Em março o Face to Face lançou Protection, nono álbum de estúdio de um dos grupos mais influentes da saudosa geração noventista do punk rock californiano. Elogiado pelos fãs como um dos melhores trabalhos da safra recente da banda, Protection marca o retorno do quarteto à Fat Wreck Chords, gravadora chefiada pelo Fat Mike do NOFX, e foi produzido pelo grande Bill Stevenson, baterista do Descendents.

Depois do tom político do clipe de “Bent But Not Broken”, a banda acaba de lançar o segundo clipe do álbum, para a faixa “Double Crossed”, dirigido pelo brasileiro Daniel Ferro, fã de longa data do Face to Face. Brasileiro mais ou menos, porque oficialmente o Daniel nasceu no Canadá. Mas pai, mãe e país é quem cria, então a gente trata como brasileiro mesmo. ¯\_(ツ)_/¯

Conhecido pela direção de clipes e DVDs de artistas como Erasmo Carlos, Fresno, NX Zero, Raimundos e Dead Fish, Daniel (ex-baterista do grupo carioca emo.) conheceu o Face to Face face a face (HA!) há mais de 15 anos, e chegou a gravar um mini-documentário sobre o retorno da banda após uma breve separação entre 2004 e 2008. Hoje, Daniel detalhou com exclusividade para o Faixa Título a relação dele com o Face to Face, e a experiência de dirigir um clipe para uma das bandas favoritas:

“A história começa em 1999 ou um pouco antes. Viciado nos 3 primeiros discos do Face to Face, descobri que eles iriam fazer uma turnê nos EUA em bares pequenos. Comprei passagem e fui na cara dura, metendo um ‘Eu vim do Brasil só pra ver vocês’ (não era mentira). Os caras foram super gente fina e ficaram surpresos que tinha fã dedicado assim vindo de longe.

Em 2002, no auge da onda Vagrant RecordsGet Up Kids, Face to Face, Dashboard Confessional, Saves the Day – foi a vez de me lançar à Inglaterra pra ver os caras. Metendo novamente o papo ‘sou do Brasil e vim de longe só pra ver vocês de novo’ (novamente, não era mentira), eu acabei entrando com os caras no show e trabalhei como roadie deles num show que eles abriram pro Foo Fighters (e conheci pela primeira vez o Dave Grohl), ou seja… Sonho total.

Em 2004 a banda anunciou que ia acabar. Fizeram 3 shows (gravando DVD ao vivo em Los Angeles) e lá fui eu de novo. Em 2008 eles voltaram e lá estava eu mais uma vez, mas agora com uma câmera na mão pra registrar o show do retorno, em Pomona, Califórnia. Desse registro, editei um mini-doc que acabou rodando o mundo, divulgando que a banda tinha voltado. Na época ainda coloquei pilha deles virem pro Brasil e ainda mostrei a eles um show do CPM22 (na época, no topo das paradas do Brasil) tocando um cover deles pra 50 mil pessoas. Eles pilharam.

Face to Face
A banda e Daniel (de costas, com a câmera), no set de “Double Crossed”

Em 2008 mesmo vieram pro Brasil e nessa altura do campeonato os caras já me tratavam como velho conhecido, não apenas como o fã que sempre fui. Da última vinda ao Brasil em 2015, no camarim da banda, o Trever Keith, vocalista do Face to Face, me mostrou algumas músicas do Protection, disco que sairia este ano seguinte. Imediatamente eu joguei um verde: ‘Vamo fazer um clipe desse disco?!’.

Pra minha surpresa, rolou.

Ele colocou a Fat Wreck em cópia no email, passagens compradas e o resultado ta aí: muito amor por uma banda e sempre lembrando das palavrinhas mágicas ‘eu vim do Brasil só pra ver vocês’. Faz milagres”.

Assista ao clipe de “Double Crossed”: