Supercombo
 

“Também queria ser imaginário / aparecer só quando apropriado / sumir quando estiver dando tudo errado”.

O refrão de “Monstros”, quinta faixa de Rogério, não traz grandes metáforas nem faz grandes provocações ao ouvinte. São desejos inalcançáveis, mas tão presentes no dia-a-dia de alguns (ou muitos) de nós.

É com essa aptidão para compor canções com as quais podemos tão facilmente nos identificar que o Supercombo vem tomando a linha de frente da cena alternativa nacional. A ascensão estratosférica da banda nos últimos anos – que inclui (mas não se limita à) participação no programa Superstar, da TV Globo – tem levado o quinteto a festivais como o Lollapalooza e o João Rock, e os álbuns já acumulam dezenas de milhões de reproduções em serviços de streaming.

Rogério, uma exploração do ‘lado B’ do ser humano, é o quarto disco de estúdio do Supercombo e foi lançado há pouco mais de um mês. Aproveitamos a ocasião para conversar com Leonardo Ramos (guitarra e vocal), Carol Navarro (baixista) e Raul de Paula (bateria) sobre o conceito da obra, a experiência de trabalhar com nomes como Sérgio Britto e Negra Li e a trajetória da banda, entre muitos outros assuntos.

Leia abaixo!

supercombo

TMDQA!: Ouvindo o disco novo, dá pra perceber que o Rogério está mais para um conceito do que para uma pessoa. Como esse conceito surgiu e por que optaram por um nome tão comum?
Supercombo: Queríamos arrumar um rótulo para todo lado negativo e sombrio das coisas e das pessoas. Pra ser sincero nós optamos por um nome de gente pra que existisse uma zoeira por trás de um conceito sério mesmo. E narramos o roteiro do disco através da dualidade que existe dentro de todos nós. Ninguém é perfeito: todo mundo possui um lado ruim, negativo, que transparece de vez em quando.

TMDQA!: E como rolou o processo de composição desse álbum?
Supercombo: Estávamos fazendo o Rogério há dois anos e meio. Começamos a pensar nele logo depois de terminar o Amianto (2014). Compusemos no meio da estrada, enquanto fazíamos shows, e foi um lance bem suave e tranquilo. Quando chegamos no estúdio para começar a gravar, já tínhamos uma pasta cheia de ideias. A partir disso, fomos ‘decupando’ as coisas e encaixando elas na gravação.

TMDQA!: Esse disco tem várias participações especiais de artistas de todos os gêneros. Como nasceram essas parcerias e como foi a experiência de gravar com essa galera?
Supercombo: A gente tem muita sorte de ter tantos amigos talentosos. O Gustavo do Scalene, a Emilly do Far From Alaska, o Mauro de uma banda chamada Oficina G3, o Lucas da Fresno… o que rolou foi que buscamos uma galera próxima de nós e que poderia acrescentar algo ao disco. A exceção foi o Sérgio Britto que, depois que tocamos “Epitáfio” no Superstar, entrou em contato com a gente pra elogiar o cover. E também coincidiu de termos compromissos no mesmo lugar à mesma hora, aí aproveitamos a oportunidade.

TMDQA!: Vocês até fizeram a Emilly cantar em português!
Supercombo: Aeeee! A Emilly escreve e canta muito bem. Escreve aí na matéria que o próximo disco do Far From Alaska vai ser todo em português (risos)!

TMDQA!: Ao longo desses quase dez anos de carreira, como vocês acham que evoluíram tanto profissional quanto pessoalmente?
Supercombo: Nós aprendemos a ter paciência um com o outro. E hoje em dia não tem banda que não faça o business, o lado empreendedor da coisa. Ninguém só chega, toca e vai embora. Nosso maior aprendizado nos últimos três anos, época em que a banda cresceu muito, é que nós somos uma empresa com artistas e temos de lidar com as duas coisas ao mesmo tempo. Acho que aprendemos a fazer a ‘máquina’ funcionar tão bem quanto a música. Desenvolvemos nossa consciência de mercado.

TMDQA!: Vocês já estão bem consolidados no cenário nacional, tocando em festivais e ganhando atenção da mídia mas, de toda forma, ser banda de rock no Brasil em 2016 ainda pode ser um trabalho meio ingrato: ninguém mais compra CD, o gênero não recebe mais tanta atenção das rádios… quão viável é fazer o que vocês fazem hoje em dia?
Supercombo: A gente tá no nosso melhor momento da carreira. Não existem muitas rádios dedicadas para bandas como a nossa e a TV de uma forma geral também não é muito receptiva, mas a internet veio pra destruir tudo isso. Não precisamos de TV! Não existe mais tanta pirataria, porque o streaming tira o dinheiro e o sucesso da boca desses ‘barrigudos’ e redireciona pras bandas. O Spotify é hoje uma das maiores fontes de arrecadação dos artistas. Esse formato de comercialização da música ainda é muito novo, mas daqui a uns anos vocês vão ver no que isso vai se tornar!

TMDQA!: E agora, com quatro discos e um EP, como vão montar a setlist dos shows?
Supercombo: Vamos tocar durante quatro horas! Na verdade, nós tocamos os hits que não podem faltar pro público e as que não podem faltar pra nós. Temos uma ideia a transmitir nos shows, e as músicas têm que funcionar em conjunto pra que isso dê certo. E a partir de agora também vai existir uma preocupação com o visual do nosso show.

TMDQA!: Como está a agenda de vocês para o resto do ano?
Supercombo: Vamos tentar tocar no Brasil inteiro. Com certeza voltaremos para as cidades por onde já passamos antes, mas também temos várias datas ainda em negociação.

TMDQA!: Vocês têm mais discos que amigos?
Supercombo: O Leo tem mais discos, principalmente no Spotify… tem vários discos lá. O Raul não tem nem amigos!