. Isso fez com que tivéssemos, mais cedo que o normal, ideia do que as músicas se tornariam no final. Estávamos pensando mais objetivamente sobre em que direção ir, sem perder tempo com músicas que sobraram e que gostamos mas que não se encaixavam na temática do disco. Isso quer dizer que estávamos filtrando melhor as coisas que nos paravam, conseguimos desviar dos lugares criativos que normalmente nos prenderiam. Estamos muito empolgados com o álbum. Foi um processo muito harmonioso, das músicas ao título e do jeito que ele aconteceu esteticamente.

TMDQA!: Então sobraram músicas fora do disco? Quantas vocês compuseram ao total? E acha que ouviremos elas futuramente?
Kennedy: Não tenho certeza de quantas sobraram, mas foram mais do que a quantidade de faixas do álbum. No final do processo elas têm que se encaixar umas nas outras. Sempre tentamos ser coesos e fazer elas pertencerem juntas no disco, porque pode acontecer de uma estragar a vibe do resto. No futuro podemos lançar só as músicas extras, ou as demos delas, ou quem sabe trabalhemos essas demos para um lançamento futuro. Temos uma grande ‘sacola’ de ideias guardadas, e abrimos ela de vez em quando. Um exemplo é a música “American Candy”, que foi escrita nas sessões do disco Forever Halloween (2013) mas retrabalhada e lançada apenas no álbum seguinte.

TMDQA!: Quando você tem uma banda bem sucedida em um selo independente e quer atingir o mainstream, às vezes acaba comprometendo seu som característico em favor de ritmos e melodias mais atuais mas, no caso do The Maine, parece que vocês mantém na raiz da música a sonoridade que os consagrou e que lhes trouxe tantos fãs ao longo dos anos. Acredita que esse seja um dos motivos que expliquem a banda manter uma base de fãs tão leal por tanto tempo?
Kennedy: Sim, acho que é um dos motivos com certeza. É muito importante para nós, como banda, não sentir que estamos fazendo a mesma coisa de novo e de novo. Queremos romper nossas barreiras, crescer e mudar junto com a música. Não somos as mesmas pessoas de dez anos atrás e é importante saber disso. Ter um disco diferente do outro é legal, porque demonstra quem éramos e o que pensávamos naquela determinada época. Temos um som característico que os fãs felizmente aceitaram, porque a música flui da mesma forma que a vida flui. As duas são muito parecidas. É por isso que as pessoas continuam interessadas.

TMDQA!: Vocês têm cuidado de suas próprias carreiras já faz um tempo, sendo donos do coletivo 8123. Qual é a diferença entre ser seu próprio chefe e ser contratado de uma gravadora?
Kennedy: É bem diferente. A equipe 8123 é essencialmente nós e nosso agente Tim, nós somos parte dela e estamos envolvidos no dia-a-dia dela. Acho que conseguimos trabalhar mais eficientemente e conseguimos ler as mentes uns dos outros. A diferença disso em relação a estar em uma major é que agora também estamos envolvidos nos negócios que envolvem a banda. Às vezes isso não funciona com outras bandas, mas para nós sim. Adoramos fazer tudo do nosso jeito. Somos control freaks! E percebemos que, se você quer algo feito direito, faça-o você mesmo. Fazemos isso porque gostamos demais desse projeto e das pessoas ao redor dele. Mandamos ver do nosso jeito em vez de tentar subir a ladeira corporativa.

TMDQA!: Olhando para toda sua trajetória, todos os discos que vocês lançaram, as trocas de gravadora, as turnês, os negócios… como você diria que amadureceu como artista e como pessoa? Há algo do qual se arrepende ou algo que faria diferente hoje?
Kennedy: Não mudaria nada, mesmo que quisesse. Se eu mudasse algo, não ganharia a experiência que ganhei com aquilo e a banda não amadureceria do jeito que foi. Se certas coisas não acontecessem com a gente cedo nós não perceberíamos a importância de trabalhar sozinhos.

TMDQA!: Vocês voltarão ao Brasil daqui a alguns meses para uma sequência de shows – vários shows! É ótimo ver bandas de fora vindo para tocar em cidades fora São Paulo e Rio. O que podemos esperar desses shows?
Kennedy: Podem esperar que eles sejam loucos! É incrível, toda vez que voltamos para o Brasil vocês cantam mais alto e fazem o show ser mais divertido. Como você disse, estou muito feliz de explorar um pouco mais do país. Sei que a maioria das bandas vai só para os grandes centros, e alguns simplesmente não têm a opção de variar a agenda. Amo o Brasil desde que pisei aí. Os brasileiros trazem o caos, são loucos. E é tão divertido.

TMDQA!: Como acha que o setlist vai ficar para estes shows? O novo álbum já vai ter saido e vocês terão, então, seis discos de estúdio dentre os quais escolher…
Kennedy: Vamos atualizá-lo para que quem nos viu da última vez aí no Brasil tenha uma experiência nova. Vamos pensar nos hits, claro. É difícil porque temos muitas músicas agora. Estamos muito empolgados com o novo álbum, e quando chegarmos aí já vai ter passado um tempo desde seu lançamento. Mal posso esperar para tocar as músicas novas.

TMDQA!: Você tem mais discos que amigos? Melhor dizendo, você é o tipo de pessoa que curte ficar em casa ouvindo seus artistas preferidos ou se interessa mais em curtir e sair com amigos?
Kennedy: Essa é uma pergunta difícil. Tenho muitos discos, mas as vezes em que mais os aprecio é na presença de amigos. Então estou mais para o lado dos amigos.

 

Deslize a tela para baixo e continue lendo as notícias do TMDQA! automaticamente!

 

Comentários