Marilyn Manson

Marilyn Manson, que formou a banda em 1989 sob a alcunha de Marilyn Manson & the Spooky Kids, lançou o primeiro álbum em 1994, o Portrait of an American Family, com produção do Trent Reznor (Nine Inch Nails, How to Destroy Angels).

De lá pra cá, já são nove discos de estúdio, dois EPs, um disco ao vivo, um DVD ao vivo, dois VHS que mostram imagens de bastidores e shows e um best of. Entre seus quase 30 singles lançados (ou mais de 30, considerando os promocionais), três deles são covers e que fazem parte de seus maiores hits: a icônica “Sweet Dreams (Are Made of This)“, que, por mais que também seja um clássico na voz de Annie Lennox do Eurythmics, foi tão brilhantemente modificada que virou praticamente uma canção própria do Manson; “Personal Jesus“, imortalizada pelo Depeche Mode e que, na versão cover, só ganhou um arranjo mais voltado pro rock industrial e “Tainted Love“.

Essa última é um caso curioso, porque a canção original é da cantora Gloria Jones, lançada em 1964, mas a grande maioria pensa que a música é do Soft Cell, que é onde ficou mais famosa nos anos 1980. Manson acabou se baseando nessa versão mesmo e ainda a descreveu como um “hip hop gótico” – em partes pelo videoclipe, em que ele se veste quase como um gangster em uma festa do filme Não é Mais um Besteirol Americano, no qual a música foi gravada para a trilha sonora.

Não é um hit por assim dizer, mas vale uma menção honrosa para “This is Halloween“, que tem composição original de Danny Elfman em 1993 e faz parte do filme O Estranho Mundo de Jack. Em 2006, o filme foi relançado numa versão 3D pela Disney e artistas foram convidados para regravarem as músicas que são usadas no filme e foi aí que Manson entra na história e a versão ficou muito legal!

O que muita gente não sabe, no entanto, é que ele gravou outros covers e a maioria saiu ou como b-side ou como trilha sonora de algum filme. Selecionamos os 11 mais legais e vamos mostrar aqui. Bora?

1“Down in the Park” – 1995

Down in the Park” é uma música lançada por Gary Numan em 1979 no álbum Replicas, quando sua banda levava o nome de Tubeway Army. Manson regravou e lançou em seu segundo single, “Lunchbox“, que saiu em 1995. A música foi tocada ao vivo no mesmo ano, mas parou por aí. Um detalhe bacana é que em 1998 Gary Numan chamou Manson para cantar essa música em um de seus shows.

 

 

2“I Put a Spell on You” – 1995

Mais tarde, no mesmo ano de 1995, Manson lançou o EP Smells Like Children, que também teve dedo do Trent Reznor. Na verdade, inicialmente era pra ser apenas um single da música “Dope Hat“, presente no Portrait of an American Family, mas após outras gravações que foram surgindo, a banda decidiu lançar como um EP.

É nele, inclusive, que está “Sweet Dreams (Are Made of This)“. Mas não foi só desse cover que o EP foi feito. Além dele, as duas únicas músicas inéditas que ele apresenta, são outras duas versões: “I Put a Spell on You” e “Rock n’ Roll Nigger“, mas vamos por partes.

I Put a Spell on You” é originalmente de Screamin’ Jay Hawkins, lançada em 1956. A música é um clássico e já entrou até pra lista das 500 Músicas que Moldaram o Rock n’ Roll feita pelo Rock n’ Roll Hall of Fame. O cara tava tão louco quando gravou que não conseguiu lembrar de nada depois, e mesmo assim virou seu maior sucesso. Ele também costumava usar objetos teatrais nos palcos, muitas vezes com viés macabro, o que o tornou, talvez, o primeiro shock rocker.

Manson regravou uma ótima versão e tocou ao vivo raríssimas vezes na época. O típico, “quem viu, viu”.

 

3“Rock n’ Roll Nigger” – 1995

Agora sim, vamos falar sobre “Rock n’ Roll Nigger“. A música original é da Patti Smith e saiu no disco Easter, de 1978.

Na música, Smith vê a palavra “nigger” como significado para rebelde e “desajustado” e é assim que ela se identifica ao longo da letra. O ensaio The White Negro, escrito por Norman Mailer em 1957 fala um pouco sobre isso, de jovens brancos que vão contra o que seu povo e sua cultura pregam e impõe aos outros, e acabam adotando a cultura negra pra si. A teoria é bonita, mas um tanto problemática, ainda mais se isso entrar em debate hoje em dia, mas isso não é assunto pra agora.

Manson também sentia-se assim, e foi a voz dos rebeldes e desajustados dos anos 1990 (e continua sendo), e regravou a música, incluindo até um trecho novo na letra, onde canta “Brian Warner, what a nigger!“. Brian Warner, pra quem não sabe, é ele mesmo, seu nome na certidão de nascimento. A versão é bem bacana, pesada e suja e é uma que foi tocada ao vivo ao longo dos anos. Não sempre, mas vira e mexe ela aparece nos setlists.

 

4“Golden Years” – 1998

Obviamente não poderia faltar. A maior inspiração de Manson sempre foi e sempre será o lendário e eterno David Bowie e em 1998 ele decidiu pegar “Golden Years” e regravá-la, que foi lançada como trilha sonora do filme Morte na Universidade. Manson manteve o clima dançante da música original e não decepcionou.

Golden Years” é de 1976 e saiu no álbum Station to Station.

 

5“Highway to Hell” – 1999

Nessa aqui o Manson também mudou bastante o formato da música. “Highway to Hell“, sim, a do AC/DC, faixa-título do álbum de 1979.

A versão ficou bem eletrônica e diferentona. Também foi gravada pra trilha sonora, pro filme Detroit Rock City, lançado em 1999.

 

6“Suicide is Painless” – 2000

Mais uma vez como trilha sonora, Manson lançou “Suicide is Painless” em 2000, pro filme A Bruxa de Blair 2: O Livro das Sombras.

Originalmente, ela foi escrita em 1970 por Johnny Mandel e Mike Altman para a série e filme M*A*S*H*. Manson já disse em entrevista que sempre achou meio estranho a música ser tão feliz com uma letra tão deprê, então resolveu fazer uma versão que combinasse. Se liga aí!

 

7“Five to One” – 2000

The Doors também é uma grande influência pro Manson e ele decidiu mostrar isso regravando “Five to One” e lançando como b-side do single da música “Disposable Teens“, do visceral Holy Wood (In the Shadow of the Valley of the Death), lançado em 2000.

Só uma observação sobre esse disco: é o álbum “pós-Columbine”, por assim dizer. Depois de ser colocado como culpado pela mídia e parte da sociedade pelo massacre no colégio Columbine, no Colorado, em 1999. Por isso o disco é visceral, dá pra sentir a raiva do Manson nas músicas e nas letras. Se não ouviu, ouça agora. É sério.

Ah sim, “Five to One” saiu em 1968, no disco Waiting for the Sun e em 2012, Manson tocou pela primeira vez essa música ao vivo, nada mais, nada menos com os membros remanescentes da banda, Ray Manzarek (que veio a falecer no ano seguinte) e Robby Krieger!

 

8“Working Class Hero” – 2000

Assim como David Bowie e The Doors já citados, Manson é um grande fã dos Beatles. No mesmo single de “Disposable Teens“, Manson também regravou “Working Class Hero“. A música faz parte do primeiro trabalho solo de John Lennon após sua saída dos Beatles, intitulado John Lennon/Plastic Ono Band, de 1970.

Ele chegou a tocar essa música ao vivo uma vez, em um show acústico que até hoje os fãs ficam esperando um bootleg porque há gravação de um trecho de “Working Class Hero” e ficou muito legal.

 

 

9“Surrender” – 2000

Na véspera de ano novo de 2000 pra 2001, Manson tocou no MTV New Year’s Eve que acontecia no estúdio da MTV em plena Times Square em Nova Iorque e, além de tocar “Disposable Teens” e “The Fight Song“, ele também mandou uma versão de “Surrender” do Cheap Trick e foi a única vez que tocou essa música, nem versão de estúdio existe, o que é uma pena. A versão original saiu no álbum Heaven Tonight, de 1978.

 

 

10“The KKK Took My Baby Away” – 2003

Em 2003, foi lançado um disco em tributo aos Ramones, chamado We’re a Happy Family – A Tribute to Ramones. O álbum foi todo supervisionado por Johnny Ramone e teve Rob Zombie como co-produtor e até o Stephen King escrevendo as considerações do disco. Manson, então, regravou “The KKK Took My Baby Away“, que está no disco Pleasant Dreams, de 1981.

Bandas como Red Hot Chilli Peppers, Garbage, Rancid e The Offspring também fazem parte desse tributo.

 

 

11“What Goes Around… Comes Around” – 2007

Sim, é o que você está pensando. Manson já regravou Justin Timberlake, e numa versão acústica! O próprio já disse em entrevista que gosta do trabalho do Justin, o que é muito legal, porque mostra versatilidade e mente aberta, apesar de toda a figura “grotesca” que as pessoas veem no Manson.

Essa versão rolou na BBC Radio 1, em Londres em 2007, quando o Manson estava divulgando o disco Eat Me, Drink Me. No mesmo dia, ele também tocou uma versão acústica do primeiro single de divulgação do álbum, “Heart-Shaped Glasses (When the Heart Guides the Hand)“.

A versão original está no disco FutureSex/LoveSounds, lançado no ano anterior, em 2006.

Então é isso, meu povo! Aproveitem a lista e conheçam esse outro lado dos covers que o Manson já fez e mais um pouco de seu trabalho além dos discos de estúdio e singles consagrados.