Kylesa toca Black Sabbath

Desde que o mundo é mundo, bandas reverenciam suas influências diretas em versões de suas músicas e muitas vezes presenteiam os fãs com covers tão bons ou até melhores que as originais. Listamos aqui, 11 belos exemplos feitos por bandas de metal que você deveria ouvir.

Divirta-se!

Kylesa – “Paranoid” (Cover de Black Sabbath)

Na ativa desde 2001 (mas com um hiato já anunciado), o conjunto norte-americano Kylesa pratica um sludge metal com requintes de stoner metal e nos lançamentos mais recentes, enveredou para o lado psicodélico.

Assim como qualquer conjunto de música pesada, a banda bebe da fonte de gigantes do estilo como Black Sabbath, e resolveu homenageá-los em 2015, no seu último registro de estúdio até então, chamado Exhausting Fire, com uma versão totalmente hipnotizante de “Paranoid”, como se a faixa título do segundo disco dos monstros de Birmingham encontrasse outra canção que integra Paranoid, a inebriante “Planet Caravan”. Delicie-se:

 

Anthrax – “Anthem” (Cover de Rush)

Todos sabem que um dos maiores prazeres do Anthrax – grupo capitaneado pelo guitarrista Scott Ian e uma das integrantes do famoso Big Four do thrash metal – é homenagear suas influências.

Em seus registros oficiais, a banda presta tributos a quem ajudou a modelar sua sonoridade desde o seu primeiro disco, Fistful of Metal (1984) onde podemos ouvir o cover de “I’m Eighteen” de Alice Cooper, numa versão bem mais rápida e pesada.

De lá para cá, a banda mudou de formação algumas vezes, passou por crises internas, mas voltou renovada com o poderoso Worship Music de 2011, com o vocalista preferido dos fãs assumindo os microfones, Mr. Joey Belladonna. Em 2013, o conjunto resolveu lançar um EP com o nome de Anthems, mais uma vez prestando homenagem às bandas que a influenciaram e um dos destaques vai para o cover de “Anthem” (proposital?), do Rush. O instrumental soa mais pesado, rápido e um pouco ríspido em relação à versão limpa dos canadenses, mas o destaque fica por conta das linhas vocais de Belladonna, onde podemos traçar uma comparação com Geddy Lee, que nessa época dava agudos sensacionais.

Ouça:

 

Opeth – “Circle of the Tyrants” (Cover de Celtic Frost)

Outro importante nome do metal mundial dos últimos anos que sempre que pode homenageia suas influências, é a banda sueca Opeth.

Um dos expoentes do progressive death metal, o conjunto liderado pelo brilhante Mikael Åkerfeldt tem em seu currículo covers de clássicos de bandas como Iron Maiden e Deep Purple, além de ter batizado uma das suas obras mais importantes com o nome de um grupo obscuro dos anos 70, o Blackwater Park.

Esses são apenas alguns exemplos de como Mikael e companhia adoram prestar homenagem às suas bandas preferidas. Extraído do tributo In Memory of… Celtic Frost (1996), “Circle of the Tyrants” ganha uma dose extra de malevolência (seria isso possível?) e rispidez na versão do Opeth, onde Mikael – conhecido pela sua alternância vocal – consegue captar e executar com excelência a atmosfera macabra que a música exige. Em 2000, o disco My Arms, Your Hearse foi relançado, adicionando esta verdadeira pérola obscura. Ouça:

 

Death – “God of Thunder” (Cover de KISS)

Apimentando um pouco a lista, talvez esteja aqui o cover mais inusitado desta matéria. Liderado pelo saudoso Chuck Schuldiner, o Death é reconhecidamente um dos responsáveis pela criação do que se convencionou chamar de death metal, e pela sonoridade brutal e muitas vezes violenta apresentada pela maioria das bandas do estilo, e uma versão de uma banda como o KISS é, no mínimo curioso.

Extraída da versão japonesa de Human (lançado em 1991, e relançamento de 2011), “God of Thunder” – que saiu originalmente no magistral Destroyer (1976) – não só mantém sua aura soturna e amedrontadora, como potencializa esse sentimento traduzido pelo vocal sombrio de Chuck, o baixo do mestre Steve DiGiorgio – sempre marcado – e pela bateria de Sean Reinert, formando uma belíssima cozinha para um cover interessantíssimo:

 

Darkthrone – “Love in a Void” (Cover de Siouxsie and the Banshees)

Uma lenda homenageando outra. O seminal norueguês Darkthrone, um dos expoentes máximos da segunda safra do black metal lançou em 2006 o EP Too Old, Too Cold com o cover desta que é uma das mais insanas composições já feitas por Siouxsie and the Banshees, lançada como lado B do single Mittageisen (Metal Postcard) em 1979, época em que o post-punk imperava nos ouvidos britânicos.

Falando do cover, o caos impera na versão de Fenriz e companhia. A banda, que há muito deixou de lado a sonoridade que a catapultou, pratica aqui um crust punk de altíssimo nível, dando uma dose de violência cavalar ao cover já desordeiro da Sra. Siouxsie e companhia:

 

Type o Negative – “Day Tripper (Medley): Day Tripper/If I Needed Someone/Day Tripper (Reprise)/I Want You (She’s So Heavy)” (Cover de The Beatles)

Surpreso? Pois lhe digo que o Type O Negative é mais uma dessas que homenageia suas influências de quando em quando. Exemplo claro disso é o cover de “Cinnamon Girl” do Neil Young que encontramos no disco October Rust (1996), antecessor de World Coming Down (1999), álbum em que este medley aparece. O doom metal com doses gothic é apresentado neste medley de forma magistral pela banda norte-americana e à primeira impressão, pensamos se tratar de um tributo aos Beatles com Tony Iommi nas guitarras, tamanha similaridade nas notas.

A interpretação carregada de entonação do finado Peter Steele é um dos destaques do cover e a cozinha, a cargo do próprio no baixo e de Johnny Kelly na bateria dão a sensação de o Black Sabbath ter feito um disco todo em tributo ao The Fab Four. Incrível:

 

Trouble – Tales of Brave Ulysses (Cover de Cream)

Extraído de um relançamento do primeiro disco de um dos grupos mais importantes do doom metalPsalm 9 (1988, lançado originalmente em 1984) – o Trouble encheu de peso este clássico do Cream, que faz parte do aclamado Disraeli Gears (1967), merecidamente reconhecido como um dos baluartes da história do rock.

O grupo, que ao lado de Black Sabbath, Led Zeppelin, Deep Purple, The Jimi Hendrix Experience e Blue Cheer é comumente associado como um dos responsáveis pelo surgimento do metal, influenciou tantas bandas deste estilo que esta homenagem até soa um tanto quanto óbvia. O tributo do Trouble ao Cream exalta o que a banda tem de melhor, criando riffs pesadíssimos, auxiliado por uma cozinha de peso, enquanto que Eric Wagner canta com uma propriedade impressionável, chegando a lembrar o ótimo Jon Oliva (Savatage, Jon Oliva’s Pain, Trans-Siberian Orchestra etc):

 

Angra – “Wuthering Heights” (Cover de Kate Bush)

Dado todo o contexto erudito pelo qual o Angra construiu sua carreira e sempre prezou em toda sua discografia, um cover de uma artista como Kate Bush não chega a ser surpreendente. A cantora é uma das mais aclamadas do chamado art pop, gênero que “aspira deliberadamente aos valores da música clássica e poesia” segundo Stephen Holden e remetendo isso à sonoridade da banda brasileira, é totalmente compreensível o Angra ter escolhido esta música como cover.

Lançado no aclamado Angels Cry (1993), “Wuthering Heights” segue a sua construção original fielmente, cabendo ao André Matos o destaque máximo, que aqui, canta magistralmente e ainda esmerilha o teclado com sofisticação ímpar:

 

The Dillinger Escape Plan – “My Michelle” (Cover de Guns N’ Roses)

Catastrófico. Assim é o mathcore, gênero ritmicamente complexo advindo do metalcore. Assim também é a música praticada pelo The Dillinger Escape Plan, uma das bandas mais representativas do metal moderno.

Em um cover inusitado lançado na versão japonesa do disco Miss Machine (2004), a banda transformou o hino do Guns N’ Roses numa verdadeira confusão, como um convite irresistível ao pogo e à abertura de rodas gigantescas. O disco marca a entrada do excelente vocalista Greg Puciato:

Machine Head – “The Sentinel” (Cover de Judas Priest)

O metal não é futebol, mas é uma caixinha de surpresas.

Robert Flynn é um velho conhecido da cena, tendo integrado bandas de respeito como Forbidden e Vio-Lence, estando à frente do Machine Head desde 1992, lançando discos com frequência, mas nunca tendo o devido reconhecimento. Até que a partir de 2003, o conjunto lança uma série de álbuns muito acima da média e se torna uma das mais respeitadas da cena atual.

Dentre estes, destaque para Unto the Locust (2011), de onde este cover foi retirado (da versão deluxe, para ser mais preciso). A banda conseguiu adaptar um dos hinos do Judas Priest (do clássico álbum Defenders of the Faith, de 1984) à sua sonoridade sem soar datado ou pouco original. Muito pelo contrário, “The Sentinel” combinou perfeitamente com o groove preciso de Robb Flynn e companhia:

 

Krisiun – “Refuse/Resist” (Cover de Sepultura)

Nada mais justo que terminar esta matéria com uma das bandas brasileiras mais respeitadas mundo afora prestando homenagem à maior do metal tupiniquim, não? O Krisiun, entidade musical dentro do death metal é outro fiel escudeiro de suas influências e as homenageia sempre que pode, desde o lançamento do já longínquo Black Force Domain (1995) que conta com covers de músicas do Sodom e Kreator no seu relançamento de 2001, até os dias de hoje.

“Refuse/Resist”, que já nasceu clássica e corrosiva nas mãos do Sepultura, se torna ainda mais virulenta, brutal e insana nas do trio gaúcho: