Halestorm é uma banda norte-americana de hard rock que nasceu em 1997 com os irmãos Elizabeth “Lzzy” e Arejay Hale – na época apenas crianças de, respectivamente, 13 e 10 anos. Apesar do começo precoce, o primeiro álbum de estúdio só veio em 2009; autointitulado, o disco foi produzido pelo renomado Howard Benson, que também ajudou a compor quase todas as faixas.

O sucesso não demorou, e Halestorm alcançou o disco de ouro pela venda de 500 mil cópias nos Estados Unidos. Em 2013, o quarteto entrou para a história ao ser o primeiro grupo liderado por uma mulher a ser nomeado e levar para casa o Grammy de Melhor Performance de Hard Rock/Metal, conquistado pela música “Love Bites (So Do I)”, extraída de The Strange Case Of… (2012).

Pode-se dizer com propriedade que boa parte desse sucesso se deve à filosofia de trabalho incessante da banda: são cerca de 250 shows por ano, além do tempo consumido pelas longas viagens ao redor do mundo – o grupo já deve conhecê-lo melhor do que muitos atos veteranos. A potência da voz de Lzzy e o gosto pela sonoridade expansiva, feita para ecoar por grandes arenas, são outros fatores que ajudam a colocar o Halestorm entre as maiores bandas de hard rock do momento.

Aproveitamos que o quarteto está muito perto de desembarcar novamente no Brasil – tocam nesta quarta-feira no Maximus Festival, em São Paulo – e conversamos com o baixista Josh Smith. Ele comentou a recepção do disco mais recente, Into the Wild Life (2015), analisou seu amadurecimento ao longo da carreira, se derreteu por Lzzy, e disse não ter medo do Zika Vírus – ao contrário de, aparentemente, todos os outros estrangeiros do mundo.

Leia abaixo!

Halestorm- assista à trechos do show da banda na Bélgica

TMDQA!: O Halestorm lançou seu álbum mais recente (Into the Wild Life) em abril do ano passado. Desde então, vocês praticamente não pararam de fazer shows ao redor do mundo promovendo-o. Como tem sido a recepção a ele e a experiência de tocar suas músicas ao vivo?
Josh: A recepção tem sido incrível, de verdade. Acho que, se você procurar nas mídias sociais por pessoas que não gostaram dele, vai encontrar. Mas os nossos fãs ainda vêm aos shows e parece que trouxeram seus amigos, porque eles estão em maior número do que antes. Acho que têm gostado muito, muito mesmo! E nós temos nos divertido muito. O que esse álbum traz é uma outra série de sons e vibes: músicas mais lentas, mais soltas. E nós exploramos essa variedade de estilos de rock, e também de música em geral. Esse álbum, comparado com nossos trabalhos antigos, com certeza tem uma vibração diferente. Acho que os fãs realmente gostaram e tem sido muito legal tocar as músicas. Fazer turnê é aprender, e temos aprendido muito.

TMDQA!: Eu li críticos dizendo que é o álbum mais acessível da banda, e que a sonoridade se distanciou dos discos anteriores, se tornando mais ‘pop’. Você concorda com essa opinião?
Josh: Sim, ele é mais acessível mesmo. Digo, eu certamente não discordo disso (risos). Gosto que eles achem o álbum tão acessível. Não sei, essa é uma afirmação muito vaga. Para mim, pelo menos, ele é mais acessível. Nele, nós demonstramos um lado mais suave do rock, e não há nada de errado com isso. Posso concordar com essa afirmação. Mas é engraçado, acho nossos outros dois álbuns muito mais polidos e esse bem mais ‘cru’. Talvez seja só meu próprio ouvido crítico notando o que aconteceu durante as gravações. Do meu ponto de vista é um disco que soa muito como se tivesse sido gravado ao vivo, mais do que os dois primeiros. Liricamente, para nós, ele é com certeza muito mais aprofundado. Mas sim, legal, vou concordar com essa afirmação (risos).

TMDQA!: Acho que foi um jornalista do The Guardian (Inglaterra) que falou isso. Ele fez uma resenha meio morna e disse que a produção do disco estava polida demais. Eu não sei se concordo com isso também, e queria saber se você concordava.
Josh: Bem, novamente: não sei o que eles querem dizer com “sonoridade pop”, se soa como música popular ou se é artificial. Acho que é um disco bem cru e ‘sujo’. Então desse ponto de vista eu discordo, mas concordo a respeito da acessibilidade.

TMDQA!: No momento vocês são, sem dúvida, uma das maiores bandas de hard rock com uma mulher nos vocais. Como é ter a Lzzy como vocalista? Acha que a sonoridade e a maneira de compor de vocês seriam completamente diferentes se não fosse por ela?
Josh: Oh, com certeza. Todos meus colegas de banda são talentosos, mas Lzzy… o poder que ela tem de ser uma frontperson (líder de banda)… ela é uma cantora muito poderosa. E no mundo do rock, mas também da música em geral, acho que não existem muitos cantores potentes de verdade como ela. Eu tenho muita sorte de fazer parte de uma força como essa. Isso é o que ela é – seja pela voz, pelo espiritualismo ou pela maneira de pensar, ela é uma verdadeira líder. É uma sensação ótima ter alguém em sua vida que seja tão icônica e talentosa assim.

TMDQA!: Você está na banda há mais de uma década. Como acha que evoluiu ao longo desses anos, tanto como artista quanto como pessoa?
Josh: Eu aprendi muitas coisas. Essa é uma ótima pergunta (risos). Aprendi a ser um músico melhor, e como ouvir e trabalhar com um grupo de pessoas em uma ‘bolha’ pequena para fazer música. Aprendi como ser um ‘político’, sabe, no sentido de que existem certos caminhos para manter diariamente a balança entre a arte e os negócios. Eu amadureci muito! No começo tínhamos muitas responsabilidades. Eu e Joe (Hottinger, guitarrista) levávamos a banda a todo lugar, depois Lzzy começou a levá-la a todo lugar, mas nós ainda éramos responsáveis por muitas coisas e agora temos sorte de ter uma equipe trabalhando para nós.

O início foi como os anos de faculdade: os pais não estão mais por perto, tem muita curtição e você se deixa levar o tempo todo. Nós ainda gostamos de ficar loucos e nos divertir, mas focamos muito no que faz o Halestorm funcionar. E nós tentamos continuar esse crescimento, como banda e como pessoas. Foi uma prova de fogo, mas eu aprendi a conviver com pessoas em lugares pequenos por longos períodos de tempo. É um ótimo experimento social. Você tem que ser um certo tipo de pessoa para não apenas fazer isso, mas para gostar de fazer isso. Com a nossa maneira de excursionar, há muito trabalho envolvido e você passa muito tempo longe da sua zona de conforto. Acho que esse é outro aprendizado que tive: o de se sentir confortável em estar desconfortável.

TMDQA!: O Halestorm já tocou aqui no Brasil antes. O que você lembra daquela época? 
Josh: O que eu lembro é que fomos duas vezes, para São Paulo e para o Rio de Janeiro. E todos nos perguntam: “Como é a América do Sul? Como é o Brasil, como são os fãs e as bandas por lá?”. E dizemos que existem ótimos fãs em todo lugar, fãs incríveis ao redor do mundo, mas que os brasileiros são realmente únicos com seu jeito de curtir shows. Vocês provavelmente já ouviram isso um milhão de vezes – espero que não seja entediante ouvir de novo! Nós enxergamos em vocês verdadeiros amantes da música. É isso que esperamos quando vamos aí, e ver e sentir essa energia dentro de um show é o que todo artista sonha. É uma sensação incrível.

TMDQA!: E vocês estão prestes a voltar. O que espera dessa passagem por aqui? Vão conseguir sair para passear pela cidade?
Josh: Nós temos um tempo livre, e eu quero muito sair… ok, vou te dizer uma coisa: talvez seja só a mídia sendo sensacionalista sobre o Zika Vírus, mas todo mundo está tipo “Oh meu Deus, vocês vão morrer!” (risos).

TMDQA!: Não, não, isso é muito exagero! Não vai acontecer nada, não se preocupe.
Josh: Eu sei! É muito engraçado, mas todo mundo com quem conversamos pergunta se não estamos com medo de descer para aí. Não, não estamos, acho que vamos ficar bem. Uma coisa que eu quero muito ver é que estaremos em algum lugar de Interlagos e eu sou muito fã de Fórmula 1. Eu AMARIA ver a pista! Não sei, acho que vou ter que olhar no mapa pra ver se consigo chegar lá.

TMDQA!: Um amigo meu que adora vocês gostaria de saber se estão planejando algum show separado, fora dos festivais, porque ultimamente vocês só têm tocado em festivais por aqui.
Josh: Seria incrível. Temos algum tempo livre por aí mesmo não sendo muito, e gostaria de fazer um show separado no dia anterior ou seguinte ao festival. Terei que conversar com meu agente e com a banda pra ver se conseguiremos fazer algo, mesmo que seja na terça-feira. Seria ótimo, porque adoraríamos tocar para o máximo de pessoas possível. Diga ao seu amigo que vou me informar e vamos ver o que acontece. Apenas mantenha seus ouvidos abertos que, com sorte, algo bom pode rolar.

Os ingressos para o Maximus Festival seguem à venda aqui.