Discos lançados em 1996

A gente sabe que a nostalgia é um importante material para nos fazer refletir a respeito da vida, do universo e de tudo o mais. Por isso mesmo, selecionamos esses 20 discos que marcaram o longínquo ano de 1996, quando você já gostava deles tanto quanto nós. Confira! 

 

1Tiny Music… Songs from the Vatican Gift Shop – Stone Temple Pilots

Março de 1996 teve o lançamento do terceiro disco do Stone Temple Pilots, Tiny Music… Songs from the Vatican Gift Shop. Apesar de trazer sucessos como “Big Bang Baby”, “Lady Picture Show” e “Trippin’ on a Hole in a Papper Heart”, o disco que também abusava das mudanças sonoras que o Stone Temple Pilots já havia deixado como marca registrada não teve tanta exposição comercial nem foi tão bem trabalhado como os dois anteriores.

O principal ponto para “frear” as divulgações foi a prisão de Scott Weiland, pego com posse de cocaína e preso durante um ano, meses antes do lançamento oficial do trabalho.

 

 

2Evil Empire – Rage Against the Machine

Em abril de 1996 o Rage Against the Machine tinha um grande desafio pela frente: superar o sucesso de seu primeiro disco, homônimo, lançado quatro anos antes, e com o sucesso estrondoso de “Killing in the Name” ainda fazendo a cabeça da galera (aliás, até hoje, não?).

O que parecia um trabalho difícil para uma banda de rap-metal acabou se tornando um sucesso de grandes proporções. Evil Empire, nome inspirado nos discursos de Ronald Reagan e de muitos conservadores para descrever a União Soviética nos anos 60, trazia referências à história política dos Estados Unidos em suas letras, arte de capa e em todos os detalhes possíveis, como em uma foto do encarte que mostra uma pilha de livros de política e filosofia, incluindo “A People’s History of the United States”, de Howard Zinn, “O Capital, Volume I”, de Karl Marx e “The Anarchist Cookbook”, do William Powell.

Evil Empire estreou em #1 na Billboard 200, “Tire Me” levou o Grammy Awards de 1996 como Melhor Performance de Metal e as faixas “Bulls on Parade” e “People of the Sun” foram ambas nomeadas para Grammys de Melhor Performance Hard Rock em anos diferentes. Foi fácil, né?

3Telephono – Spoon

Outra estreia de 1996 é o Spoon, com o ótimo Telephono.

Era Abril e o som dos garotos já havia conquistado algum reconhecimento com o EP Nefarious, de 1994, mas era hora de mostrar seu indie rock em um disco cheio. Com “Idiot Driver”, “Don’t Buy the Realistic” e “Plastic Mylar”, as comparações com o Pixies e um começo com produção de John Croslin, tudo parecia estar muito certo, mas o disco só vendeu algumas milhares de cópias na época. Quem diria que seria um clássico 20 anos depois, né?

 

4Crash – Dave Matthews Band

Mais um disco de abril, Crash, segundo álbum da Dave Matthews Band, foi um grande lançamento da época, mas só nos anos 2000 se tornou o disco mais vendido da história do grupo.

Seja pela mistura de artes que Dave coloca nas letras, seja pela celebração à pop / rock music, ou pelos nada mais nada menos que nove, sim, NOVE singles do trabalho ao longo dos anos pós lançamento, o disco fez a banda ser conhecida em todo o mundo e entrou nas paradas mais importantes dos Estados Unidos e Canadá, com a segunda posição na Billboard 200.

Sem dúvidas, “Crash Into Me”, “Lie In Our Graves”, “So Much To Say” e “Two Step” já fizeram parte de alguma boa lembrança da sua vida.

5Down on the Upside – Soundgarden

Em Maio de 1996 o Soundgarden começava a soar menos pesado do que em seus discos anteriores com Down on the Upside. Não era um período fácil para o rock de Seattle, mas a banda precisava superar o Superunknown e dar uma nova cara ao grunge que produzia.

A recepção do disco produzido pela própria banda junto a Adam Kasper foi menor do que a esperada, mas houve grandes momentos como a estreia em 2º lugar na Billboard 200. Com grande parte das letras feitas por Chris Cornell e Ben Shepherd, alguns dos grandes momentos do disco são “Ty Cobb”, “Pretty Noose”, “Blow Up the Outside World” e “Dusty”. Não à toa, o disco é lembrado e querido até hoje por todos os fãs de grunge e do Soundgarden como uma grande obra.

6Afrociberdelia – Chico Science e Nação Zumbi

Em Junho de 1996 o Chico Science e a Nação Zumbi lançariam aquele que seria um dos melhores discos da música brasileira de todos os tempos. Obviamente na época em que o registro foi gravado, no Estúdio Nas Nuvens no Rio de Janeiro e no Mosh em São Paulo, ninguém fazia ideia disso. Nem tão pouco que o disco de “O Cidadão do Mundo”, “Manguetown” e “Maracatu Atômico” seria uma das obras primas da banda que perderia um dos grandes transformadores do pop rock nacional em Fevereiro de 1997, menos de um ano depois do lançamento da obra que ele esperava lançar na estreia da banda.

O acidente de carro que levou Chico Science de todos nós não impediu o criador de deixar a sua criatura fazer o Carnaval daquele ano e tantas e tantas festas até os dias de hoje terem mais ritmo: a Afrociberdelia era uma realidade, mais brasileira que quase tudo o que foi criado nos anos 90.

 

7O Samba Poconé – Skank

Em Julho do mesmo ano, os mineiros quiseram mostrar que acompanhavam o movimento de Pernambuco e de todo o Brasil: O Samba Poconé trazia o regionalismo, o jeitinho mineiro, a irreverência de ser politicamente incorreto e o pop-rock-ska-dub que o Skank já havia acostumado o público a ouvir com o sucesso de seu segundo disco, Calango, de 1994.

“É uma Partida de Futebol”, “Garota Nacional” e “Tão Seu” invadiram as rádios de todo o país e o segundo disco da banda produzido por Dudu Marote mais uma vez acertava em cheio no gosto popular.

8Tidal – Fiona Apple

Quem aparecia pela primeira vez nas rádios de todo o mundo e ganharia para sempre nossos corações (inclusive nossos, brasileiros, principalmente depois que cancelou shows por aqui quando sua cachorrinha ficou muito doente) era Fiona Apple.

Em Julho de 1996 o Tidal nasceu com as canções “Shadowboxer”, “Slow Like Honey”, “Criminal” e “Never Is a Promise” ganhando nossas almas e anos mais tarde, títulos de melhores músicas (para “Criminal”, como melhor performance vocal no Grammy de 1998), um dos melhores discos da década (Rolling Stone) e tantos outros. E tudo isso era só o início do que estaria por vir.

9Acrobatic Tenement – At the Drive-in

Outra estreia de 1996 seria o At The Drive-In, que surpreendia a todos em Agosto com o lançamento de seu primeiro disco, Acrobatic Tenement . Tudo bem, a gente sabe que muitos dos fãs do ATDI descobriram a banda pelo Relationship of Command, mas é interessante perceber que o álbum de estreia dos garotos já tinha tantos elementos que gostaríamos de ver nos discos posteriores.

O trabalho, gravado com um orçamento de 600 dólares, não poderia soar mais saudosista nem inicial: Cedric Bixler-Zavala e Omar Rodríguez-López não precisavam mais de apresentações, mas fizeram em músicas como “Communication Drive-In”, “Initiation”, “Schaffino” e “Blue Tag” seu lugar no mundo da música ganhar mais elementos.

É interessante notar que aqui a banda ainda priorizava elementos do emo nas suas composições e, poucos anos depois, entraria para a história com um álbum, citado acima, cheio de pedradas do post-hardcore que influenciaram uma geração inteira.

 

10Nove Luas – Os Paralamas do Sucesso

Para Os Paralamas do Sucesso era tempo de se reconectar com seu público. As Nove Luas, oitavo disco de estúdio da banda, fariam muito bem essa função. É claro, é impossível não sair pulando e cantando loucamente um dos maiores sucessos dos anos 90, a clássica versão de “Parate Y Mira” com “Lourinha Bombril”, nem ignorar o ritmo de “La Bella Luna” para dançar com seu par. As regravações do Soda Stereo com “De Música Ligeira” e do Titãs com “O Caroço da Cabeça”também são destaques do álbum, assim como “Busca Vida” e “Seja Você”.