Cazuza
 
Ouça o novo single da Majur!

Se ainda estivesse vivo, Agenor de Miranda Araújo Neto, mais conhecido como Cazuza, faria hoje 58 anos.

Infelizmente, a AIDS levou esse grande gênio da nossa música que em seus curtos 32 anos de vida deu ao povo brasileiro motivos para ter orgulho do Brasil. Confira aqui 10 grandes feitos desse homem que merece, no mínimo, uma bela homenagem.

 

1 – Ele nunca quis viver à sombra do pai

Cazuza

Cazuza sabia desde pequeno que tinha algum talento para as artes, para a música principalmente, além de é claro, ter um interesse natural por esta última, principalmente por viver rodeado de artistas e personalidades do mundo musical. Mas vejam bem, ele era filho de João Araújo, poderoso executivo de uma das gravadoras mais influentes do país na época, a Som Livre. Não queria parecer alguém que ficou famoso porque o pai “tinha poder”. Ele tentou fotografia, tentou ser ajudante de escritório na gravadora, tentou ir para o exterior para se encontrar… mas foi no teatro que ele se revelou ao mundo como cantor e mais tarde como compositor: em uma adaptação da peça A Noviça Rebelde que Cazuza estrelou em 1980 foi que a mãe do cantor descobriu seu talento para a música, já que o papel do garoto era apenas cantado, sem falas. No livro “Só As Mães São Felizes” Lucinha Araújo descreve esse momento com uma frase: Meu Deus, esse menino canta bem e eu nem sabia! 

 

2 – O empurrãozinho que faltava ao Barão Vermelho

Cazuza-Barão-Vermelho

Quando percebeu que não tinha saída mesmo, Cazuza resolveu que era música o que ele queria fazer da vida. Pouco tempo depois da apresentação de teatro que mencionamos, o jovem pediu uma mesada ao pai porque ele ia “entrar para uma banda de rock”. A ideia foi de Léo Jaime, que soube que o Barão Vermelho estava procurando um cantor e indicou Cazuza. Na garagem de Maurício Barros, na Praça Del Vecchio, começou a parceria que daria origem a uma das melhores bandas de rock dos anos 90. O primeiro álbum, de nome homônimo, foi lançado em 1982 e tinha como destaque as músicas “Bilhetinho Azul”“Down em Mim”. O sucesso não veio de imediato e a banda precisava de muito apoio técnico, mas aquele era um começo promissor, como avaliou João Araújo, que só conheceu o trabalho do filho no segundo show da banda.  Cazuza escrevia boa parte das letras junto com Frejat, dava pitaco nas músicas e colocava em sua voz todo o melhor que podia oferecer.

 

3 – Bete Balanço e o sucesso absoluto

Cazuza

Inicialmente, a banda não colou. Mas o carisma de Cazuza logo chamou a atenção do amigo da família Caetano Veloso, que passou a frequentar todos os shows da banda e incluiu a música “Todo Amor Que Houver Nessa Vida” no repertório de sua turnê. Esse mesmo carisma conquistou Ney Matogrosso, que gravou a música “Pro Dia Nascer Feliz” da banda e fez a sua versão e a versão dos “moleques” começarem a tocar nas rádios. Com esses “empurrões”, o Barão Vermelho começou a ter destaque na mídia nacional e foi convidado para gravar a trilha sonora do filme “Bete Balanço” de Lael Rodrigues. A música foi sucesso absoluto  e Cazuza também fez uma ponta no filme, como o personagem Tininho, um compositor de rock. Por causa do sucesso e na falta de uma beldade feminina à altura, Cazuza foi eleito o “Muso do Verão” de 1984 pelo Jornal do Brasil. 

 

4 – Uma história de amor com Ney Matogrosso

Cazuza-Ney-Matogrosso

Esses dois se conheceram bem antes do sucesso do Barão Vermelho. Em um verão de 1979 Ney viu Cazuza pela primeira vez na Praia de Ipanema e foram apresentados por uma amiga em comum. Alguns dias depois, Cazuza foi ao apartamento de Ney acompanhando dessa mesma amiga. Deste dia em diante, os dois viveram uma intensa história de amor, que durou apenas alguns meses. Também no livro Só As Mães São Felizes, Ney declara que Cazuza era encatador e apaixonante e, nessa fase, o extremo oposto do que o Brasil conheceu depois. Não tinha absolutamente nenhuma agressividade, era um anjo caído do céu. E eu fiquei apaixonado de perder a direção. Os dois se separaram depois de uma viagem de Cazuza à Suíça, alguns meses depois, pois na volta ele queria mais liberdade e achava que Ney queria prendê-lo. O relacionamento acabou, mas ficou uma relação de amizade e de parceria muito bonitas, que duraram até o último dia de vida do Cazuza. O cantor era muito intenso em seus relacionamentos amorosos e desde adolescente sabia que era bissexual, sem nunca ter medo de assumir.

 

5 – A carreira solo inquestionável

Cazuza

Depois de fazer um sucesso estrondoso com o Barão Vermelho, Cazuza percebeu que queria mais de sua carreia e se lançou em uma caminhada solo. O vôo alto se deu em Novembro de 1985 com o lançamento de Exagerado, que já vendeu mais de 750 mil cópias. Dois anos depois, o álbum Só se for a Dois mostrou ao país um Cazuza um pouco diferente da estrela do rock que o público e mídia estavam acostumados a ver. Segundo ele próprio, Só se for a dois me permitiu usar uma coisa não rock’n’roll. Eu tenho esse lado de cantor de churrascaria… O lançamento desse segundo disco foi escolhido pelo cantor para marcar época: marcou a estréia no Teatro Ipanema. O show foi um sucesso, mas a produção foi muito cara e ele pagou do próprio bolso os prejuízos que os empresários tiveram com a produção. Mesmo com saldo inicial negativo, o lançamento do álbum marcou o melhor momento da carreira de Cazuza, que passou a ser reconhecido como cantor, compositor e intérprete de prestígio. Mas esse também seria o começo de uma etapa que o marcou de outro jeito…