O TMDQA! esteve no show da Fresno em Ponta Grossa, no interior do Paraná, no dia 6 de maio, e aproveitamos pra bater um papo com a banda gaúcha antes da apresentação.

Apesar do frio e do pequeno atraso para chegar ao local, Lucas, Gustavo (Vavo), Mário e Thiago (Guerra) estavam bastante relaxados e dispostos a falar sobre o passado, presente e futuro da banda, que está finalizando sua turnê em comemoração pelos 15 anos de carreira.

fresno ponta grossaTMDQA!: Ao longo de mais de 15 anos vocês lançaram seis discos de estúdio, EPs, DVDs e sempre mantiveram uma base de fãs muito sólida e fiel. Quando vocês começaram a banda, imaginavam chegar perto de onde estão hoje?

Vavo: Quando começou, não!

Lucas: Ah, eu pensava, hein? (risos)

Vavo: Quando a gente percebeu que nossa música causava um impacto significativo na vida de pessoas…

Lucas: De cinco, seis pessoas! No mIRC [antigo aplicativo de chat] eu via a galera comentando sobre a gente e falava “nossa, que legal, como vocês conhecem?”. E aí começou a rolar aquela vontade de fazer a Fresno uma banda que as pessoas conhecessem e gostassem. Mas não tínhamos a menor ideia do que fazer, e nem colocávamos nada como objetivo definido. Também não ficávamos olhando pro ‘cume da montanha’, porque tinha muita coisa pra fazer aqui embaixo.

TMDQA!: Nessa turnê vocês estão contemplando todas as épocas da banda e tocando músicas dos primeiros discos, como “Evaporar”, e canções mais recentes como “Eu Sou a Maré Viva”, do último EP. Com tantos lançamentos, como acontece a seleção do que entra pro show e do que sai?

Vavo: A gente tem um globo com várias bolinhas de plástico…

Lucas: Tem um chapéu seletor.

Vavo: Mas selecionar as 24 que compõem o disco ao vivo foi um processo bem difícil, tendo tantos lançamentos pra escolher. Passamos uma tarde inteira pra decidir, porque envolve músicas que nós gostamos de tocar, músicas que os fãs gostam, os hits, então fizemos uma média entre tudo isso pra chegar no repertório final. Mas nunca vai agradar todo mundo.

Lucas: O bom é que depois de seis discos não tem mais essa de ter que escolher uma música de cada. Abrimos mão de alguns hits de rádio porque tem várias outras que se encaixam melhor no conceito do show. Então temos material pra brincar com isso. Melhor do que no começo da carreira, que não tinha música pra encher 1h30 de show.

TMDQA!: Depois dessa turnê a banda já parte pra fazer mais shows, dessa vez em comemoração dos dez anos do disco Ciano. Não chega uma hora em que vocês ficam de saco cheio e com saudade de casa, da família, dos amigos?

Lucas: Eu tenho uma família recém-formada, minha filha acabou de nascer. Mas quando você sai pra turnê, não é como os gringos que saem e ficam três meses longe de casa. Aí é realmente uma renúncia muito grande, mas quando chegam em casa eles ficam um mês lá pra compensar. E com a gente é quase um emprego de firma, nós realmente trabalhamos no final de semana. Então já temos na cabeça, há dez anos, que em muitas ocasiões o final de semana vai ser de trabalho, não de descanso. Até por isso vamos dar um tempo entre essa turnê e a próxima.

Guerra: E mesmo assim quando rola de alguém querer dar uma pausa, temos um diálogo a respeito disso.

Vavo: E aproveitamos quando as turnês passam perto das nossas cidades. Fizemos show em Recife em fevereiro, então o Mário e o Guerra aproveitaram pra ficar mais uns dias lá. Vamos pra Curitiba amanhã, então depois vou pra Porto Alegre passar o dia das mães lá. O Lucas é de Fortaleza, quando foi lá aproveitou pra ver a mãe.

TMDQA!: E como é tocar hoje as músicas que já tem mais de dez anos? Acontece de vocês ouvirem e pensarem algo como “ah, hoje eu não faria isso desse jeito”?

Lucas: Eu digo que, se fosse apagar todas as minhas tatuagens hoje, eu iria fazer outras e elas não seriam as mesmas. Mas por serem tatuagens, que é um negócio importante, você não faria algo que te comprometesse, tipo tatuar o nome da mina ou a cara dela… ah, o Guerra tem a cara da mina dele…

Mário: na bunda!

Lucas: E pro fã isso não faz diferença ser do primeiro disco ou do décimo disco, entendeu? Eles meio que te mostram que aquilo não tá datado. A gente usa a resposta do fã como uma renovação e o resto é questão estética, de antes tocar guitarra de um jeito e agora tocar de outro. O Guerra não gravou os primeiros discos, por exemplo, então existe uma reimaginação por parte dele quando tocamos as antigas, mas não ficamos atualizando o tempo todo.

TMDQA!: Terminadas essa turnê e a próxima, do Ciano, o que a Fresno tem nos planos?

Lucas: Desde outubro do ano passado estamos desenvolvendo um disco novo, entre as turnês. E aí entre uma turnê e outra nós ensaiamos um show novo, um setlist novo. Então a ideia é sair sempre emendando tudo, bem louco!

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E é claro que também rolou resenha do show! Você pode ler aqui.