Depois de muita espera, a Netflix disponibilizou finalmente no último dia 26, a primeira temporada de Fuller House. A atração mostra a vida de D.J. Tanner, filha mais velha de Danny, protagonista de Full House, vinte anos após o final da primeira série. Assim como sua progenitora, a produção possui o mesmo contexto, onde a personagem acaba ficando viúva, e contará com a presença de sua irmã do meio, Stephanie, e de sua melhor amiga, Kimmy Gibbler, para cuidar de seus três filhos.

Apesar das diversas críticas negativas circulando pela internet, a série não é de todo mal assim. Seu primeiro episódio, tenho que admitir, pecou e muito nas diversas referências abordadas. Tudo bem que o espírito de nostalgia falou alto, pois marcou a infância de toda uma geração que cresceu ao lado das três filhas de Danny Tanner, mas por ser uma produção de 13 episódios, algumas coisas poderiam ter sido evitadas.

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Um dos exemplos claros, as diversas piadas de idade, algumas nem tão engraçadas assim, e o tempo de cena dos atores da série antiga. Se o foco é em D.J., Steph e Kimmy, não tinha necessidade de tanta evidência assim em Dan, Tio Jesse, Tia Becky e Joey, esse por sua vez mostrou que realmente parou no tempo, mas não na aparência. O personagem se tornou o verdadeiro tio do pavê das reuniões em família. Já John Stamos e Lori Loughlin mostraram que passaram os últimos anos dormindo no formol.

O primeiro episódio foi resumido única e exclusivamente na nostalgia, começando pela abertura, onde mostra a primeira cena de Full House e é interrompida logo no começo, nos levando aos dias atuais. A nova abertura ganhou uma ótima reformulada, onde são mostrados momentos do trio protagonista na atração original, além do elenco infantil. A roupagem da regravação feita por Carly Rae Jaspen ficou muito bacana, com o tom “moderno”, casando perfeitamente com a abertura então mostrada. O final ficou marcado pela emoção grande, onde o elenco recria a cena em que eles cantavam a música de Os Flinstones para Tommy, filho caçula de D.J. Na versão original, eles fizeram o mesmo para a pequena Michelle, e ambas as cenas foram colocadas lado a lado. Aí meus caros, foi difícil de conter o suor dos olhos.

Passado todo esse momento, era hora da série mostrar a que realmente veio, e eles não perderam tempo com isso. No segundo episódio, conhecemos mais dos filhos de D.J., pelo menos dois deles. Jackson é o mais velho, e dono de um temperamento forte. O personagem logo de cara mostra ser bem chato, porém vai melhorando no decorrer da série. Já Max, filho do meio, conquistou a todos logo de cara, com seu jeito divertido e genuíno de ser. Também conhecemos mais de Ramona, filha de Kimmy com o destrambelhado e divertido Fernando. A garota possui os traços físicos semelhantes ao do pai, mas seu modo de ser é igualzinho de sua mãe.

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O terceiro episódio é o que podemos decretar total independência da série, e ele mostra o trio de moças saindo para uma balada. Chega a ser até engraçado de se ver aquelas meninas que você estava acostumado a assistir brincando pela casa hoje fazendo coisas que todos nós na fase adulta costumamos (eu acho) fazer, como sair pra dançar, beber e paquerar.

À medida que a série vai passando, vamos sendo apresentados a novos personagens, como Matt, médico veterinário e filho do dono da clínica onde D.J. trabalha. A química entre os dois é algo incrível, e logo o previsível acaba acontecendo. É formado um divertido triângulo amoroso entre os dois e Steve, primeiro namorado da personagem e que ainda é apaixonado por ela. Falando em coisas óbvias, outra trama que já era esperada de acontecer seria a reconciliação de Kimmy e seu ex marido Fernando, ocorrida durante a festa da filha deles, no sétimo episódio.

O ápice da série foi sem dúvidas seu décimo episódio, onde todos os personagens regulares da série tiveram seu merecido destaque de uma forma ou outra. Ali também é o momento que você se depara que só tem mais três capítulos para acompanhar, e já começa a bater aquela sensação de saudade.

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Os episódios finais são mais focados na vida amorosa de D.J. O de número onze trata da sua relação com Matt, que na minha opinião foi um dos mais fracos do show, enquanto no seguinte ela divide as atenções com o Steve. A season finale é marcada pela escolha que a personagem tem que fazer com qual dos dois ela deve ficar, e sua decisão deixou um grande gancho para sua segunda temporada.

Fuller House termina seu primeiro ano com o dever cumprido, com o gosto de quero mais. Muitos sites detonaram a atração, mas não achei nada demais. A série cumpriu fielmente com seu propósito, de trazer a nostalgia e continuar a tradição de ter uma história leve e descontraída, e ao mesmo tempo emocionante, elementos que fizeram Full House ficar no ar durante 8 anos.

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A série é bobinha? Sim, e daí? Produções como essa são o que precisamos de volta no quesito comédia, talvez o serviço de streaming teve uma de suas melhores decisões em resgatar esse clássico, justamente para trazer de volta tal essência, que hoje em dia não se vê em atrações do gênero. Aliás, as comédias produzidas hoje em dia andam bem genéricas. Revival is the new black!

Não posso terminar essa resenha sem falar da ausência das gêmeas Olsen. É claro que eles não poderiam deixar o acontecimento passar em branco, e logo na estreia o elenco deu uma cutucada das boas. Outro momento lendário de tais referências à Mary Kate e Ashley é no sétimo episódio, quando Kimmy vê o preço do vestido de aniversário de sua filha. Nesse momento os nomes das duas chegam a serem citados, e a personagem solta o seguinte comentário ácido: “com esse preço está explicado por que elas não querem mais atuar”. Mesmo com tudo isso, torço profundamente para que elas possam rever seus conceitos, e quem sabe aceitar participar de pelo menos um episódio. We want Michelle back!

Obrigado, Netflix!

 

     
 
REVIEW GERAL
Nota
9
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