Clarice Falcão
 

Desde que lançou seu primeiro disco de estúdio, Monomania, a cantora Clarice Falcão ficou conhecida pelo folk e músicas que envolviam basicamente voz e violão e crônicas das mais divertidas sobre assuntos dos mais pessoais, resultado em um dos melhores discos nacionais de 2013.

Ao gravar seu novo álbum, Problema Meu, a cantora embarcou em uma nova fase, nova sonoridade e para isso se juntou ao mais que competente produtor Kassin e uma banda “de verdade”, resultando em canções mais encorpadas e com uma cara diferente do que foi ouvido no primeiro trabalho.

Após deixar o Porta Dos Fundos, do YouTube, Clarice tem se dedicado à divulgação do novo álbum e conversamos com ela sobre tudo que tem acontecido de lá pra cá, suas influências, empoderamento feminino e mais. Além disso ainda fizemos uma entrevista divertida no Snapchat e você pode ver tudo na sequência.

Leia!

TMDQA!: “Problema Meu”, seu novo disco de estúdio, é claramente um álbum de transição entre o primeiro trabalho, “Monomania”, e essa sua nova fase. Enquanto no primeiro as canções eram baseadas em voz e violão, agora há instrumentação mais apurada, banda cheia e diversos outros elementos. Como foi o processo de maturação de lá pra cá, e por que essa escolha de mudança de formato?
Clarice Falcão: O Monomania era quase obsessivamente monotemático e os arranjos eram bem minimalistas e parecidos entre si. A proposta dele era essa mesmo. Mas eu sabia que essa proposta não tinha fôlego pra mais de um disco e que se eu fizesse outro, seria legal que ele fosse diferente.

TMDQA!: Essa nova apresentação tem a ver com a decisão de se concentrar na carreira musical e priorizá-la em relação à carreira de atriz? Você realmente pretende dividir o tempo dessa forma, priorizando discos e turnês?
Clarice Falcão: Eu me entedio fácil, então não planejo escolher fazer uma coisa só pra sempre. Acontece que um perigo de fazer tudo ao mesmo tempo é fazer tudo meio mais ou menos. Achei que era importante tirar um tempinho pra lançar esse CD direito, depois de passar esses três anos trabalhando no Porta dos Fundos direto.

TMDQA!: No primeiro álbum muita gente acabou associando seu trabalho única e exclusivamente a quadros do Porta dos Fundos de voz e violão, com tom humorístico, e deixou de ouvir um baita disco recheado de grandes canções e uma parceria com o SILVA, por exemplo. Isso chegou a te influenciar na hora de pensar nos próximos passos da carreira?
Clarice: Poxa, obrigada! Eu acho que rolava essa confusão, sim – e deve ser confuso mesmo. Eu cheguei a cantar no Porta, cantei no comercial do Pão de Açúcar (até hoje todo mundo acha que a música do Pão de Açúcar quem compôs fui eu) é difícil separar as coisas. Espero que isso vá mudando com o tempo.

TMDQA!: Como surgiu o processo de montagem da sua banda e a participação do Kassin? Do grupo que gravou o disco, quem segue em turnê com você?
Clarice: Eu chamei o Kassin porque tinha muita vontade de passear por gêneros diferentes nesse segundo álbum. Tinha a impressão de que o Kassin gostava de experimentar – foi uma impressão acertada. Ele produz de Los Hermanos ao Buchecha. Foi ele quem montou a banda do álbum e a banda da turnê. No álbum gravaram o próprio Kassin e o Diogo Strausz revezando baixo e guitarra, o Danilo Andrade no teclado e o Fred Ferreira na bateria. Na turnê o Fred e o Diogo não puderam fazer, então entraram o Pedro Garcia e o João Erbetta.

TMDQA!: Muitas vezes suas canções lembram crônicas musicadas. Essa característica é algo que você busca? Como acontece o seu processo de composição?
Clarice: Acho que acontece naturalmente. Sempre gostei muito de contar histórias. Quando era pequena, meus pais me ninavam com Chico, Sergio Sampaio, Luiz Tatit – todos compositores que misturam música e narrativa. Depois de mais velha fiquei obcecada com Magnetic Fields, Smog, Cinerama. Eles também fazem isso de um jeito fantástico.

TMDQA!: Um dos pontos mais distintos do novo disco é uma cover do DJ Gigi D’agostino com “L’amour toujours”. Como surgiu a ideia de fazer uma versão de um “clássico” da música eletrônica do início dos anos 2000? E como surgiu esse arranjo soturno e orgânico utilizado como belo pano de fundo para suas linhas vocais?
Clarice: Eu era apaixonada por essa música quando ela saiu. Eu tinha onze anos e ela tocava nas “Sete mais da Jovem Pan”. Tinha acabado de ganhar um daqueles Micro Systems que piscava luz colorida e eu ficava agarrada nele esperando essa música tocar. Anos depois comecei a tocar a música no violão (costumava fazer um mash up dela com “Sea of Love” na versão da Cat Power). Quando estávamos decidindo o repertório mostrei a minha versão pro Kassin e ele gostou.

TMDQA!: O cover que você fez de “Survivor”, das Destiny’s Child, e acabou não entrando no álbum, e as faixas “Eu Sou Problema Meu” e “Vagabunda” tratam de empoderamento feminino. Como esse tema surgiu agora na sua arte? Você chegou a pensar em colocar “Survivor” no álbum?
Clarice: A ideia era colocar, mas o CD terminou ficando longo e a gente teve que tirar uma música produzida pelo Kassin. Não fazia muito sentido colocar o “Survivor” que tinha sido gravada meses antes e produzida pelo Yuri (queiroga). Por outro lado eu tinha gostado demais da versão e resolvi lançar antes do disco, como um teaser do próximo CD.

A questão do empoderamento feminino sempre foi um tema que me interessou. Fui criada por mulheres muito fortes com mulheres muito fortes ao meu redor.

TMDQA!: Você sente falta de posicionamento político na classe artística? Como analisa a participação de artistas em pautas importantes no desenvolvimento social brasileiro?
Clarice: Não acho que seja necessário se posicionar. Eu mesma só me posiciono em discussões sobre temas que eu domino/me interesso. As pautas sociais me interessam muito, mas não vou ficar cagando regra sobre economia já que não entendo nada. Por outro lado, quando um artista se posiciona de uma forma inteligente a minha admiração por ele sempre cresce.

TMDQA!: Além da parte instrumental, as letras de “Problema Meu” também expandiram o leque do que vinha sendo abordado em Monomania. Se lá boa parte das músicas tratava com ironia momentos de quase autodepreciação, agora além do empoderamento feminino há também várias canções sobre “o outro lado” de relacionamentos, como “Irônico” e “Como é Que Vou Dizer Que Acabou”, por exemplo. Além de isso ter surgido de forma natural com as suas experiências, houve algum tipo de direcionamento da sua parte para fugir dos temas do primeiro álbum?
Clarice: Eu sinto que a diferença entre o Monomania e o Problema Meu é que o primeiro tinha apenas um eu lírico enquanto o segundo tem vários. O Monomania era quase uma história só contada em vários capítulos e o Problema Meu são várias histórias contadas em um capítulo só cada uma. Não sei se isso faz sentido (risos).

TMDQA!: Quais são os planos para divulgar o álbum em 2016? Ele está sendo lançado em formatos físicos? Por onde a turnê do disco deve passar nos próximos meses?
Clarice:
Ele é um álbum independente, então a versão física está disponível no site da distribuidora (a Discole) e vai estar disponível em lojas específicas. A turnê já passou por Recife, Fortaleza, São Paulo e Rio de Janeiro. As próximas são Belém, João Pessoa, Curitiba e Porto Alegre.

TMDQA!: Você tem mais discos que amigos?
Clarice: Tá empate, dois a dois.

Entrevista no Snapchat

TMDQA! no Snapchat: tenhomaisdiscos

Além da entrevista por aqui, também fizemos as perguntas para Clarice Falcão nessa ferramenta moderna que os jovens e nós tanto adoramos que é o Snapchat!

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