Brian
 

O guitarrista Brian Welch está de volta ao Korn desde 2013, quando participou das gravações do mais recente álbum da banda, The Paradigm Shift.

Desde então, ele chegou a publicar um novo livro, chamado With My Eyes Wide Open: Miracles and Mistakes on My Way Back To Korn (em tradução livre: Com os Olhos Bem Abertos: Milagres e Enganos no meu Retorno ao Korn).

Nele é contada a história de como foi seu tempo afastado da banda, muitas vezes com detalhes bem pessoais sinistros.

Pode-se dizer que o livro chega como uma espécie de continuação do primeiro, Save from Myself (Me Salvando de Mim Mesmo), de 2008, em que ele aborda o tormento dos problemas com as drogas, os altos e baixos com a banda e a conversão ao Cristianismo.

Dessa vez, ele detalha o quão difícil foi voltar a viver uma “vida normal” estando fora da banda e da cena musical como um todo. Sempre com uma sinceridade fora do comum, Welch tem a habilidade de chocar a todos usando apenas a realidade, o cotidiano.

Ele cita, abertamente, o peso que foi a descoberta das tendências suicidas de sua única filha, Jennea, assim como as enormes dificuldades financeiras enfrentadas ao longo dos anos. A batalha foi longa e suada na luta pela paz de espírito que precisava para conseguir se juntar ao KoRn novamente.

A gente tinha falado dele aqui na semana passada, quando ele comentou a volta às raízes para o novo disco e o quanto o novo trabalho soará mais “visceral”.

Dessa vez, em nova entrevista para a Rolling Stone, Brian segue dando interessantes detalhes sobre a produção do disco e sua relação com fãs e religião. Siga a seguir:

 

Por que você quis escrever um novo livro?

Eu quis explicar o que me levou a retornar. E também, um bocado ali é sobre minha filha. Eu escrevi sobre ela no primeiro livro, então nesse eu mostro o que aconteceu depois.

Eu divido muitos detalhes íntimos sobre vê-la lutando contra uma depressão e até a auto-mutilação enquanto ela se tornava uma adolescente.

 

Algumas partes do livro são chocantes. Como você se motivou a ser tão aberto enquanto estava escrevendo?

Eu aprendi como fazer isso com o primeiro livro, quando escrevi sobre meu vício em metanfetaminas e toda a loucura com a minha ex-mulher. Toda vez que dividi algo que fosse pessoal, alguém chegou pra mim e disse “Obrigado por dividir isso. Você não tem ideia como nossas vidas são parecidas.” Então eu sinto que é assim que eu deveria fazer.

 

O quão difícil foi pra você reviver tudo aquilo enquanto estava escrevendo?

Eu fiquei preocupado que as lágrimas pudessem estragar meu computador. Eu realmente chorava enquanto escrevia todas essas coisas.

 

Uma das partes mais interessantes é quando você pede a permissão da sua filha para retornar ao KoRn, mas você superou isso bem rápido. Pode nos contar mais a respeito?

Quando eu não estava na banda, o empresário do KoRn me ligava a cada ano ou dois pedindo para voltar. Eu estava fazendo tardes de autógrafos para meu livro, aí eles me mandavam alguém pra dizer “Ei, seria legal tê-lo de volta algum dia.”

Minha filha tinha uns 8 ou 9 anos na época, e dizia “Não, pai. Você não pode voltar pra essa banda.”

Então, quando eu realmente fui falar com ela sobre isso, não foi tipo “Jennea, posso voltar ao Korn?” foi mais tipo “Como você se sentiria sobre isso?” Aí ela disse “Seria incrível. Eles são seus irmãos, e você cresceu com eles. Eu acho que os fãs precisam de você.” – porque muitos deles ainda estão apegados à vida louca que eu tinha e descrevi no primeiro livro.

Talvez com isso eu poderia ajudar algumas pessoas. Foi o tempo, simplesmente. Ela sabia, e eu sabia.

 

Os fãs do Korn aceitaram a forma como você mudou?

Sim. Muitos deles mudaram comigo. Mas tudo mudou. Agora existem atletas e todo tipo de músicos que são cristãos, de Iron Maiden a Alice Cooper. É mais aceitável agora. Eu não sou o único “esquisitão”.

 

A quantas anda o novo álbum do Korn?

Estamos tentando terminá-lo. Já tem um ano que estamos trabalhando nisso. Temos pensado “O que é o Korn? O que nós criamos?” E tudo começava nos shows. Eu sinto que nós estamos com o som e a vibe do Korn, mas nós capturamos a intensidade do que o KoRn sempre foi. Temos 11 músicas. É o álbum mais intenso e energético do KoRn em 10 anos ou talvez até mais. Ele será lançado no próximo verão.

Eu também vou lançar músicas solo com minha banda Love and Death no final do ano. Nós lançamos uma música chamada “Lo Lamento” cerca de um mês atrás.

 

Você está trabalhando em um novo livro?

Estou parando com os livros, por um tempo. Eles requerem muito do seu tempo e  de você mesmo. Talvez eu escreva mais um no futuro, quando meu cabelo começar a ficar branco e eu estiver tipo o Gandalf, como aqueles dreads e a barba branca.