TMDQA! Entrevista: Rodrigo de Castilhos, da Urbann Boards

Marca brasileira de tênis para bateristas é referência mundial

 

Há pouco mais de 10 anos, Rodrigo de Castilhos ensaiava com sua banda quando percebeu uma situação peculiar: o baterista do grupo frequentemente trocava de calçados para, segundo ele “poder tocar melhor”.

Aquilo chamou a atenção do então guitarrista, que começou a perceber constantes reclamações de outros bateristas com relação aos tênis que utilizavam para tocar o instrumento. Os modelos não eram apropriados para a prática e, constantemente, acabavam atrapalhando as performances dos músicos.

Desde então, surgiu a idéia de fabricar um tênis desenvolvido especialmente para bateristas. Nascia a Urbann Boards.

Nós, do TMDQA!, batemos um papo por e-mail com o Rodrigo, que contou a respeito da parceria da marca – que completa 10 anos em 2016 – com grandes nomes da bateria mundial e falou sobre a nova linha de calçados, lançada este ano, desenvolvida para o público em geral. Confira abaixo.

TMDQA!: Como surgiu a ideia de criar modelos de calçados fabricados especialmente para bateristas?
Rodrigo: Foi num ensaio com a minha banda, quando vi o batera trocar de calçado antes de começar a tocar. Perguntei por que estava mudando de calçado e ele me respondeu que precisava trocar para poder tocar melhor. Foi aí que veio a ideia!

TMDQA!: Você toca bateria?
Rodrigo: Não toco bateria. Toco violão e guitarra, e minha formação é de estilista e modelista de calçados na escola ARS SUTORIA de Milão, Itália.
Até os nove anos, morava em Caxias de Sul (RS) e meu pai trabalhava em uma rádio. Eu costumava ir aos estúdios quase todos os dias e assim começou o meu apego e paixão pela música.

TMDQA!: Como se deu a parceria com grandes ícones mundiais do instrumento, como Neil Peart, Aquiles Priester, Virgil Donati e Dennis Chambers? E como foi o processo de desenvolvimento dos calçados com eles?
Rodrigo: Foi muito natural. Na realidade, eu não precisei ir atrás. O modelo chegou até eles antes mesmo de eu pensar em fechar alguma parceria. Foi através de amigos e indicações de amigos. A bateria é como uma religião.

Cada modelo assinado tem a sua particularidade e, em média, cada um deles levou 8 meses para ficar pronto.
O processo começou no design e posteriormente foi para o teste de campo. Tive que fazer algumas mudanças no projeto original de cada um, para poder atender 100% das expectativas de cada artista. Foi um momento de muito contato com todos eles e também de muito aprendizado, pois todos são extremamente perfeccionistas e não queriam endossar uma marca ou produto que não estivesse à altura de seu nome, imagem e performance.
Rodrigo de Castilhos
TMDQA!: A Urbann Boards também está trabalhando com uma linha de tênis casuais. Quando eles começaram a ser produzidos? Vocês se inspiraram em modelos clássicos para produzir os tênis e cativar o público?
Rodrigo: O processo de desenvolvimento desta linha de tênis casuais, que chamamos de linha trend, também foi muito natural, pois os modelos signature começaram a sair de trás da bateria espontaneamente. Os músicos das bandas começaram a ver os tênis dos bateras e começaram a usar. Aí, o público começou a ver os músicos usando e também quis usar.

Achamos, então, que as pessoas estivessem procurando por uma marca que identificasse o mundo da música e, mais do que isto, que tivesse identificação com o estilo de vida daquelas pessoas. Então, caiu a ficha! Surgiu a ideia de incrementarmos a linha, criando um outro segmento.

Os modelos da linha trend começaram a ser produzidos efetivamente no início de 2016. Os tênis da linha pro (modelos signature) foram lançados oficialmente em 2006. Estamos, portanto, comemorando dez anos de Urbann Boards neste ano.

Os clássicos se tornam clássicos porque, em algum momento da existência de uma marca, ficaram em evidência por conseguirem atender às expectativas de consumo e comportamento de um grupo de consumidores formadores de opinião.

Nós temos, sim, algumas re-leituras de alguns clássicos do mundo sneaker, mas também temos os nossos próprios clássicos, que acreditamos ter toda a nossa personalidade e proposta de marca inserida no design e na comunicação que fizemos.

Neil Peart

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