The Wonder Years

The Wonder Years é um dos maiores expoentes da nova geração do pop punk que começou a fazer barulho por volta de 2010. Ao lado de nomes como Four Year Strong, Man Overboard, Transit Fireworks, o sexteto da Pensilvânia deu novo gás ao gênero e se destacou pelos vocais ríspidos e lirismo introspectivo de Dan “Soupy” Campbell. 

A banda, que ainda conta com os guitarristas Casey Cavaliere, Matt Brasch e Nick Steinborn (também tecladista), o baixista Josh Martin e o baterista Mike Kennedy, despontou em 2010 com The Upsides, a primeira parte de uma trilogia que narra a luta externa e interna de um jovem adulto buscando resistir à solidão, perda, desesperança, e o mundo ao seu redor. O sombrio Suburbia I’ve Given You All And Now I’m Nothing (2011) consolidou o sexteto na cena, e The Greatest Generation (2013) concluiu a história de maneira grandiosa – com direito a um encerramento épico de mais de sete minutos.

Ao contrário de vários de seus contemporâneos – que perderam gás e entraram em hiato – o The Wonder Years segue crescendo e se consolidando na cena alternativa. O álbum mais recente, No Closer to Heaven, comercializou mais de 22 mil cópias em sua semana de estreia, em setembro do ano passado – número extraordinário mesmo se tratando de um lançamento da Hopeless Records, a gravadora independente de maior destaque nos últimos anos.

A banda está vindo ao Brasil pela primeira vez e toca em São Paulo e Curitiba, nos dias 20 e 21 de agosto. Os ingressos podem ser adquiridos aqui.

Conversamos com Soupy a respeito de No Closer to Heaven, álbum mais recente do sexteto, os desafios – físicos e psicológicos – que algumas músicas apresentam ao vivo, a trajetória da banda e o que ele espera dos shows no Brasil. Leia abaixo!

soupy the wonder years

TMDQA!: O quinto álbum de estúdio do The Wonder Years, No Closer to Heaven, saiu há cerca de um ano e vocês têm o promovido extensamente com turnês. Como tem sido a recepção dos fãs, da crítica, e o sucesso comercial dele? Sei que foi o álbum mais vendido de vocês na primeira semana de vendas.
Soupy: A recepção para este álbum tem sido a melhor de todas, nas três áreas que você mencionou. Ele vendeu mais cópias do que os outros, recebeu as melhores notas em resenhas… nós começávamos os shows com algumas músicas mais conhecidas, alguns hits, e recentemente mudamos isso: começamos eles com duas faixas do álbum novo. Felizmente a recepção foi ótima, todo mundo cantando junto. Então tem sido uma recepção incrível em todos os aspectos.

TMDQA!: Músicas como “Cigarettes & Saints”, “Stained Glass Ceilings” e “You In January” estão entre as mais sentimentais que você já compôs, e tocam em momentos muito pessoais da sua vida, assim como inúmeras outras canções de discos anteriores. Você já se pegou sem condições emocionais de cantar alguma música ao vivo?
Soupy: Já, e uma foi bem recente. Passamos pelo Japão no mês passado e tocamos “Dismantling Summer” em um dos shows. A música é sobre a primeira série de problemas do coração que meu avô sofreu há alguns anos. Ele sobreviveu daquela vez, e foi um alívio, mas acabou falecendo desta vez, enquanto eu estava lá no Japão. Fiquei muito emocionado e chorei na hora de cantar ela no show.

TMDQA!: Do segundo até o quarto disco o The Wonder Years construiu uma espécie de trilogia, com cada álbum complementando temas do outro. No Closer to Heaven é um capítulo separado, mas ele ainda toca em assuntos que foram abordados nos três outros. Você acha que a experiência adquirida ao viajar o mundo, ficar noivo e crescer como pessoa em geral te permitiu escrever de forma mais madura em relação às suas composições de 2010?
Soupy: Com certeza. No álbum buscamos dizer que, embora estejamos mais maduros e inteligentes, ainda somos um pouco bobos e inocentes. Aprendemos muito, mas sempre teremos muito mais a aprender e a fazer. O último trecho da última música, chamada “No Closer to Heaven”, diz: “Quanto mais perto chego / Mais distante me sinto / Posso ficar aqui na escuridão / Parece que estou andando em círculos há dias / Talvez eu nunca alcance os portões / Vou continuar caminhando de qualquer jeito / Não estou mais perto do paraíso“. Ao passo em que amadurecemos, ganhamos mais disposição para superar os desafios que a vida propõe, mas nunca estaremos satisfeitos; adquirimos confiança, mas não chegará um momento em que estaremos acima de tudo. Sempre há algo maior a buscar.

TMDQA!: E, olhando lá atrás, você se arrepende ou mudaria algo que escreveu ou o jeito que cantou em The Upsides (2010) e Suburbia, I’ve Given You All And Now I’m Nothing (2011)?
Soupy: Nós olhamos para trás com uma visão bem crítica de nós mesmos. Sempre buscamos nos superar com cada álbum. Acho que, se fôssemos reescrevê-los, iríamos mudar algumas coisas. Eu não estou descontente com aqueles álbuns ou o caminho que aquelas músicas tomaram, mas queremos sempre ser melhores do que éramos ontem. Temos que seguir criticando a nós mesmos, com o objetivo de sermos melhores,

TMDQA!: Existe um outro álbum lançado antes de The Upsides que tem letras e sonoridade bem diferentes das que nos acostumamos a ouvir do The Wonder Years. E visto que não tocam nada dele ao vivo, vocês realmente não o consideram como parte da discografia da banda, certo?
Soupy: É, aquele álbum é bem antigo, e não tocamos nada dele porque era como se fôssemos uma banda diferente naquela época. Se fôssemos incluir algo dele no setlist, teríamos que mudar completamente o tom do show e a nossa maneira de tocarmos.

TMDQA!: Você têm escrito músicas depois do lançamento do último disco? Pode nos dizer algo sobre a direção que a banda vai tomar, e se podemos esperar um novo trabalho até o ano que vem?
Soupy: Se fosse sair no ano que vem seria bem tarde no ano. Comecei a planejar algumas coisas, estou com um diário onde registro algumas ideias que possam passar pela cabeça, mas temos feito tantas turnês que ainda não tivemos tempo para entrar em um estúdio e compor. Provavelmente faremos isso no nosso inverno, que é no começo do ano que vem.

TMDQA!: Essas turnês constantes têm te deixado com muita saudade de casa? Já esteve em um show, mas com vontade de estar em outro lugar?
Soupy: Às vezes, quando estou fazendo check-in no aeroporto, ou quando estou em um quarto de hotel em uma cidade a milhares de milhas de distância da Filadélfia, sinto vontade de estar em casa. Mas quando tenho um microfone nas minhas mãos e um público atento e disposto a ouvir o que temos a dizer para eles, tudo flui naturalmente e não me dá vontade de estar em outro lugar senão em cima do palco.

TMDQA!: Vocês estão prestes a vir para uma série de shows na América Latina. Esta será a sua primeira vez por aqui? O que espera desses shows? 
Soupy: Essa é a grande questão! Não sabemos o que esperar. Falamos com os caras do Title Fight e do Circa Survive, que já fizeram shows na América Latina, e pelo que eles disseram acredito que será muito divertido e desafiador. Temos gente do Brasil, da Argentina, do Chile nos implorando há anos que visitemos estes países e faz muito tempo que eu quero ir. Queremos corresponder as expectativas desses fãs que ainda não tiveram a chance de ir a um show nosso.

TMDQA!: E o que você conhece do Brasil? Tem algo em especial que quer fazer por aqui?
Soupy: Pra ser honesto, não sei muito sobre o Brasil. Nossa agenda é tão apertada! Passamos tempo demais em aeroportos, e deles vamos direto para o hotel descansar e preparar-nos para os shows. Temos shows quase todos os dias e tenho medo de não termos muito tempo para passear por Curitiba e por São Paulo. Quando eu estava compondo o EP Won’t Be Pathetic Forever (2008) o meu colega de quarto era venezuelano, e ele sempre me falava de como o país dele era lindo. Por conta disso, sempre quis visitar o continente. Estou feliz de finalmente ter a oportunidade.

TMDQA!: Sei que você não pode estragar a surpresa para quem vai aos shows, mas consegue dizer o que podemos esperar da setlist? Ela vai ser focada em No Closer to Heaven ou será mais dividida entre os quatro álbuns?
Soupy: Como vocês ainda não assistiram nenhum show nosso, qualquer música será uma novidade. Então buscaremos balancear e mostrar um pouco de cada fase nossa.

TMDQA!: Eu, inclusive, te mandei uma menção bem egoísta no Twitter pedindo algumas músicas… 
Soupy: Quais você pediu?

TMDQA!: “Teenage Parents” e “I Just Want to Sell Out My Funeral“. Mas ignore o pedido! Sei que o set vai ser espetacular independente de qual for.
Soupy: Ah, eu acho que não vi isso. O problema com “Teenage Parents” é que ela exige um esforço muito, muito grande da minha voz. Nós quase não a tocamos por conta disso.

TMDQA!: Mas vocês tocaram “Hostels & Brothels” nos quatro shows que acabaram de fazer no Reino Unido! E sei que aquela música é horrível de cantar para você.
Soupy: Nós tocamos mesmo! E eu meio que me arrependo de ter feito isso. Minha garganta está arranhada e seca até agora.

TMDQA!: Por fim, você tem mais discos que amigos? 
Soupy: Tenho mais discos, mas eu não gosto de ficar sozinho. Então sempre chamo um amigo para ouvir algo ou pegar um café.