Resenha: Morrissey em São Paulo (21/11/15)
Foto: Marcelo Rossi / T4F
 

Foto: Marcelo Rossi / T4F
Após uma apresentação menor no meio da semana em clima intimista num teatro de São Paulo, Morrissey – ex-vocalista da lendária banda de rock inglês The Smiths – tocou para um público maior na noite do sábado, 21 de Novembro, com um Citibank Hall lotado de fãs da banda oitentista e seu ex-líder. O músico veio ao Brasil com a turnê de seu décimo disco solo, World Peace is None Of Your Business (2014), e após a excursão que faria pelo país em 2013, cancelada por conta de um câncer no esôfago, já curado.

Quem foi pelo trabalho do artista com os Smiths se deu mal, pois o espetáculo contou com apenas três canções do grupo. Teve “Meat Is Murder”, embasada sob um forte discurso em favor dos animais através de imagens de bichos sendo sacrificados no telão e uma frase em português: “Qual é a sua desculpa agora? Carne é assassinato”; “What She Said”, e “The Queen Is Dead”, que encerrou a apresentação em clima nostálgico, da época em que Morrissey era ainda mais contundente com relação à realeza britânica e, mais especificamente, à rainha. No show anterior, além dessas, teve a vantagem de contar com “This Charming Man” e “How Soon is Now?”.

O setlist começou com “Suedehead”, seu maior hit após o fim dos Smiths, lançado em 1988 com seu primeiro álbum solo, Viva Hate (1988). Aquele refrão “I´m soooo sorry…” foi cantado por cada pessoa presente na casa. O foco do concerto foi o trabalho mais recente, tocado quase todo, com destaques para “Kiss Me a Lot”, “The Bullfighter Dies” e “Smiler With Snife”.

O show contou ainda com “I’m Throwing My Arms Around Paris”, quando o telão ficou iluminado com as cores da bandeira francesa, em homenagem às vítimas dos ataques terroristas ocorridos no último 13 de Novembro em Paris. Apesar de não discursar, Morrissey cantou apontando à bandeira em tom de indignação.

Além do lado politizado, a apresentação, de uma forma geral, teve um tom obscuro, com o telão mostrando imagens em preto e branco, como nas clássicas capas dos discos dos Smiths. Jogos de luzes verdes, azuis e brancas ajudaram na climatização, muitas vezes deixando a banda apenas sob contornos naquela ambientação típica de algumas bandas pós punk.

Nostalgia, emoção e algumas lágrimas foram derramadas da plateia, em sua maioria formada por pessoas na casa dos 30 e poucos anos, provavelmente cheios de memórias despertadas naqueles momentos. Ao final, Morrissey mostrou um pouco de seu vigor ao arrancar a camiseta e jogar ao público, que ficou obviamente enlouquecido.

Setlist:
Suedehead
Alma Matters
You Have Killed Me
Speedway
Ganglord
Staircase at the University
Istanbul
World Peace Is None of Your Business
One of Our Own
The Bullfighter Dies
You’ll Be Gone (Elvis Presley cover)
I’m Not a Man
Yes, I Am Blind
Meat Is Murder (The Smiths)
Everyday Is Like Sunday
Smiler with Knife
Kick the Bride Down the Aisle
Kiss Me a Lot
Jack the Ripper
What She Said (The Smiths)
I’m Throwing My Arms Around Paris
The Queen Is Dead (The Smiths)