Norah Jones - Day Breaks
 

Por Nathália Pandeló Corrêa, do site Pop & Etc

Ela gravou com Belle and Sebastian, Foo Fighters, Outkast. Fez filme com Jude Law, apareceu em “Ted” e gravou um disco inteiro com Billie Joe Armstrong (Green Day) reinterpretando um álbum dos Everly Brothers. Do disco de estreia Come away with me pra cá, Norah Jones trilhou um longo caminho, experimentando e se aventurando sem nunca abrir mão do que cativou público e crítica: sua voz doce e a forma como transitava com versatilidade entre o piano e a guitarra, entre o jazz e country.

Agora ela se prepara para lançar Day Breaks (Blue Note Records/Universal Music), seu sexto trabalho solo.

No primeiro single, “Carry On”, Norah já deu um gostinho do que vem por aí: um retorno às raízes da sua música, menos “Little Broken Hearts” e mais “Feels Like Home”. Para dar forma ao álbum, ela contou com a ajuda de grandes nomes do jazz, como o saxofonista Wayne Shorter, o organista Dr. Lonnie Smith e o baterista Brian Blade (este último integrante de banda que gravou o primeiro disco da cantora).

Day Breaks vai reunir 12 faixas, sendo 9 delas inéditas. Os temas das letras vão do amor em todas as suas formas e disfarces até política e sociedade. Para completar, três covers de Horace Silver (“Peace”), Duke Ellington (“Fleurette Africaine”) e Neil Young (“Don’t be denied”).

Tivemos a oportunidade de ouvir o álbum, que sai em 7 de outubro, e de conversar com a própria Norah Jones sobre o processo criativo por trás de “Day Breaks”.

Confira abaixo:

TMDQA!: Day Breaks é o seu sexto disco de estúdio. Depois de uma carreira tão bem sucedida, fica mais fácil? Ou ainda dá aquele friozinho na barriga antes de lançar um disco novo?

Norah Jones: Claro, mas eu diria que mais do que nervosa, fico mesmo animada. Porque toda vez que eu tenho a possibilidade de lançar novas músicas, é muito empolgante. Às vezes, ficar fazendo turnês e tantos shows pode ser muito exaustivo, então é bom sentar e compor e mostrar coisas novas.

TMDQA!: Eu tive a oportunidade de ouvir o novo disco, e apesar de às vezes ele parecer uma espécie de “alma gêmea” do Come away with me, também não parece nada – num bom sentido.

Norah Jones: Exatamente, não é? Sinto que o importante é continuar seguindo em frente.

TMDQA!: Isso! E, bem, você seguiu: entre esses dois discos, foram turnês mundiais, ganhou vários Grammys, uma carreira como atriz e várias outras coisas que te trouxeram até aqui, o presente. Então você acha que hoje você aborda esse novo trabalho como uma pessoa, artista e compositora completamente diferente?

Norah: Ah, sim. Acho que tudo que você faz na vida, forma o que você se torna. E eu sinto que evoluí bastante no que faço, sabe? Foi muito divertido tentar coisas diferentes, então sinto que foi uma boa forma de me tirar da zona de conforto.

TMDQA!: Acho que como artista, isso é muito importante, né?

Norah: Com certeza!

TMDQA!: Uma das coisas que mais se destacam em Day Breaks são os covers. E dá pra entender porque você escolheria fazer canções de Horace Silve, Duke Ellington e Neil Young, mas fiquei curiosa quanto a o que lhe fez escolher especialmente essas músicas. O que te atraiu nelas?

Norah: Bom, a do Neil Young, eu abri um show dele recentemente, e ele tocou essa música [“Don’t be denied”]. Também tinha participado de um tributo a ele, então acho que essa música ficou bastante na minha cabeça. Agora “Peace” [do Horace Silver], eu já tocava há uns 15 anos, cheguei até a gravar uma versão. Mas o que eu mais amo nessa música é a letra, e acho que ela pareceu muito apropriada para o momento, com tanto caos no mundo. A do Duke [“African Flower (Fleurette Africaine)”], eu estava gravando com o Wayne [Shorter, saxofonista], e foi uma música que escolhemos fazer porque acho que tem tudo a ver com o Wayne!

TMDQA!: Mas como pianista, você diria que o Horace influenciou o seu trabalho?

Norah: Eu adoro o jeito que ele toca, acho que ele é um artista excelente que eu amo e coloco pra tocar em casa. Sempre o admirei no piano, mas também fui muito influenciada por outros pianistas – como Bill Evans, Ray Charles, Nina Simone, Aretha Franklin…

TMDQA!: Só os grandes, né? (risos)

Norah: Sim, só os melhores! (risos)

TMDQA!: Queria te contar uma coisa: recentemente, fiz uma playlist com músicas que me deixam feliz, pra colocar no fim de um dia complicado. Pra mim, uma dessas músicas é “Happy Pills”.

Norah: Que legal, fico feliz!

TMDQA!: Mas e se você fosse montar uma lista assim, de músicas que te fazem cantar e dançar pela casa ou simplesmente trazem memórias felizes, como seria essa lista?

Norah: Nossa, recentemente eu estava tentando fazer exercícios e nada me animava! Então eu decidi colocar umas coisas dos anos 80 e deu muito certo! Deixa eu lembrar… Ah, tipo “Let’s hear it for the boy” [trilha do filme “Footloose”]! Ou então Madonna! (risos)

TMDQA!: Ainda falando um pouco sobre o que você curte ouvir, queria te contar uma coisa sobre o nosso site: o nome é “Tenho Mais Discos Que Amigos” [faço uma tradução livre do nome].

Norah: Que fofo!

TMDQA!: Pois é! Tem muito a ver com o fato de que a música que temos acaba se tornando nossa amiga, que nos conforta de várias formas diferentes. Então quais discos que você tem e que possuem esse significado pra você – de terem te acompanhado pela vida, nos momentos bons e ruins?

Norah: Eu tenho alguns assim. Tipo Everybody Knows This is Nowhere, do Neil Young. Ou então Red Headed Stranger, do Willie Nelson. São discos que eu ouço sempre e que me marcaram muito.

TMDQA!: Agora, pra terminar, preciso saber: faz um tempo que não te vemos no Brasil. Já tem planos de uma nova turnê? E quais as chances de te vermos por aqui?

Norah: Adoraria mesmo voltar! Ainda não sei, mas talvez no ano que vem eu consiga passar por aí. Já faz bastante tempo que eu fui! Quero muito retornar.

 

Day Breaks, sexto disco de estúdio de Norah Jones, será lançado em 07 de Outubro.