Freddie Mercury
 
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Sendo fã de Queen ou não, a maioria dos críticos de música e apreciadores em geral reconhece o imenso talento vocal que foi Freddie Mercury.

Em todo caso, se ainda restava alguma dúvida, um novo estudo sobre sua voz e seu canto lançou uma nova luz sobre o quão especial suas habilidades vocais realmente eram.

Um grupo de pesquisadores da Áustria, República Tcheca e Suécia conduziu a pesquisa, com os resultados publicados na Logopedics Phoniatrics Vocology (via AlphaGalileo).

Enquanto não conseguiram confirmar a famosa lenda urbana de que o alcance de Freddie atingia quatro oitavas (conjunto das 7 notas musicais), eles descobriram dados interessantes sobre o alcance de sua voz.

Por exemplo: apesar de ser altamente reconhecido como tenor (de canto agudo), ele era mais propício a barítono (canto grave). Eles basearam esse pressuposto na análise das gravações de seis entrevistas, que revelaram uma frequência de fala na média de 117.3 Hz. Sabia-se que Mercury já havia, inclusive, recusado um dueto de ópera em sua época, porque temia que os fãs não reconhecessem a voz de barítono. Isso ajudou a sedimentar a conclusão de que o cantor tinha, de fato, o talento suficiente para sair do seu alcance tradicional normalmente.

É bem verdade que sem o objeto de pesquisa vivo, as conclusões da pesquisa têm suas provas dificultadas. De toda forma, para chegar mais próximo da verdade, a equipe escalou o cantor de rock profissional Daniel Zangger-Borch para simular a voz de Freddie. Eles filmaram sua laringe a 4000 frames por segundo para analisar exatamente como o frontman do Queen criava aqueles inigualáveis vocais altos e ásperos, assim como os vibratos de cair o queixo.

O que eles descobriram foi que ele provavelmente empregou sub harmônicos – um estilo de canto raríssimo onde as pregas ventriculares vibram junto com as pregas vocais. A maioria dos humanos nunca fala ou canta usando as pregas ventriculares, a menos que sejam exóticos cantores do tipo Tuvan, então o fato de pensar que o astro provavelmente lidava com sub harmônicos é incrível.

Vibratos de outro mundo

As cordas vocais de Freddie se moviam mais rápido que o padrão do “homem comum”. Enquanto um vibrato tradicional flutua entre 5.4 Hz e 6.9 Hz, o de Mercury era 7.04.

Para entender isso de uma maneira mais específica: uma onda sonora perfeita para o vibrato assume o valor de 1, o que é bem próximo do quanto o cantor de ópera Luciano Pavarotti alcançou, por exemplo. Freddie, por outro lado, alcançou a média de 0.57 – o que significa que ele estava vibrando suas cordas numa frequência que nem mesmo Pavarotti conseguiu!

O estudo é repleto de terminologias científicas e técnicas em sua íntegra, mas a conclusão é clara desde o começo: Freddie Mercury tinha uma voz diferente de qualquer um no mundo do rock’n’roll, sendo um dos cantores e performers  mais singulares de todos os tempos.

Veja o estudo completo, em inglês, aqui.

Enquanto isso, Brian May e Roger Taylor seguem envolvidos na novela mexicana que virou a produção do filme autobiográfico do Queen, veja aqui.