Para a tristeza dos fãs do Hole – e apesar de todo o burburinho-, a banda não se reunirá tão cedo… mas nem tudo é notícia ruim.

Para celebrar os 25 anos do icônico Pretty On The Inside (1991), álbum de estreia do grupo liderado por Courtney Love e que o colocou no radar das grandes bandas do movimento riot grrrl, uma orquestra de Los Angeles tocará o disco na íntegra em Outubro.

O evento foi organizado e será apresentado por Eric Erlandson, guitarrista da extinta banda, e foi ele mesmo que deu a letra: o Hole não vai se reunir para celebrar o disco, e ainda nem é certeza que as outras integrantes estejam por lá. Segundo Eric, uma apresentação está “fora de questão, e francamente, não seria tão interessante”. Poxa!

Leia a declaração do músico sobre a criação de Pretty On The Inside, seu legado no rock e a ideia de transformar o disco em música clássica:

Eu acordei em uma manhã de Maio passado e percebi que neste mês de Setembro seria o 25º aniversário do lançamento do primeiro álbum do Hole, “Pretty On The Inside.” Este álbum continua a ser muito querido para mim. Não foi apenas o meu “bebê” com Courtney [Love], o fruto do nosso relacionamento e de incessantes disputas (musicais ou não), mas também acredito que ele seja um momento memorável na história do rock. Um instantâneo atemporal. A destilação de tudo o que aconteceu nos anos 70 e 80 filtradas e folheadas nas mentes de três mulheres e um homem. Foi lançado numa altura em que o “cock rock” (rock masculino e sexualmente agressivo) estava tendo o seu último suspiro nas paradas, e o punk ainda estava raspando a tinta das paredes em algum quartinho de gravação no underground. Ao contrário da precisão do punk/metal/pop de “Nevermind”, do Nirvana, lançado na semana anterior, “Pretty On The Inside” era uma confusão de contradições, refletindo o funcionamento interno da raiva feminina, o caos à espreita no útero da humanidade pronto para explodir a qualquer momento em uma beleza abrasiva. Courtney, Jill [Emery], Caroline [Rue], e eu – nós canalizamos bem os nossos demônios, todos os falsos eus e a verdade nua. […]

Eu comecei a brincar com a ideia de fazer algo em homenagem ao álbum. […] Eu me perguntava: “O que mais pode ser feito?” Imediatamente, veio até mim. […] Eu queria ouvir essas músicas tocadas por uma orquestra, cantadas por um coro, em linha reta através da primeira letra: “When I was a teenage whore…” (“Quando eu era uma prostituta adolescente”) até as últimas divagações de nossa interpretação pervertida para a canção de Joni Mitchell. Então, me juntei com Steve Gregoropoulos para fazer os arranjos e ajudar a colocar a coisa toda em conjunto. E assim começou… bonito por dentro… e agora… bonito ao olhar para o passado.

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