Resenha: Gilmore Girls – A Year In The Life

Série retornou com quatro novos episódios, produzidos pela Netflix

Gilmore Girls: A Year In The Life
 

No final de Novembro a Netflix disponibilizou o tão aguardado revival de Gilmore Girls, após nove anos desde seu até então episódio final.

ATENÇÃO PARA OS SPOILERS

Intitulado como Gilmore Girls – A Year In The Life, a história foi dividida em quatro episódios de aproximadamente 90 minutos cada, mostrando a vida de Lorelai e Rory durante um ano. Cada episódio representa uma estação diferente, tendo início no inverno e finalizando então no outono.

Os primeiros minutos de Winter já nos mostraram aquela nostalgia sem fim, uma saudade que sentíamos das garotas Gilmore, mas nem tudo foram rosas. Lauren Graham transmitiu uma sensação de como se ela nunca tivesse abandonado Lorelai, mesmo tendo trabalhado em outros projetos ao longo desses anos. O mesmo não podemos dizer de Alexis Bledel, pois a outra protagonista do show veio com uma atuação bem engessada, como se tivesse esquecido como é atuar.

Já em seus momentos iniciais, a série aborda diversas referências à cultura pop da atualidade, sendo um dos exemplos a sátira ao Batman de Ben Affleck. Olhando ao redor de tudo, as coisas mudaram de acordo com o tempo em Stars Hollow, mas as tradições do local continuam as mesmas, menos mal. Em relação aos personagens, alguns deles continuam os mesmos, mas em versões aperfeiçoadas, como o destrambelhado Kirk (já amo o Oober), o surtado prefeito Taylor e o sempre mal humorado Michel.

Agora falando das nossas protagonistas em si, senti Lorelai muito estacionada. Eu a amo de paixão, e é uma das minhas personagens do mundo das séries prediletas, mas continua administrando o Dragonfly Inn e vivendo com o Luke. Falando na relação dos dois, a princípio parecia que eles estavam em perfeito ponto de harmonia, mas no decorrer dos quatro episódios, vimos que as coisas não estão maravilhosamente bem entre eles. Algo já dizia que talvez veríamos algo do tipo deles terem um filho, mas poderiam ter explorado essa trama em específico de forma mais profunda. A relação dos dois já passou por dilemas mais complexos, e esse surgiu e saiu da série de forma rápida. Não que tinha que ser o foco principal de todo o revival, mas poderia ter sido distribuído em dosagens mais equivalentes.

Rory nos mostrou um dilema que muita gente nascida na década de 80 sofre nos dias atuais, que é não saber o que quer da vida exatamente, a essa altura do campeonato. E daí que ela tem 32 anos de idade? Esse foi um assunto que achei uma tacada genial, pois depois do fim da série, as pessoas com certeza imaginavam a personagem bem sucedida, determinada e tudo se encaminhou de uma maneira diferente. Foi preciso a moça quebrar a cara em algumas situações para perceber que o seu destino estava bem à frente, com a história de sua vida, a versão literária de Gilmore Girls.

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Ainda sobre a personagem, sei que muitos vão discordar do que direi, mas no âmbito amoroso ela decepcionou profundamente. Repetindo o mesmo erro cometido com Dean, ao voltar a se envolver anos atrás com o rapaz já estando casado, agora com o Logan estando noivo? O pior de tudo isso, se sujeitando a namorar uma pessoa sem ter qualquer tipo de sentimento pelo mesmo. O engraçado disso tudo foi a reação de Lorelai no meio dessa confusão toda que, diferente do passado, não surtou com a filha.

Quem se sobressaiu, como sempre, mas que merecia maior espaço nesse revival foi Paris Geller. Nunca, jamais passaria na minha cabeça vê-la totalmente mais “plena”, pois quem conhece a personagem sabe muito bem o furacão que a mesma é. Foi engraçado ver Liza Weil novamente a interpretando, pois para quem assim como eu assiste How To Get Away With Murder, já está acostumado com o trabalho incrível que ela vem fazendo no papel de Bonnie. De primeiro instante só vinha a advogada na minha cabeça, mas não demorou muito para vê-la novamente como amiga de Rory. Seu grande momento, entretanto foi em Spring, segundo episódio. Nele podemos ver a velha Paris de volta, após um reencontro entre os ex-alunos de Chilton. Seu surto psicótico ao ver Tristan novamente, seu antigo crush, nos fez ver que ela ainda é muito sensível e carente, mesmo se tornado uma mulher bem sucedida.

Agora não podemos esquecer dela, Emily Gilmore. A mãe de Lorelai, na minha opinião, foi um dos grandes destaques de A Year In The Life. A morte de Richard foi algo que mudou completamente a sua vida e pela primeira vez ela se sentiu totalmente perdida. Nesse momento eu pensei que ela fosse ter o apoio da filha, mas logo no primeiro episódio foi visto que nem ali as duas deram trégua uma com a outra. Tudo bem que Lorelai foi muito infantil ao expor o pai em seu funeral, de forma não tão positiva. Aliás, a morte do patriarca da família Gilmore foi de longe o momento mais vulnerável da história, e não tinha como não se emocionar a cada momento que o assunto era tocado.

As sequências na terapia em Summer foram provas claras de que a protagonista, por mais que odeie reconhecer isso, é mais parecida com a sua mãe do que possa imaginar. Esse plot em específico serviu justamente para mostrar isso, que ambas são bem orgulhosas, e que no fundo não sabem ter maturidade de reconhecerem seus próprios erros e defeitos, apenas apontar uma a outra. Mesmo com tudo isso, Emily evoluiu, decidindo fazer a vontade de Richard em ajudar Luke, manter durante um ano a mesma empregada e deixar que sua família viva junto com ela, e até usar roupas menos formais. Kelly Bishop deu um show a parte de atuação, e seu ápice foi no episódio final, quando ela finalmente se “libertou” para uma vida mais leve e despretensiosa. Foi seu maior momento em toda a história de Gilmore Girls.

Lembram quando eu havia dito que as coisas entre Lorelai e Luke não estavam lá sensacionais? Pois bem, no terceiro episódio do revival isso se intensificou, com o casal voltando a esconder coisas um do outro; ele sobre os encontros com Emily para a expansão de sua franquia de lanchonetes, enquanto ela de que estava fazendo terapia sem sua mãe. Quando o relacionamento deles ficou mais uma vez em perigo, uma das tramas secundárias ali mostrada, como o musical sobre Stars Hollow, de repente se tornou totalmente coerente, com a canção que foi um verdadeiro tapa na cara de nossa protagonista. Uma canção intensa, verdadeira e escancarada.

Chegando finalmente em Fall, o episódio já vem na voadora, com uma das cenas mais profundas, na minha opinião, de toda a história de Gilmore Girls. Lorelai no meio do nada, ligando para sua mãe e enfim relembrando algo bom ocorrido entre ela e o pai, foi o momento mais comovente de todos, sendo absolutamente inevitável não se emocionar. Aliás, Lauren Graham merece alguma indicação em premiações ano que vem, justamente por essa cena específica. Muitos vão achar exagero meu, mas foi incrível essa parte.

A parte final desse revival serviu para trazer de volta Dean e Sookie, que tiveram aparições rápidas demais, perto da importância que ambos já tiveram na série. A amiga de Lorelai merecia mais tempo em cena, senti falta de alguns momentos entre elas e Michel, o famoso “trio parada dura”. Já com o primeiro namorado de Rory foi mais compreensível sua curta participação, pois o intérprete estava gravando Supernatural, série onde é protagonista, bem na mesma época.

Depois de quase todo o revival se perguntando sobre os rumos que queria da vida, e a forma como estava conduzindo tudo, Rory então começou a desenvolver seu primeiro livro, Gilmore Girls. Suas buscas, consultando o pai, Jess, entre outros personagens, no final das contas nada mais era que a conclusão de toda essa história.

O desfecho dividiu muito as opiniões de quem assistiu, com a revelação de que Rory está grávida. O último episódio em específico serviu para mostrar o fim desse ciclo entre as garotas Gilmore, e deixando uma ponta solta para uma possível continuação. Os momentos finais com Jess observando sua ex namorada, tudo o que ela passou com o Logan nos últimos tempos, são a prova de que a história está meio que se repetindo, com a filha de Lorelai criando a criança que espera de forma independente, como fez sua mãe, e podendo quem sabe ter uma ligação afetiva novamente com o sobrinho de Luke no futuro.

Vamos aguardar!

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