No dia 13 de novembro de 2015, uma das maiores feridas da França e também do mundo da música era infligida: terroristas do Estado Islâmico, em um ataque frio e covarde, mataram oitenta pessoas durante um show do Eagles Of Death Metal no Le Bataclan, e mais outras cinquenta Paris afora.

É difícil, ainda hoje, superar o choque e a dor por aqueles que se foram ou que perderam amigos e parentes queridos naquela noite de terror.

Um ano após os acontecimentos que mexeram com o mundo inteiro, relembramos e revisitamos o desenrolar dessa história, que até hoje reflete na música e na sociedade com atos de amor e empatia.

Os ataques

Notícias desencontradas chegavam a cada minuto da França, e a única certeza era de que uma das bandas mais divertidas do rock estava, junto de seus fãs, sendo feita refém no Le Bataclan como parte de uma série de ataques. Começava ali o pesadelo que ainda assombra o país um ano depois.

O número de mortos subiu rapidamente de 15 para 118, para posteriormente ser confirmado 80, e a situação do Eagles Of Death Metal ainda era incerta. A morte de Nick Alexander, integrante da equipe de merchandising da banda, foi confirmada horas depois, e a busca por diversos fãs da banda continuava ativa.

Muitos cidadãos franceses que residiam e trabalhavam pela área da casa de shows mostraram a importância da união em horas difíceis e ofereceram suas casas, carros e alimentos para ajudar os sobreviventes do massacre.

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O dia seguinte

O Estado Islâmico reivindicou os ataques a Paris e justificou o ato chamando o concerto no Bataclan de “festa de perversão“, discurso que um pastor evangélico americano repetiria dias depois. Jornais mundo afora, sem o mínimo de pesquisa, indicaram que o grupo idolatrava o satanismo por meio de “suas músicas de death metal”. Tais declarações foram, sem surpresa alguma, repudiadas mundo afora.

Os impactos do acontecimento começaram a refletir por toda a Europa, e bandas como Foo Fighters, Deftones, Twenty One Pilots e o próprio EODM cancelaram turnês inteiras pelo continente, que estava em estado de alerta.

Pelas redes sociais, fãs e diversos nomes da música prestaram belas homenagens aos mortos e feridos, incluindo alguns rostos conhecidos por gravadoras e pelas bandas do ramo. Três dias de luto foram declarados na França, e mesmo que não-oficialmente, o resto do mundo também parou.

(créditos: Solal/SIPA via AP Images)
(créditos: Solal/SIPA via AP Images)

A volta por cima do Eagles of Death Metal

Ao longo deste um ano, pudemos acompanhar de perto o apoio dos fãs de música e a comemorada recuperação do EODM. Em entrevista, o grupo se emocionou ao relembrar os acontecimentos e planejar o futuro, ainda incerto naquele momento.

Campanhas belíssimas como a cover de “I Love You All The Time” feito por diversos artistas, o vídeo feito por fãs da banda, a volta do grupo a Paris com o U2 e todo o resto mostraram o quanto o mundo musical é unido em meio a dificuldades.

No começo deste ano de 2016, Jesse Hughes e companhia vieram ao Brasil e tocaram para um público enorme no Lollapalooza, celebrando o rock e honrando os que se foram naquele fatídico dia.

Le Bataclan renasce

No último sábado (12), Sting foi o responsável por reabrir as portas do Bataclan com um show emocionante depois de um ano dessa tragédia inesquecível.

Em meio a polêmicas envolvendo Jesse Hughes, líder do Eagles Of Death Metal que teria sido expulso do show por conta de declarações fortes a respeito dos ataques, a casa de shows renasceu em toda sua glória. O local já tem shows confirmados de Pete Doherty, Nada Surf, The Flaming Lips, The Pretty Reckless e mais.

Agora, como disse o próprio Sting, nos resta honrar os mortos e celebrar a vida.

Sting sings The Police on stage at Bataclan. We do not forget you ! #sting #bataclan

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